Animal de apenas 7 cm ficou preservado em rocha que abrigava osso de dinossauro.
Cerca de 45% do esqueleto restou; idéia é estudar parentesco com anfíbios atuais.
A sorte quis que uma rã de apenas 7 cm de comprimento, morta há 70 milhões de anos perto de onde hoje é a cidade mineira de Uberaba, fosse preservada junto com os ossos de um imenso dinossauro herbívoro. A descoberta foi anunciada por cientistas do Centro Paleontológico Price, informou o portal Megaminas.com.
O anfíbio foi coletado na localidade de Peirópolis em 2002, dentro do mesmo bloco de rocha que abrigava um fragmento de osso de titanossauro – tipo de dino pescoçudo e comedor de plantas que era muito comum no Brasil durante o período. Segundo os pesquisadores, cerca de 45% do delicado esqueleto da rã ficou preservado. “É possível que alguns pedaços do fóssil tenham sido destruídas na preparação [da matriz de rocha], porque era difícil de reconhecê-lo – os ossos são milimétricos”, contou o pesquisador Luiz Carlos Borges Ribeiro, coordenador do Centro Price.
As vértebras estão todas preservadas e articuladas (ou seja, unidas na posição que ocupavam em vida) e ligadas ao crânio. Há também fragmentos dos membros na rocha. “Por estar tão articulado, o mais provável é que ele tenha sido sepultado ainda vivo, na queda de um barranco de rio, por exemplo”, afirma Ribeiro.
É praticamente certo que se trate de uma nova espécie. Mas, para bater o martelo, serão necessários mais estudos – por isso a equipe mineira vai trabalhar em conjunto com a paleontóloga argentina Ana María Báez, da Universidade de Buenos Aires, que já estudou outros anfíbios pré-históricos da região. Ribeiro conta que, por enquanto, dá para dizer que o bicho pertence ao mesmo grande grupo que abriga 95% das rãs viventes. “O desafio é conseguir refinar essa relação filogenética [de parentesco evolutivo]”, afirma ele.
Há outros quatro anfíbios fósseis, de várias épocas diferentes, já descritos formalmente no Brasil. No contexto mineiro, no entanto, o fóssil é realmente excepcional por estar articulado, enquanto quase todos os animais da época em Uberaba aparecem como ossos soltos.
Fonte: G1
