Pesquisa aponta proteína que transforma aprendizado em memória

Memória é diferente de aprendizado. Não adianta você aprender alguma coisa agora se não conseguirá se lembrar dela daqui a dez minutos. Diferente que o "inteligentíssimo" sábio de Estagira disse, os pensamentos não ficam no coração (e, apesar de casado duas vezes, ele não sabia que mulheres têm o mesmo numero de dentes que os homens). Agora, pesquisadores do Instituto Gladstone determinaram que uma proteína está envolvida na regulação da atividade neuronal, influenciando no processo neurológico para a formação de memória de longo prazo.

O dr. Steve Finkbeiner é professorde neurologia e fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia. A equipe de Finkbeiner investiga o funcionamento interno das sinapses, cujas formações estabelecem como seu querido cérebro funciona. Elas seriam como pontes químicas facilitando o transporte de substâncias e correntes elétricas, os quais são o que você chama de "pensamento". Quando você aprende algo, qualquer coisa que seja, novas sinapses são formadas. E quando você tem novas sinapses, mais facilmente você aprende as coisas. Ou seja, quanto mais você aprende, mais facilidade você tem em aprender. Sim, eu sei que soa estranho, mas não fui eu quem projetou o céleblo..

O primordial nas sinapses é que elas melhoram seu processo de armazenamento de informações. Isto significa dizer que exercícios mentais, como palavras cruzadas, charadinhas etc ajudam a manter seu cérebro sadio, mantendo sua capacidade de memorizar as coisas. Mas, como nada no corpo humano é perfeitinho, quando há um excesso na estimulação, pode haver uma descarga geral de impulsos elétricos, o que causa os surtos epiléticos e convulsões em geral. Mas nós somos somos criaturas perfeitas e o ápice do processo evolutivo. Só que não.

A questão até agora é: O que faz isso acontecer. Aí é que entra a pesquisa de Finkbeiner. que estuda o processo em que o processamento de informações se mantém equilibrado, através de um processo chamado "escamação homeostática." O dimensionamento homeostático permite que os neurônios individuais fortaleçam as novas conexões sinápticas que fizeram para formar memórias, e ao mesmo tempo proteger os neurônios de se tornar excessivamente estimulados.

Traduzindo esta algaravia, temos um processo que mantém todo o fluxo de correntes elétricas e transmissões neuroquímicas de forma ordenada. Seria como uma espécie de guarda de trânsito, controlando as informações. E é este "guarda" que faz com que as "ruas" (a saber, as sinapses) se mantenham funcionando perfeitamente, o que garantirá que as informações recebidas (aprendizado) possam ser definitivamente guardados (memória). Este sistema neuroquímico, portanto, garante que você se lembre das coisas que aprendeu, acabando com as desculpas do seu filho que disse que aprendeu tudo direitinho na aula, mas por alguma fatalidade quântica acabou esquecendo.

A chave deste processo está numa proteína chamada Arc, uma proteína plástica associada ao citoesqueleto que regula atividades, também conhecida como Arg3.1. Coisa simples, que qualquer um aprende no Fundamental 1.

Citoesqueleto nada mais é do que uma rede intrincada de filamentos protéicos que se estende por todo o citoplasma, isto é, um monte de proteínas (que são moléculas muito, muito grandes) que se enroscam que nem macarrão. Esta rede ajuda na sustentação do volume citolpasmático das células animais, já que células vegetais não precisam, por terem parede celular, formada basicamente de celulose, que não é uma proteína e sim um carboidrato. O citoesqueleto tem característica plástica, adaptável, que faz com que a célula seja meio molenga e não durinha como as células das plantas, por exemplo.

Os cientistas já sabiam que a Arc estava envolvida na memória de longo prazo, porque os ratos sem a proteína Arc podiam aprender novas tarefas, mas não conseguiam se lembrar delas no dia seguinte. Os pesquisadores perceberam que ao se acumular nas sinapses durante a aprendizagem, a proteína Arc estava dirigindo a formação de memórias de longa duração. O que os pesquisadores descobriram, então, foi que, logo depois, a maioria dos Arc vai sendo empurrada para dentro do núcleo, e lá controla o processo químico dentro das células nervosas. A pesquisa foi publicada no periódico Nature Neuroscience.

Vendo o que foi publicado por aí, já falam logo de cura para o Alzheimer e o autismo, como coisa que é algo tão simples assim. Devemos lembrar que o mal de Alzheimer é degenerativo, ou seja, o cérebro vai indo pro saco, não é uma questão apenas de refazer as sinapses. Com os neurônios se degenerando, ficará difícil restaurar apenas as sinapses, da mesma forma que colocar óleo num motor totalmente enferrujado não fará seu Ford-T virar um Lamborghini.

O autismo é uma doença neurológica de origem genética que dá surto nos neurônios-espelho. Há diversos graus de autismo e com certeza nem todo mundo vai se tornar o Rain-Man. Eu vejo esta pesquisa como um importante avanço na pesquisa neurocientífica, mas cientistas sabemos que não basta uma proteína para acabar com todos os males do mundo. Finkbeiner sabe disso. Mas qualquer diminuição nos casos já um imenso avanço, mas cura é arrogância demais, o tipo de coisa deixada para gente que se preocupa em vender jornais.

Sorte nossa que pesquisadores como o dr. Finkbeiner não se contentam com isso. Se acharemos a cura do Alzheimer, ainda é incógnito, mas a redução dos sintomas faz toda a diferença.

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