O olhinho que entrega a sua paranoia

Pessoas paranoicas tem um grande problema. Aliás, vários, mas o principal é o fato que a pessoa acometida tem a sensação de que está sendo ameaçado de alguma forma, como se estivesse sendo observado ou agindo contra a referida pessoa, mesmo sem provas. A paranoia pode ser um sintoma de psicose e está frequentemente associada a condições como a esquizofrenia, mas aí fica a questão: como se pode determinar se uma pessoa possui pensamentos paranoicos? Bem, um novo estudo destaca a importância da percepção visual na identificação de riscos para o pensamento paranoico e outras condições psicóticas.

O dr. Santiago Castiello de Obeso, além de ter nome que deve ter lhe deixado paranoico achando que alguém faria piadinhas sobre sua massa corporal, é pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Yale. O dr. Gordinho e seus colaboradores descobriram que padrões de pensamento paranoico podem ter raízes na percepção visual básica. Isso significa que um teste visual simples pode potencialmente ajudar a identificar indivíduos em risco de desenvolver sintomas psicóticos.

O estudo envolveu participantes que assistiram a pontos se movendo em uma tela. Os pesquisadores descobriram que indivíduos propensos ao pensamento paranoico eram mais propensos a perceber um ponto como “perseguindo” outro, mesmo quando não havia tal perseguição. Este achado abre novas possibilidades para a triagem precoce de condições como a esquizofrenia através de testes visuais básicos.

O dr. Fortinho examinou dois tipos de padrões de pensamento: o pensamento paranoico (acreditando que outros têm a intenção de causar dano) e o pensamento teleológico (atribuindo significado e propósito excessivos aos eventos). Enquanto ambos envolvem a má atribuição de intenções, eles se manifestaram de maneira diferente nos testes visuais. Pessoas com tendências paranoicas tiveram dificuldade em identificar qual ponto estava sendo perseguido, enquanto aquelas com alto pensamento teleológico tiveram dificuldade em identificar qual ponto estava perseguindo.

Uma observação intrigante do estudo é que poucas pessoas com cegueira congênita desenvolvem esquizofrenia, sugerindo que o processamento visual pode desempenhar um papel crucial no desenvolvimento de sintomas psicóticos. Isso levanta a possibilidade de que testes perceptuais rápidos possam identificar quando alguém pode precisar conversar com um clínico.

A esquizofrenia é um transtorno mental grave caracterizado por delírios, alucinações e pensamento desorganizado. O estudo do dr. Redondinho sugere que o processamento visual pode estar ligado ao desenvolvimento de sintomas psicóticos, oferecendo novas perspectivas para a triagem e tratamento precoce.

A pesquisa foi publicada no periódico Communications Psychology e você poderá lê-lo na íntegra.

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