Indo na contra-mão

Estava pensando uma coisa interessante. No início, os blogs eram diários, em que as pessoas escreviam o que estavam pensando, suas opiniões. O mesmo acontecia com as redes sociais. Você via algo legal, postava. Você sabia de algo interessante, compartilhava. Isso era com os blogs de tecnologia, por exemplo. As pessoas compartilhavam notícias e comentavam muito. Isso acabou com o advento do adsense, que para monetizar tinham que refrear as opiniões, pois por qualquer coisinha o Google metia o machado. Isso levou a uma profissionalização, acarretando mais sites noticiosos no mesmo padrão dos jornais. A tão odiada Velha Mídia venceu, já que ela mostrou o caminho do sucesso.

O mesmo aconteceu com o YouTube. Antes, era um monte de gente gravando vídeos com coisas interessantes: o pôr-do-sol, a festa de família, o cachorro latindo entre vários vídeos descontraídos. Mesma coisa com redes sociais. O adsense dos blogs e do YouTube profissionalizou tanto que todo mundo parece precisar de um plano de negócios. Crianças querem gravar vídeos já pensando em serem grandes youtubeiros, e com relação aos blogs, eles morreram. Morreram quando o YouTube capou o adsense, tornando desinteressante escrever. Todo mundo migrou pro YouTube, afinal, por que não ganhar fazendo vídeos? Não vou discutir isso, pois cada um sabe dos boletos que tem, mas aqueles que simplesmente tinham algo para compartilhar porque sim, desistiram. Não é aqui que está o público e você escreve para as paredes.

Como eu.

A modinha agora é ser divulgador científico. Sim, modinha. Agora você precisa se posicionar cientificamente perante assuntos e denunciar coisas. Claro, ninguém denuncia que Ambiente Acadêmico é um lixo, cheio de politicagem interna. Se você não se juntar com a agendinha política dominante, você estará fodido. Deus, como é bom poder escrever “fodido”. Eu jamais poderia escrever isso num blog profissional. Os anunciantes iriam odiar, mesmo jurando de pés juntos que gostam das suas opiniões contundentes. Isso é bem fodido!

Mas e a blogagem marota, aquela blogagem de várzea? Essa, como eu disse, morreu. Morreu, mas não pra mim. Por isso, estou indo na contra-mão. Se as pessoas me acompanham no Twitter para saber o que eu acho das coisas e o que eu compartilho, então, posso voltar às raízes e não só postar na rede de microblogs, como usar o macro-blog. Parei de catar notícia de divulgação científica e postar por postar. Se eu encontrar algo que ache realmente interessante, eu posto. Se não, escrevo qualquer coisa assim. Ou nem escrevo nada, como era nos tempos do guaraná de rolha.

É uma satisfação para mim voltar ao que eu realmente gosto de fazer, e os outros que fiquem seguindo modinha. Eu sou anterior a elas, eu continuarei quando as atuais acabarem e surgirem outras.

Eu sou Infinito. Eu sou eterno!

9 comentários em “Indo na contra-mão

  1. Reflexão interessante, André. E seja lá o que escreva, sempre há quem leia…
    Lamentei muito quando os conteúdos, em geral, migraram dos blogs ao Youtube, do texto escrito ao vídeo. Vídeo, para além de mais trabalhoso para se produzir, demanda também mais trabalho para acompanhar.

  2. Meu Litteraria era assim. Morreu. Criei o Bagunçadamente como podcast e depois fiz o blog. O podcast tá parado (lógico, ideia idiota de fazer podcast sozinha) e no Bagunçadamente eu posto coisas legais, mas acobou a pas e tô postando muito pouco. Mas sinto uma falta absurda de escrever.

  3. Esqueceu de Modesto no final.
    Boa reflexão sobre a situação atual. Poucos como você escrevem como se estivesse conversando, apesar de estar mais para monólogo.
    Continue assim.
    Que se foda o resto

  4. Cara, o seu blog, o do Cardoso (Contraditorium) e o The Renaissance Mathematicus eu leio sempre e espero mesmo que nunca acabem.

  5. Pois é Andre. Vários sites/blogs que eu acompanhava seguiu a “modinha” e se tornaram impossíves de acompanhar. Fico feliz que, ao menos aqui, ainda poderei acompanhar assuntos de interesse e também ver tópicos para a “Voz do Alienados”

  6. Acho seu blog “fodido” de bom (tem algumas palavras “anfóteras” por aí)! Sei bem o que você quis dizer sobre o saudável ambiente acadêmico pois sou técnico de laboratório de uma certa universidade pública daqui de SP. Continue com o bom trabalho (ou não, se de repente você encher o saco)!

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