Crianças são mais propensas a colocar meninos em posição de dominação

De onde vem a ideia que homens são superiores às mulheres? Claro, vai ter um monte de gente dizendo que é por causa do patriarcado opressor, numa confluência cultural estereotipada em países conservadores liderados pela Direita Religiosa. O problema é que, ao se examinar isso a sério, mediante crivo do Método Científico, chega-se a resultados não muito agradáveis para certos grupos.

Uma recente pesquisa apresentou dados um tanto indigestos a esse respeito. A partir dos 4 anos de idade, crianças associam poder a indivíduos do sexo masculino. Claro, você está agora vociferando contra a Damares ou países árabes, mas isso foi evidenciado mesmo em países mais igualitários, como a Noruega. Vai ter gente tendo muitos ataques de piti por causa disso.

A drª Rawan Charafeddine é pesquisadora do Instituto de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. Em colaboração com pesquisadores da Universidade de Oslo (Noruega) e das Universidades de Lausanne e de Neuchâtel (Suíça), Charafeddine estuda as situações em que há associação de poder com o gênero, e em que ponto as pessoas associam mais as figuras de poder com a masculinidade.

Então, como isso se processa com crianças pequenas? Rawan e seu pessoal começaram a estudar crianças na faixa de 3 a 6 anos de idade na França, Líbano e Noruega. Primeiramente, mostraram às crianças uma foto com dois indivíduos, em que um adota uma atitude de poder e o outro de subserviência. Foi pedido para as crianças adivinhar qual desses dois indivíduos exercia poder sobre o outro. Em seguida, as crianças tiveram que determinar qual era o menino e qual era a menina.

Os resultados apontaram que, a partir dos 4 anos, a grande maioria das crianças (independente do gênero delas) considera o indivíduo dominante um menino, e isso foi significativo tanto no Líbano quanto na França e na Noruega. No entanto, não foi significativo em crianças de 3 anos de idade.

A imagem? Esta aqui:

Como dá para perceber, os personagens da figura não possuem nenhum traço que se possa deduzir, mediante suas formas, quem é o menino e quem é a menina.

Na segunda parte do experimento, crianças de 4 e 5 anos de idade da França tiveram que se imaginar no lugar dos personagens e imaginar a outra pessoa como menino ou menina. Quando as crianças tiveram que considerar a sua relação de poder com uma pessoa do mesmo sexo que elas, as meninas e os meninos se identificaram amplamente com o caráter dominante, já que perdedor é coisa de losers. (DSCLP)

Mas quando as crianças tiveram que considerar a sua relação de poder com uma pessoa do sexo oposto, os meninos se identificaram mais frequentemente com o personagem dominante, enquanto as meninas não se identificaram significativamente mais com um ou outro dos personagens, ou seja, para as meninas, tanto fazia quem eram elas.

Enquanto isso, estou aqui imaginando como pedagogas desesperadas estarão fazendo atividades humilhando meninos e colocando meninas em situação de superioridade, de forma a não reconhecer os fatos bem na frente. Se bem que pedagoga não lê artigo científico, só livro de outras pedagogas.

No terceiro e último experimento, crianças de 4 e 5 anos de idade no Líbano e na França assistiram a um bate papo entre dois bonecos, um menino e uma menina, mas não sem certos critérios. Primeiro, foram mostrados os bonecos, um representando um menino e o outro uma menina. Na situação, os bonecos estavam se preparando para jogar juntos e um personagem impunha as suas escolhas sobre o outro. No outro caso, um boneco tinha mais dinheiro que o outro para comprar sorvete. Basicamente, o diálogo era:

– Você deve fazer tudo o que eu digo. Faça qualquer coisa que eu quiser!

– Ok. Eu farei o que você quiser!

Antes do diálogo, os bonecos, um menino e uma menina, eram apresentados às crianças. Depois, eram escondidos, e as crianças so podiam ouvir a conversa. Os bonecos eram manipulados pela mesma pessoa e “falavam” com a mesma voz, daquelas de desenho animado, sendo impossível diferenciar seus gêneros pela voz. Depois, os pesquisadores perguntaram às crianças:

1) Quem falou “Faça o que eu quero”?

2) Quem falou “Ok! Eu farei o que você quer”?

Na França e no Líbano, a maioria dos meninos achava que o boneco que impunha suas escolhas ou que tinha mais dinheiro era o boneco masculino. No entanto, as meninas nos dois países não atribuíram a posição dominante preferencialmente a um ou outro gênero.

Esses resultados mostram que as crianças têm uma sensibilidade própria e precoce a uma hierarquia de gênero, embora em algumas situações as meninas não associem poder à masculinidade. O que isso significa? Quem ninguém ficou metendo na cabeça das meninas que elas eram inferiores. Sendo assim, não haveria motivo para suspeitar que só faziam este tipo de reforço nos meninos.

Agora, vamos esperar dizerem que como o líder da pesquisa é um homem masculino machista piroco opressor reforçando estereótipos e apagando a atuação feminina e impondo às meninas que elas devem se sentir inferiores, independente dos dados reais da pesquisa.

Enquanto vemos pessoal ter ataque de pelanca, você pode ler o trabalho publicado no periódico Sex Roles

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