Em busca das águas perdidas nas geleiras

Tirando, o nosso ministro de Ciência e Tosqueira, digo, Ciência & Tecnologia (que acha que aquecimento global é o cacete!), toneladas de gelo andam derretendo, principalmente na Groenlândia e Alasca. A água vai passando pro estado líquido, se infiltrando no gelo e indo gloriosamente em direção ao mar, que nem o índio Boi Xavante e sua Piroga de Cristal. Conforme a água vai se infiltrando, vai derretendo mais gelo, carregando detritos do solo e tudo indo pro oceano.

Pesquisadores, então, acharam algo que parece meio óbio, mas ninguém tinha se tocado ainda, como na maioria das grandes ideias: Que tal usar sensores sísmicos para acompanhar o gelo derretido através da geleira?

O dr. Timothy Bartholomaus trabalha no Instituto de Geofísica da Universidade do Texas. Não, engraçadinhos, o Texas não tem geleira. No máximo, você vai entrar numa fria se cismar de ensinar Evolução lá. Ele estuda como essa água líquida pode desestabilizar a geleira em uma série de maneiras, como acelerar o derretimento e carregar esta água gelada para as águas mornas do oceano, mandando pra vala as correntes marinhas.

Essa "descarga subglacial", como é chamada, faz com que as águas se agitem, o que acelera mais ainda o derretimento, e faça as águas do oceano tentarem entrar em equilíbrio térmico, isto é, tendo sua temperatura diminuída. Ninguém fica feliz, pois um processo acelera o outro e vice-versa.

Como a água se infiltrando faz barulho, devido ao choque e à rachadura do gelo, microvibrações no gelo acontecem. Mesmo que não se escute a princípio, o barulho e o tremor está lá, e o que é o ideal para medir tremores, sejam grande, pequenos e o Krakatoa? Sensores sísmicos, é claro. Essa foi a ideia do doutor Tim-tim para examinar os ruídos causados pelos "terremotos" causados ??pelo gelo (o nome certo é "criossismo", ou anglicismo "icequake" ou ainda "frostquake").

Mas aí surgiu um probleminha, ao tentar estudar esses ruídos de gelo se quebrando, os pesquisadores esbarraram com o fato desses sismos serem bem mais difíceis de se detectar durante o verão, porque o ruído de fundo sísmico abafava os sinais do gelo. Quando a equipe do dr.  Bartholomaus começou a examinar mais detidamente o que estava causando o ruído de fundo, foram descartando as hipóteses, até que chegaram em uma que fazia mais sentido: aquele barulho que estava abafando o ruído do gelo se partindo era, na verdade, apenas água fluindo, derretendo tudo e ajudando a mais pedaços de gelo se partirem.

A pesquisa foi publicada no periódico Geophysical Research Letters.

Antes que você pergunte, não, a SUA vida não mudará em nada com isso. Ou mudará, se você mora lá pelas bandas da Groenlândia, mas ninguém disse que o mundo tinha que girar ao redor dos silvícolas que moram nos trópicos.

Com a possibilidade de rastrear a água de degelo das geleiras, pesquisadores poderiam entender como isso afeta as temperaturas dos oceanos e, acredite, é exatamente este equilíbrio térmico nas águas dos oceanos que mantém o clima agradável aqui embaixo.

Entendendo os sistemas que envolvem geleiras e os oceanos, cientistas podem prever o futuro de ambos, e como isso influenciará no clima do planeta. Mas tudo isso é bobagem, não é? É apenas água.

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