Ponte para a vitória

Águas rasas proporcionaram uma base sólida para que Alexandre o Grande construísse uma “estrada” até a ilha de Tiro.

Senhores da guerra de plantão, tomem nota. Pesquisadores dizem ter descoberto como o conquistador Alexandre o Grande, da Macedônia, conseguiu construir uma estrada de quase um quilômetro sobre o mar para chegar à ilha de Tiro em 332 a.C.. Com base em amostras geológicas da área, que hoje fica no Líbano, eles concluíram que a ilha e praia eram ligadas por uma faixa de areia a poucos metros abaixo da superfície – ideal para atravessar com uma ponte artificial.

Na verdade, a ilha hoje é mais como uma península, ligada à costa por uma faixa de areia conhecida como tombolo, diz Nick Marriner, do Centro Europeu de Pesquisa e Ensino de Geociências, em Aix-en-Provence, na França. No entanto, os pesquisadores nunca haviam estudado a história do tombolo para tentar lançar uma luz sobre o ataque de Alexandre a Tiro, ele diz.

Em seu caminho pela Pérsia e Egito, Alexandre marchou ao longo da costa fenícia, dominando rapidamente todas as cidades principais, exceto pela cidade-estado da Ilha de Tiro – na época um grande posto comercial – e que se recusava em se render. “Todas as ocupações anteriores tinham sido realizadas com pouca resistência”, explica Marriner, “É claro que essas cidades ficavam em terra firme”.

Os exércitos de Alexandre fizeram cerco à ilha por sete meses. A uma certa altura, não se sabe exatamente quando, os engenheiros construíram uma longa passarela, ou estrada suspensa, para atacar as defesas de Tiro. Como eles conseguiram construir a estrada, presumidamente feita de madeira e pedras, era um mistério.

Ao procurar pela resposta na geologia, Marriner e sua equipe analisaram grandes núcleos de sedimentos retirados de um tombolo moderno. Eles concluíram que, há mais de 8 mil anos, Tiro era uma ilha de aproximadamente 6 km de largura mas, entre 6 mil e 8 mil anos atrás, o nível do mar aumentou o bastante para reduzir essas dimensões a 4 km.

A parte recém-submersa da ilha dificultava o caminho das ondas da ilha até a praia, afirma a equipe de Marriner nos Proceedings of the National Academy of Sciences USA desta semana. Como resultado, o sedimento do litoral pôde se acumular no espaço entre ele e a ilha. “Ou seja, a base da passarela podia estar em águas relativamente rasas”, ele afirma.

Fonte: Scientific American Brasil

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