Corais sob estresse provocado pela temperatura ficam esbranquiçados ao expelir as algas simbióticas que lhes conferiam a cor, tornando-se apenas esqueletos brancos. No entanto, esse branqueamento não é o único fenômeno que deixa essas minúsculas criaturas pálidas e sem vida. A chamada “síndrome branca” se espalha pelos corais no Pacífico Sul como resultado do aquecimento global.
As duas complicações podem ser distinguidas pelas maneiras como deixam suas trilhas brancas mortais: “A síndrome branca se espalha por faixas, omo se o patógeno avançasse de vizinho para vizinho”, explica John Bruno, da University of North Carolina, em Chapel Hill. “Já o branqueamento é um fenômeno que acomete a colônia inteira.” Agora, um estudo longitudinal criado para avaliar a saúde dos corais na Grande Barreira da Austrália revelou que conjuntos de corais são mais suscetíveis a uma misteriosa síndrome branca do que seus pares agrupados de maneira menos densa.
Bruno e seus colegas pesquisaram 48 colônias espalhadas por 1.500 km da Grande Barreira de Corais todo ano, por seis anos. A equipe avaliou a saúde geral da colônia e procurou especificamente por surtos da síndrome branca. A causa desse problema é desconhecida mas, ao comparar os dados recolhidos com medições da temperatura dos oceanos realizadas com satélite, os cientistas puderam confirmar que a doença tende a aparecer após verões com temperaturas mais altas que o normal na superfície do mar. Ironicamente, eles também descobriram que apenas os recifes mais saudáveis – onde minúsculos pólipos de corais cobrem 50% ou mais do fundo do oceano – sofriam surtos da síndrome, de acordo com o estudo publicado em PLoS Biology.
Como os cientistas não conhecem as causas da síndrome branca, é impossível afirmar porque os recifes mais densos sofrem mais. Mas há uma possibilidade de que, assim como nas nossas cidades, a proximidade dê ao patógeno uma chance melhor de se espalhar. Bruno explica que os corais competem com seus vizinhos, atacando-os à noite. “Isso poderia abrir lesões que permitem que uma bactéria estabeleça uma colônia no tecido do coral”, ele diz.
Para determinar a causa exata da síndrome branca, descoberta há apenas cerca de uma década, será preciso analisar as centenas de bactérias que aparecem nas secreções de muco dos corais. No entanto, uma coisa é certa: as temperaturas rapidamente em elevação estão submetendo esses pequenos animais a um estresse excessivo. “A temperatura sobe mais rápido que o ritmo em que eles conseguem se aclimatar”, diz Bruno, “Os recifes de corais são componentes efêmeros do oceano. A preocupação existe porque vamos perder esse habitat que eles criam quando estão extremamente saudáveis”.
Fonte: Scientific American Brasil
