Consumo de carne de macaco ameaça espécie na Amazônia

Até 5,4 milhões de macacos são caçados e consumidos anualmente na Amazônia brasileira, colocando em risco as populações naturais de primatas, alertaram nesta segunda-feira (12/03) as organizações ambientais Care for the Wild, com sede na Grã-Bretanha, e Pro Wildlife, baseada na Alemanha.

Um amplo estudo das duas organizações examinou 22 países da América do Sul e Central, e colocou o Brasil entre os 16 nos quais “a caça para consumo de carne representa uma ameaça crítica às populações de primatas”.

Armas e equipamentos modernos, combinados com velhos hábitos locais – como o de preferir carne de fêmeas, mais gordurosa e considerada mais saborosa – tornaram a caçada o fator de maior importância no encolhimento das populações, superando a destruição do hábitat natural.

“A convergência de fatores como o desflorestamento em larga escala, o aumento da caça comercial e a captura de animais vivos tem tido efeito devastador sobre os primatas neotropicais, e pode colocar muitas espécies à beira da extinção”, diz um relatório que levou em conta mais de 200 estudos científicos. Com 109 espécies nativas de primatas, o Brasil é o país com mais diversidade de macacos do mundo.

Destruição

As organizações disseram que, enquanto os efeitos da destruição ambiental sobre as diferentes espécies de macaco são bem estudados na literatura científica, pouco se fala da caça de macacos para vender sua carne. Oito milhões de sul americanos comem carne de macaco regularmente, elas afirmaram.

No Brasil, entre 970 e 2,4 mil macacos-prego (também conhecidos como ‘capuchinhos’, por levar na cabeça um tufo de pêlo semelhante a um capuz) são mortos a cada ano.

O grande porte de primatas como o macaco-barrigudo e o macaco-aranha, por sua vez, é um incentivo para caçadores que desejam consumir a sua carne ou vendê-la em mercados, afirmam as ONGs.

Em regiões onde a caça é intensa, as populações de macacos são até 93% menores que nas áreas onde a pressão é inexistente, sublinharam as organizações. Nestas áreas, macacos com mais de 5 kg se tornaram extremamente raros ou foram extintos localmente.

“Por causa de sua lenta taxa de reprodução e baixas densidades populacionais, muitas espécies de primatas não podem suportar essa imensa redução”, diz o relatório. Além disso, em tribos indígenas como a dos Wairiri, cinco fêmeas são mortas para cada macho, porque a carne mais gordurosa é considerada mais saborosa.

Solução

As ONGs sugeriram uma estratégia de conservação ancorada em diversos pontos. Elas pediram a preservação do hábitat natural das espécies, através da criação de mais reservas ambientais.

Sublinharam a necessidade de se encontrarem fontes alternativas de proteína para as comunidades que se alimentam da carne dos primatas. Afirmaram que é necessário rever as regulamentações de caça nos sul e centro-americanos, enfatizando a necessidade de fazer cumprir a legislação.

Sugeriram, enfim, que sejam realizadas iniciativas de educação ambiental e de incentivo ao ecoturismo. Transformar áreas de preservação em fonte de recursos econômicos é “uma excelente maneira de promover a conservação das florestas e dos primatas”, avaliaram as ONGs.

Fonte: BBC Brasil

7 comentários em “Consumo de carne de macaco ameaça espécie na Amazônia

  1. Olá, contestando os números. É bom rever esse número: “5,4 milhões” de macacos são caçados e consumidos anualmente na Amazônia brasileira. Isso quer dizer que de 2000 até o final de 2006, já foram mortos nada mais nada menos de 32.400.000 (trinta e dois “milhões” e quatrocentos mil), macacos, só na Amazônia brasileira, isso em um espaço de tempo de apenas 6 anos. Digamos que essa matança venha acontecendo durante os últimos dez (10) anos, isso daria um número absurdo de “54 milhões” de macacos – NÃO EXISTE ESSA POPULAÇÃO DE MACACOS NAQUELA REGIÃO, mais de “3” vezes a população de habitantes de toda a região norte – 7 estados. Mais de “3” vezes e meia a população de habitantes do estado de São Paulo. Está na hora de rever os dados dos institutos que realizaram tais pesquisas e apresentar números, pelo menos coerentes.

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  2. O fato da atual matança está neste nível, não implica que estava há dez anos.

    Pelo sim, pelo não, se vc dispuser de maiores informações a respeito, eu ficaria agradecido se postasse.

    As referências do artigo foram dadas. Qualquer coisa, é só entrar em contato com as instituições responsáveis.

    Abraços.

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  3. Olá André, eu postei uma resposta sobre o artigo: 12 provas da inexistência de Deus e postei a mesma resposta no artigo: A alma. Gostaria que você desse sua opinião a respeito, por favor.
    Um abraço.

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  4. Olá André, encontrei uma correção na FolhaOnline, que corrige parte do texto em questão aqui. Veja o que diz uma parte do texto:

    “Erramos: Consumo de carne de macaco ameaça espécie na Amazônia
    da BBC Brasil

    Diferentemente do publicado em “Consumo de carne de macaco ameaça espécie na Amazônia” (BBC Brasil – 12/03/2007 – 13h00), entre 970 e 2.400 macacos-pregos são mortos a cada ano no Brasil, e não entre 2.400 e 970 mil. O texto foi corrigido.” http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u61566.shtml

    Já é uma diferença considerável, no que diz respeito ao total de macacos mortos “anualmente”.
    Dê uma olhadinha lá e veja se você encontra mais algum dados relevante. Um abraço.

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  5. Independentemente da quantidade de macacos que morrem caçados para comer, o que o pessoal das ONGs tá querendo? Os nossos silvícolas têm que sobreviver também!!! Os ingleses e os alemães já comeram tudo o que tinha por lá, e ficam com esta hipocrisia toda!

    Gostaria de ver esses gringos tendo que passar uma temporada na selva longe de “shopping centers” e “wal-marts”… Talvez esta seja uma boa sugestão de dinâmica de imersão para eles – na serra do Cipó!

    Um abraço.

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  6. Essas medidas das ONG´s garantem a sobrevivência da população de macacos ?
    E se a caça não fosse possível ser eliminada em função de restrição alimentar em populações isoladas, qual seria a estratégia de caça que menos impactaria a população de macacos, já que se caçam principalmente fêmeas?

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