Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Considerações sobre o Espiritismo

Por H. Gil

O Espiritismo, atualmente, possui um número considerável de adeptos pelo Brasil.Vamos conhecer um pouco mais sobre a referida doutrina, que proclama como seu diferencial ter “a ciência andando lado a lado com suas proposições”. Abro um pequeno parêntese aqui, deixando claro que esse texto trata-se de um artigo simples e que não tem como objetivos um estudo exauriente de modo que os conceitos aqui apresentados, são os mormente encontrados dentro do conhecimento popular.

Tem-se como ponto inicial o caso das irmãs Fox, pelo que encontra-se em livros e matérias relacionadas, as irmãs Fox (Margarida e Catarina) faziam parte de uma família canadense que emigrou para os EUA, passando a morar em Hydesville um vilarejo do condado de Rochester, a casa onde foram morar era alugada e segundo algumas fontes, já era tida como assombrada.

Há relatos de que barulhos estranhos haviam sido escutados pelos antigos moradores, mas ninguém conseguia descobrir a sua origem, conta-se que em determinado momento Catarina Fox desafiou a entidade que ela acreditava ser o Diabo (aqui vale um estudo sobre qual era já a influência da religião sobre estas pessoas) a reproduzir os sons que ela fazia (estes sons seriam o mesmo som produzido por um simples estalar de dedos) o que segundo é relatado veio a acontecer.

Dessa forma diz-se que essa suposta entidade por meio de um código de letras, onde um determinado número de pancadas corresponderia a certa letra do alfabeto, teria afirmado ser o espírito de um homem que fora assassinado naquela casa. Em 31 de março de 1848 diz-se que os supostos barulhos atingiram tal intensidade que já eram escutados por vizinhos e continuaram a ser produzidos mesmo depois que a mãe e as meninas saíram e foram dormir na casa de Léia Fox que era a filha mais velha.

Assim como as irmãs Fox outras pessoas também começaram a afirmar ter tais dons, o que depois foi nomeado de mediunidade, na França o pedagogo Hypolite L. D. Rivail, passou a estudar com alguns companheiros os supostos fenômenos, Hypolite sob o pseudônimo de Allan Kardec, publicou livros e editou a Revista Espírita, foi ele o encarregado de codificar, pois acreditava não ser ele o autor e sim os supostos espíritos. Tem-se então em Kardec um divisor de águas na doutrina espírita.

Os chamados fenômenos espíritas são variados, indo supostamente desde a produção de sons diversos, inclusive com a possibilidade de voz direta, ou seja, a possibilidade de um espírito falar com você em alto e bom tom, ainda estaria inclusos, produção de sons, efeitos luminosos, deslocamento de objetos, formação de figuras em graus diversos de densidade, moldes de partes do corpo humanos em outros objetos etc.

Ainda haveria os fenômenos subjetivos, quando sob a ação de espíritos, um médium fala, escreve, podendo ser em seu idioma ou em outro que lhe é desconhecido, desenha ou pode ver e ouvir coisas que não são percebidas em condições normais. Dessa época para cá muitos foram os estudos sobre o Espiritismo que teve uma certa explosão na Europa com foco principal na França, atualmente decaindo pela mesma Europa.

O Espiritismo crê que seu diferencial esteja na não refutação da ciência, os espíritas acreditam que a ciência ande em consonância com seus princípios, dizem eles também não ser preso a dogmas, e ser o espiritismo uma constante evolução onde cada vez mais a ciência comprovaria as afirmações emanadas dessa doutrina, sob este aspecto é que iniciaremos nosso questionamento.

“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (A Gênese).

O mundo sofreu diversas mudanças, dentro de cada ramos das ciências pode-se ver quebra de paradigmas, seja ela na Física, Matemática e na área das humanas, no entanto nessa escala de evolução e de novos conceitos que hoje permeiam o senso científico, se analisarmos o Espiritismo fica óbvio sua estagnação frente as demais chamadas ciências. Tem-se em vários artigos tais fatos e aqui irei reproduzir em parte o conteúdo de um artigo intitulado Espiritismo, Ciência e Lógica.01 A qual aborda de uma forma muito clara tal distância que encontra a doutrina espírita.

Como veremos no quadro abaixo, há a demonstração do modelo geral da descrição do que entende-se por Ciência e do que tem-se no Espiritismo que almeja ser científico.

Ciência Espiritismo
Comum as novas gerações de cientistas refutarem trabalhos anteriores. Aversão a critérios de “autoridade”. Resistência de se distanciar da ortodoxia kardequiana. Culto à autoridade contido no espírito da Verdade ou Kardec. Havendo claro, exceções.
Obra de grandes mestres como (Principia Mathematica, Origem das Espécies, etc.) ainda lidas como referência, como fonte de valor histórico e como forma de adentrar no raciocínio do autor. Todavia o estudante utiliza bibliografia recente, expandida e corrigida. Livros de Kardec ainda utilizados sem alterações mesmo no que há de errado. Em alguns casos há notas de roda pé corrigindo alguns erros.
A lógica é usada apenas como ferramenta. O raciocínio precisa estar corroborado de evidências. A lógica é utilizada como meio de prova ou refutação de hipóteses, não havendo verificação de se a natureza pensa igualmente.
O bom senso e a experiência usual nem sempre são seguidos. (Relatividade e Mecânica Quântica são bons exemplos, ainda pode ser citada a “Ação à distância” de Newton). Opta-se por soluções pragmáticas ainda que esdrúxulas. O senso comum, ao lado da lógica é superestimado.
Há grande discussão em torno da filosofia da ciência quanto à questão de melhor metodologia para o estabelecimento de novos conceitos (refutabilidade, crise de paradigmas, etc). O conhecimento espírita ainda é majoritariamente indutivo, baseado em moldes científicos do século XIX (positivismo).
Teorias inverificáveis, mas belas, são postas de lado. Persiste a presença de hipóteses “ad hoc” inverificáveis para sustentar pontos nebulosos da doutrina. Ex: vida “invisível” em outros planetas.

Enfim, esse quadro trás apenas alguns pontos que mostram o quão distante a chamada ciência espírita encontra-se da Ciência atual. Enquanto uma tratou de renovar-se de otimizar-se, outra permaneceu estática, imóvel baseada nos mesmo moldes, onde cabe a pergunta: Será válida essa ciência? Ou pretende-se ela também ser um dogma inquestionável?

Bem, o fato em questão é: Terá o Espiritismo a resposta para a tão conturbada pergunta; O que acontece após a morte? Ressaltando que entende-se no presente texto, morte o estado onde o corpo humano já não consegue mais sobreviver por si só. É interessante uma explanação histórica rápida apenas para demonstrar que tal assunto, não é um produto de questionamento contemporâneo, pelo contrário, as aspirações para responder a tal questionamento já vem de longa data.

Como pode-se encontrar em livros de história egípcia, essa civilização acreditava assim como as outras, possuir a resposta, dentre seu conjunto de crenças, acreditavam que o corpo possuía um espírito dividido em duas partes, e que para que parte desse espírito sobrevivesse era preciso preservar o corpo, daí o desenvolvimento da tradição de embalsamarem-se os mortos. Entretanto, nesse processo é interessante observar que vários órgãos eram retirados, o coração por ACREDITAR-SE ser o órgão onde residiam todos os sentimentos, raciocínios e emoções, permanecia dentro do corpo.

Outros órgãos ainda eram tratados e conservados em vasos com substâncias químicas, entretanto o cérebro, esse conforme ACREDITAVA-SE não teria muita utilidade sendo descartável, era removido pelas narinas com auxílio de ganchos. Outrossim fica claro se observado com o que sabemos hoje, como era errônea a CRENÇA desse povo. É fato que o cérebro é o responsável, pelos sentimentos, pelo raciocínio, pela nossa própria consciência, sendo que, ao sofrer danos, seja devido a um acidente, uma doença, ou por influência de substâncias químicas, a personalidade da pessoa pode ser alterada.

Mas então porque ainda hoje existe a CRENÇA na imortalidade, na continuidade das lembranças, dos sentimentos e da consciência após a morte do órgão que fica responsável por isso? Em um artigo de Ronaldo Cordeiro, publicado no site da STR trás algumas explicações bastante plausíveis, as quais, tomo a liberdade de transcrever.

“(…) a noção da imortalidade da alma é a base de muitas das religiões mais populares do mundo. A idéia da morte após uma vida breve num mundo repleto de injustiças, violência, miséria e desgraças desigualmente distribuídas, parece ser bastante angustiante para a maioria das pessoas. Sem a doutrina da vida após a morte, em que haveria a vida eterna e em que os bons seriam recompensados e os maus punidos, dificilmente as religiões conseguiriam ser tão influentes sobre seus adeptos como o são hoje e sempre foram. É inevitável mencionar os recentes atentados suicidas de 11 de setembro nos EUA, cometidos por homens convencidos de que seriam recompensados com o paraíso. Antes que alguém pense que isso só acontece com terroristas fanáticos, que tal o caso do suicídio coletivo do Templo do Povo, em 1978, quando morreram 912 seguidores de Jim Jones? E os 39 da seita Heaven’s Gate? Ou os mais de 700 mortos do Movimento da Restauração dos Dez Mandamentos em Uganda?

Como disse Richard Dawkins em Os Mísseis Desgovernados da Religião, “Não há dúvida de que o cérebro suicida e obcecado pela vida após a morte é uma arma poderosa e perigosíssima”. É pouco provável que as religiões venham a abrir mão de uma arma formidável como essa em nome de simples, meras constatações científicas.(…)”

Nesse mesmo artigo, a qual também se debate o tema aqui proposto encontramos, mais informações úteis, como a existência de uma corrente que acredita que os espíritos sofreriam conseqüências do que acontece com o corpo, e dessa forma estaria explicado o porquê da personalidade, memórias e o humor mudarem, ou seja, o espírito estaria passível de sofrer influências de tais coisas materiais, entretanto sendo ele influenciável dessa maneira, o que oporia a concepção da sua morte concomitantemente com a do cérebro?

Ainda SUPONDO a existência de espíritos, e que tais espíritos continuassem a existir com a morte do cérebro, porque teríamos cérebros tão complexos? A natureza é inteligente e certamente possuiríamos cérebros muito menores, consumiríamos menos energia, seríamos mais leve, os partos seriam menos dolorosos e mais fáceis. Ainda encontra-se freqüentemente e aqui friso, que não é exclusividade do Espiritismo mais de todo sistema de crença religioso, todos eles procuram respaldo para provar sua veracidade, na incapacidade da ciência de provar que aquilo que eles afirmam não existe.

Ou seja, é o chamado “Inversão do ônus da prova” que resulta em uma das ações mais covardes e de mal caráter que os religiosos se valem, e que só convencem os mais leigos. Pois bem, a ciência só poderia tentar comprovar, que algo é ou não é verídico se fosse possível se fazer provas sobre o que se afirma, desse modo é impossível provar-se algo que nem se quer foi apresentado evidências. Agora CRER em algo assim, é totalmente insano e desprovido de inteligência, Bertrand Russel exemplifica muito bem tal falácia ao propor:

“Imagine que há um bule de chá chinês orbitando ao redor do sol, você não pode provar a inexistência deste bule porque ele é muito pequeno para ser visto pelo telescópio. No entanto, ninguém além de um louco diria: Eu estou disposto a crer no bule porque ninguém provou que ele não existe”.

Tal mal-caratismo é encontrado muito com qualquer pessoa que queira defender seus dogmas religiosos, como sempre digo, o fato de a ciência AINDA não responder a todas as perguntas, não faz com que as versões contadas pelos religiosos sejam verdade, aceitar isso é aceitar uma bobagem, uma falácia. Ainda como sistema de provas dos ditos espíritas temos um vasto arsenal de provas que se encaixam como pseudo-provas, sendo em sua maioria, experiências pessoais, testemunhos de fenômenos isso sem contar as inúmeras fraudes que a ciência, e mais os mágicos desmascaram.

Interessante se faz a observação desses últimos profissionais, que atualmente tem sido de grande auxílio nas descobertas de fraudes utilizadas para fazerem as pessoas CREREM em tais bobagens, como é bem conhecido entre o meio cético, o mágico James Randhi que possui um instituto nos EUA onde estuda os supostos casos de paranormais, oferece um prêmio de US$ 1.000.000,00 para quem demonstrar seus “poderes” e passar pela bateria de teste que os comprovem, entretanto é engraçado que até hoje ninguém se propôs para tal.

Dentre as desculpas mais ouvidas, e aqui sim principalmente pelos espíritas, estaria à escusa de que o médium não estaria “autorizado” pelas forças divinas a utilizar-se dos “poderes” para benefício próprio. Mas então eu pergunto, e porque ele usaria bem beneficio próprio? Porque não deixar então que após ganhar o tal premio a mesma “entidade” decida qual a melhor maneira de beneficiar outras pessoas, dado ao SUPOSTO fato que ele tem um nível de “Iluminação e evolução” maior?

Mas ainda restaria, a última desculpa, onde com certeza alguns diriam que os espíritos, não estão aqui para trazer benefícios materiais, mas para auxiliar no nosso desenvolvimento, nem que isso envolva fazer o suposto “paciente” passar por dificuldades. Que discurso lindo não? Entretanto é hipócrita e falacioso também, pois em nada ajudam as pessoas que lá vão procurando pelo auxílio para seus problemas, pelo contrário, gostaria de saber como ficaria um médium ao saber que seu conselho acabou por prejudicar ainda mais uma pessoa. Com certeza a resposta seria a mesma: “Ele precisava passar por isso para alcançar o seu grau de evolução”. Ou seja, se procura achar mais uma vez a justificativa em algo que ninguém prova ninguém tem certeza, apenas CRÊEM.

Se ninguém vê problemas nisso, não sei por que então criticam outras religiões, até mesmo as mais radicais como as que dão sustentação aos extremistas, porque afinal de contas todas lidam com isso a CRENÇA. Cada um como sua insanidade obedecendo as ordens de seus próprios Deuses, que ironicamente sempre vão de acordo com a vontade dos seus interpretadores, sejam eles, padres, pastores, médiuns, sheiks, ou qualquer outro tipo de sacerdote que exista, como bem disse Nietzsche umas das piores criaturas que existe sob a face terrestre é o sacerdote que acretida ser o único com autoridade e competência para interpretar leis divinas.

Uma variante desse tipo de falácia é comumente encontrada entre os espíritas quando querem explicar algumas das teorias amalucadas, geralmente para isso empregam meios que para eles e tão só para eles fornecem um explicação satisfatória. Deixem-me explicar. Uma das principais questões que me veio a mente quando comecei a me questionar sobre o espiritismo foi: Considerando que cada pessoa tem uma alma, ou seja, quando ela morre o espírito aguarda uma nova oportunidade para re-encarnar.
Após essa assertiva tentemos imaginar o seguinte, no ano de 1200 digamos que a população mundial fosse e 1 bilhão de pessoas, hoje em 2008 é fato, e todos sabem que esse número aumentou e muito, como não tenho a informação com precisão, vamos supor que estaria em 3 bilhões, pois bem a pergunta é: Esses dois bilhões a mais de pessoas não tem almas? Poderíamos sugerir sarcasticamente que existe um “criador” de novas almas? SUPONDO haver esse criador como poderia afirmar-se que os espíritos re-encarnam? Como saber se não é um novo?
Enfim, as explicações que já escutei são das mais variadas, mas sempre sem nenhuma evidência ou base que a comprovasse a não ser a FÉ daquele que a professou, dessa forma ouvi coisas como:

  1. Haverias diversos planos onde a vida na terra seria apenas mais um, com outros por ascender e outros abaixo. O problema aqui ainda poderia ser questionado, mas de onde vêm essas almas? Quantas são? Qual o último plano? Qual o primeiro?
  2. Outra explicação esdrúxula seria de que existem almas em outros planetas, e que por isso a quantidade de almas poderia variar conforme fossem enviadas de um planeta para outro. Nem preciso dizer nada né? Os espíritas não conseguem demonstrar que existem espíritos aqui na Terra, mas se acham com autoridade de afirmar que existem espíritos em outros planetas.
  3. E por último, mas com certeza deve haver outras, pois a capacidade do ser humano de inventar histórias, mitos e lendas para justificar seus apontamentos é algo muito vasto, mas como dizia, existem alguns que afirmam que tudo possui um espírito, as pedras, os animais, as árvores e que TALVEZ com o aumento da população humana, outras formas teriam se reduzido. Aqui também quando perguntadas no que se baseiam, resistem em negar que são meros ACHISMOS querendo sempre justificar dizendo que leram em algum lugar, mas nunca se lembram das fontes, o que é um fato quase sempre comum entre os religiosos pouquíssimos deles usam fontes, na sua grande maioria apenas ouviram falar algo a respeito.

Outras questões interessantes que me vem a mente é que a maioria dos religiosos, e não diferente com os espíritas, eles tem sempre exemplos para citar, mas esses exemplos acontecem em um passado obscuro, onde os meios científicos ainda não eram tão exigentes, é de se espantar que com o avanço e progresso da ciência, da filosofia, da racionalidade os tais fenômenos tenham diminuído de forma brutal. Mas aqui os espíritas podem ficar tranqüilos, os milagres dos católicos e evangélicos também tiveram a redução no supostos ocorridos, arrisco a dizer que tornaram-se extintos.

Atualmente com a globalização das informações, nada escapa dos noticiários, entretanto, é rara a reportagem que traga algum caso de fenômenos sobrenaturais ou milagres que não sejam desvendados (leia-se explicados, resolvidos) por algum órgão especializado. Ocorre sim uma mercantilizarão de informações estúpidas, quase todos os casos que lembro a respeito de coisas sobrenaturais apresentadas em reportagens, tinham um apelo escancarado para prender a atenção do público, ou seja, é aquela reportagem que é anunciada desde o começo do telejornal, mas só apresentada no final, com a óbvia intenção de manter o telespectador somente naquele canal durante todo o programa, ou seja, sensacionalismo puro.

Todavia, após passar a reportagem sobre o tal fato misterioso, são raros os veículos de mídia sérios, que procuram alguém que os explique. Geralmente a reportagem ou documentário é apresentado e na outra semana, nada mais é dito, ou seja, mostra-se aquilo como sendo uma verdade, como sendo um fato, talvez para um ignorante ingênuo (e só consigo definir com essas palavras as pessoas que aceitam sem se questionar as informações que a TV e seus programas passam) até seja. Pessoas desprovidas de qualquer discernimento, talvez até acreditem que aquilo seja verdade, mas felizmente alguns jornais, e veículos de investigação mais sérios tratam de mostrar a fraude que ocorre por de trás dos fenômenos sobrenaturais.

A internet tem se mostrado uma ferramenta útil nesse sentido, são muitos os blogs que trazem informações sobre publicações sérias com explicações bem compreensíveis e nada miraculosas dos supostos fatos sobrenaturais, entretanto, o povo em geral não tem muita curiosidade, nem vontade de pesquisar tais coisas, preferem ater-se a coisas que julgam mais importante, como os últimos capítulos da novela, ou os jogos de futebol. Não desmerecendo tais meios de entretenimento, mas alguém que quer ter sua opinião levada a sério deve inteirar-se o mínimo possível sobre o assunto que se fala, e não achar que todos serão convencidos por meros ACHISMOS da pessoa que professa como mera replicadora do que viu na TV, achando-se com autoridade inquestionável.

Ademais, veio-me agora ao pensamento um fato muito estranho, acredito que 99% das pessoas, que já tenham relatado terem passado por contatos mediúnicos, nenhuma delas relatou que viu, ouviu ou sentiu a presença de “espíritos” de animais. Seja sincero com você mesmo, alguma vez você escutou alguém falando que viu o fantasma de uma vaca? Ou que conversou com a alma de um cachorro? Bom, se isso não aconteceu, poderíamos pensar que os animais não teriam “espíritos”. Mas eu como cético, se precisa-se achar uma desculpa para tentar justificar isso (ainda que não tivesse provas) me apegaria, no seguinte discurso: “Nós humanos não conseguimos ver esses espíritos, porque eles estão em um plano diferente de evolução, e por isso os seres humanos são incapazes de “conectar-se”com eles”.

O que vocês acham? Acredito que esse engodo funcionaria com muitas pessoas, mas não com aqueles que conseguem ver o “mal-caratismo” que se expõe em tais assertivas desprovidas de provas e evidências, mas quem sabe após alguns espíritas lerem esse texto eles comecem a “enxergar” alguns “bichinhos”, mas já vou advertir; os usuários de drogas e os enfermos de doenças mentais tal como demência e esquizofrenia também vêem bichos, formas, pessoas e todo tipo de coisa que o cérebro humano seja capaz de pensar. Quero ver qual é o médium que vai ver o primeiro espírito de um ser jurássico como um Raptor, afinal de contas eu nunca ouvi nada a respeito, ou quem sabe assombrações de vacas em frigoríficos, coisas desse tipo.

Tantas evidências apontando para a não existência de tais crendices, entretanto, ainda assim temos pessoas que CRÊEM serem verdadeiros tais relatos, nessa hora só posso acreditar que há um fator psicológico que explica essa necessidade que tantas pessoas têm de conceberem um ser ou seres em outro plano que estão protegendo e fazendo ações para tornar nossa vida melhor. Eu classificaria isso como “crise existencial mesclada com carência afetiva e insegurança crônica”, ou de uma maneira mais reduzida, como é de praxe, digo que é a “bengala psicológica” que foi passada de geração para geração, mas quando as pessoas vão abrir os olhos? Quando elas realmente vão evoluir ao ponto de perceberem que não precisam de “amiguinhos” imaginários, quando elas perceberão que podem cuidar uma das outras?

Acho que isso ainda levará muito tempo, enfim, o progresso pode ser lento, mas como cunhou Darwin, só os mais adaptados permanecem.


Texto adaptado para o Ceticismo.net, do original de H. Gil no site Tribuna Cética.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • maurelio

    —Não dão uma informação de, digamos, como era a cidade onde morava, com detalhes de pessoas, autoridades etc.—

    Acho que fiz besteira e o trecho acima não saiu no comentário anterior.
    Ele é o ponto inicial para as considerações.

  • Almeida

    @maurelio,
    Simplesmente dizer que é produto de reações químicas do cérebro não é explicação.

    A explicação mais plausível é a existência dos espíritos, que interagem conosco por intermédio do médium. Este é mui humilde e desapegado dos bens materiais para não se candidatar ao prêmio Nobel. Afinal, ele só quer ajudar as pessoas, não é?
    Eu sei qie o mundo sem essas explicações extraordinárias é chato, sem graça, com explicações simplistas. Devemos conviver com isso. Lamento.

    No entanto chamo a atenção que existem fenômenos que estão sem explicação materialista.

    Isso é falácia, Maurelio. Apelo a ignorância.
    Não sei explicar isso, logo foi obra de Deus, digo, dos espíritos

    maurelio respondeu:

    @Almeida,
    Almeida, deixe de lado a minha crença por um momento. Comece do zero. Sem explicação alguma à priori. Vamos apenas aos fatos.
    Não fica curioso em saber como o fenômeno acontece? Como que pessoas conversam? Como o assunto é dirigido de forma objetiva em estórias diferentes e complexas? Tudo absolutamente inconsciente? O cérebro trabalha em background criando estórias inéditas e conexas?
    Lembro que a maioria dos grupos não se conhecem entre si e o resultado é muito similar. Não existe o uso de drogas ou procedimento que leve a alucinação. Não são feitos rituais para criar transe como batidas de tambores, danças ou movimentos frenéticos. O ambiente é de calma e silêncio. Como o cérebro inconsciente cria tudo? É como um outro indivíduo dentro de você mesmo trabalhando em paralelo. Não é o caso de recordação de memória também. Não tem nenhum hipnotizador no ambiente. Não tem televisores ou quaisquer aparelhos mecânicos ou eletrônicos. Em muitos casos a manifestação é incompatível com o padrão cultural do médium. Dizer que todo esse pessoal quer companhia e convívio social porque são solitários não é verdadeiro tampouco. A diversidade das pessoas é muito grande. A diversidade das suas atividades normais do dia a dia também. Todos loucos e desequilibrados? A observação em geral mostra o contrário, são pessoas ponderadas que possuem vida estável e produtiva.

    Isso tudo não atiça a curiosidade?
    Se eu visse, sei lá , meu quarto fechado ficar iluminado de noite sem que acendesse a luz, iria procurar a causa. Ficaria muito curioso tentando obter uma explicação. Procuraria um curto circuito em tomada para ver se não foi curto circuito; procuraria alguma fonte de energia e por aí afora. Ficaria realmente incomodado enquanto não achasse explicação.

    O ponto que quero chegar é : partindo do zero sem nenhuma idéia pré concebida como o fenônemo acontece? Será que ninguém aqui tem essa curiosidade?
    De que jeito o cérebro concebe isso? Dizer apenas que o cérebro produz não acrescenta absolutamente nada. De que forma isso se dá? Que mecanismo utilizou?

    A minha crença me é satisfatória, mas deixem ela completamente de lado. O que poderiam sugerir de forma racional, razoável e palpável que explicasse de forma mais abrangente? Esse é o meu ponto: criar o desconforto do problema não solucionado.

    Almeida respondeu:

    @maurelio,
    Almeida, deixe de lado a minha crença por um momento. Comece do zero. Sem explicação alguma à priori. Vamos apenas aos fatos.

    Começando do zero, temos o espiritismo como uma ideia que alguém teve baseado em uma experiência pessoal. Para ver se é verdadeira, vamos propor um experimento e… Ah! Ela transcende o método científico. Aí fica difícil!

    Isso tudo não atiça a curiosidade?
    Se eu visse, sei lá , meu quarto fechado ficar iluminado de noite sem que acendesse a luz, iria procurar a causa. Ficaria muito curioso tentando obter uma explicação. Procuraria um curto circuito em tomada para ver se não foi curto circuito; procuraria alguma fonte de energia e por aí afora. Ficaria realmente incomodado enquanto não achasse explicação.

    Acho muito intrigante e interessante a possível existências deses seres de luz. Em meu primeiro contato que tive tentei buscar algo lógico que ateste e dá fé a isso. Só encontrei experiências pessoais e falácias. Quando vierem com provas, acreditarei.

    O ponto que quero chegar é : partindo do zero sem nenhuma idéia pré concebida como o fenônemo acontece? Será que ninguém aqui tem essa curiosidade?
    De que jeito o cérebro concebe isso? Dizer apenas que o cérebro produz não acrescenta absolutamente nada. De que forma isso se dá? Que mecanismo utilizou?

    Ao invés de investigar o espiritismo per se, devemos analisar o médium. como ele e apenas ele consegue captar, sentir, ouvir,ver os espíritos? Ele é formado nessa área? Por que não eu? Toda crença depende de fé. Querem acreditar nos espíritos.
    Acredite em algo e esse algo existirá.

  • JCFerranti

    @maurelio,
    “Tem livros do Chico Xavier através do espírito de Emmanuel, escritos em torno de 1942, onde o ambiente descrito por Emmanuel não era conhecido até pouco tempo e muito menos no interior de MG na época. São descrições de ruas de Paris antiga, costumes romanos e outros fatos históricos.”
    Essas afirmações sempre me deixam com a pulga atrás da orelha. Por exemplo, você diz que ele deu informações detalhadas para em seguida dizer que historiadores estão averiguando as informações. Sendo assim, quem disse que são detalhadas? Ademais:
    http://obraspsicografadas.org/2008/livro-h-dois-mil-anos-uma-fraude-histrica-completa-2/

    http://obraspsicografadas.org/2007/emmanuel-o-guia-de-chico-xavier/

    maurelio respondeu:

    @JCFerranti,
    Na verdade disse que pesquisadores (não historiadores) estão pesquisando fatos descritos em textos de Emmanuel. Fatos de descrição de ruas, hábitos e situações locais que estão presentes no texto editado e que não eram conhecidos na época de redação dos livros. O Chico morava em Pedro Leopoldo que era uma cidade pequena no interior de MG e não tinha acesso a recursos de pesquisa para criar os detalhes da ambientação dos livros. O Chico tinha seu tempo todo preenchido com atividades já citadas e dada também a quantidade de textos publicados, não teria tempo de fazer as pesquisas, mesmo que as informações estivessem disponíveis. Quem está fazendo a pesquisa diz que mesmo hoje, com internet, é difícil achar as informações. Mais informações a respeito podem ser obtidas no próprio site do portal saber.
    De qualquer forma vou ler os textos apontados no site obras psicografadas.
    Obrigado pelas informações.

    maurelio respondeu:

    @maurelio,
    Bem, esqueci de enfatizar que o que o pessoal está pesquisando é se as informações do livro (detalhes da ambientação) realmente existiram ou são apenas enfeites literários.

    JCFerranti respondeu:

    @maurelio, é interessante ver que certas coisas não mudam. As alegações são sempre as mesmas: “Chico era do interior”, “Chico era iletrado”, “Chico não tinha como saber dessas coisas”.

    O Acesso a informação hoje em dia é muito grande, mas não quer dizer que era nulo antigamente.
    http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/1721/a-biblioteca-de-chico-xavier
    http://obraspsicografadas.org/2007/provas-de-que-chico-xavier-era-um-leitor-compulsivo/

  • maurelio

    @PianoCat,
    Sim, não só possível como acontece mesmo em muitos locais. Muita gente utiliza esses recursos para ganhar dinheiro em cima da crença de outros desavisados.
    Onde gira comércio nessa atividade quase sempre tem fraude.

    Porém, procurei me restringir à minha experiência pessoal onde ao longo de aproximadamente 5 anos conheci mais de 30 pessoas que possuem essa capacidade. Tenho convívio semanal com uns 10 e são pessoas comuns sem nenhum interesse em fraudar. Somos amigos e o trabalho é feito sem nenhum tipo de comércio ou favorecimento. Inclusive muitas delas aprenderam a controlar sua capacidade após começarem a frequentar a casa. Quem tem a mediunidade sem conhecimento e sem controle vai parar muitas vezes em hospitais psiquiátricos.
    Imagine ver e/ou ouvir vozes sem que as pessoas em volta percebam. Não são casos de doenças mentais pois basta aprenderem a lidar com a faculdade para se reequilibrarem.
    Com a compreensão do fenômeno e o trabalho regular em casas sérias, aprendem a controlar e utilizar o capacidade para ajudar outros. Muitos produzem livros através de psicografias.
    Na casa que frequento, numa turma de 100 pessoas que entram num curso de iniciação ao espiritismo, um mínimo de 10% apresentam capacidade mediúnica dita ostensiva.
    Outro fato que vai contra a fraude de forma generalizada é o enorme contingente de médiuns que não se conhecem entre si. Cada grupo é independente dos outros, porém a maioria das casas segue orientação das federações e associações espíritas municipais, estaduais e federais. Essas associações não tem ingerência na direção de nenhuma casa. Possuem atividades transparentes e sempre muitas atividades beneficientes e de voluntariado. Nesse ambiente as fraudes não tem clima para manifestação. Porém é claro que sendo todas elas dirigidas por pessoas comuns, onde tem orgulho, vaidade e outras paixões existem problemas. Apesar disso os trabalhos acabam convergindo para boas ações pela auto fiscalização. Todos os trabalhadores em casas sérias são voluntários e trabalham sem ganhar nada. Até o inverso, acabam colocando dinheiro próprio para manter as instalações e atividades sociais tipo creches, manutenção de famílias carentes, atendimento a meninas gestantes carentes etc.
    Uma boa forma de verificar tudo isso seria conhecer algum desses centros e ver tudo de perto, com experiência própria , sem intermediários.
    Acho que a maioria dos leitores deste site não tem idéia da quantidade de pessoas que pratica as atividades espiritas regularmente nas milhares de casas no Brasil.

    PianoCat respondeu:

    @maurelio, Amigo espírita, eu não estava falando dos outros locais, estava falando do SEU local mesmo.
    Você pode até pensar que como no caso não há interesses financeiros, então não existe fator motivante para que as pessoas se engajem em ludibriação, enganação e mentiras, mas você estaria enganado ao pensar assim. Se os interesses não são em valores financeiros, são em valores de credo.

    Vocês todos que frequentam esse lugar estão recebendo em troca algo por seu tempo e motivação investidos: revelações e evidências de que esse mundo cruel e selvagem não termina aqui, e sim que existe algo mais além disso, algo sobrenatural e fantástico; uma alternativa ao fim melancólico e derradeiro que persegue a todos nós. E quando digo isso, não estou me referindo apenas a crença espírita, várias crenças se encaixam.

    Me diga, QUEM não gostaria que isso fosse verdade??
    Até o André, cético-mor, gostaria que isso fosse verdade. Só tem um problema: querer não é poder.

    maurelio respondeu:

    @PianoCat,
    Sim, você está certo, quem frequenta recebe essa esperança com certeza.
    Mas os frequentadores não fazem um conluio para mentir e enganar. São muitas pessoas comuns de diversas profissões, atividades, idades e níveis culturais. Ninguém está ali para inventar estórias. A maioria mesmo não tem tanta criatividade. As reuniões são entre pessoas do próprio grupo e não são abertas ao público. Se houver alguém desonesto que passe a criar as estórias, vai acabar se entediando e abandonando a casa ou vai mais cedo ou mais tarde ser desmascarado no próprio ambiente. A casa tem mais de 74 anos de atividades, tempo suficiente para analisar casos diversos. Os participantes mantém fequencia durante muitos anos.
    Todos os médiuns contaminam a comunicação com idéias próprias. Analisando o estilo e forma como isso acontece vão sendo filtrados as informações duvidosas.
    De qualquer forma, agradeço o espaço para colocar meu posicionamento e sua gentileza em me tratar como Amigo espírita.

  • maurelio

    André, o assunto cresceu muito e creio que não seja do seu agrado manter essa linha no Cet. Dessa forma , caso queira, paro por aqui os posts desse tema. Caso alguém ainda queira continuar a trocar idéias por email, peço o obséquio de fornecer meu endereço de email ao interessado.

    Obrigado pelo espaço cedido a minha manifestação.

  • Entram primeiro em uma cabana e pegam todas as mulheres, uma após outra, e as defumam. Depois, tem cada uma de gritar, pular e correr em roda, até que fique tão cansada, que caia no chão, como desfalecida. O adivinho diz então: ‘Vejam, agora está morta; mas eu quero fazê-la viver de novo’. Logo que ela volta a si, diz ele: ‘Agora está apta para falar do futuro’.

    Uma vez a mulher de meu senhor (aquele a quem eu tinha sido entregue para me matar) começou de noite a vaticinar e disse ao marido que um espírito de terra estranha se tinha dirigido a ela e lhe perguntara quando era que eu devia ser morto e onde estava o pau com que me deviam matar. (…) ‘Não demorará, tudo está pronto; porém desconfio de que não é português, mas francês’.

    Mas, logo que vi a esperteza, saí da cabana e disse comigo: ‘Que pobre povo iludido!’

    Hans Staden, “Viagem ao Brasil”, tradução de Alberto Löfgren.