O corpo safado que fez a Terra levar ferro

Estrelas (entre elas o nosso Sol), são basicamente formadas por hidrogênio e hélio. Naquela imensa fornalha termonuclear, núcleos se fundem produzindo elementos cada vez mais pesados. Dependendo do tamanho da estrela, elas podem explodir sob a forma de supernovas, espalhando todo o seu material estelar. Quanto maior a estrela, mais núcleos pesados são formados. Hidrogênio se funde em hélio, que podem se fundir formando lítio, boro e carbono. Estrelas de massa realmente alta (para padrões de estrelas, e nosso Sol nem é tão grande assim) irão iniciar a queima de núcleos de carbono e estender mais a sua existência. As de massa ainda maior irão também fundir neônio depois de usar o carbono e assim por diante. Isso até produzir ferro, então, tudo muda. A síntese de núcleos mais pesados a partir do ferro absorve ao invés de liberar energia, e a estrela começa a esfriar. Com o tempo, este nucleozão de ferro comporá asteroides. Estes asteroides são capturados pela gravidade terrestre e cruzam os céus; então, recebem o nome de meteoros. Quando caem no chão, a rocha formada é chamada de “meteorito”.

Pronto, resumi bem a origem do ferro no planeta. Já posso abrir uma cerveja porque meu trabalho está feito, certo?

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HiRISE mostra detalhes de sistemas fluviais de Marte

Há anos se busca água líquida em Marte. Um dos motivos é a possibilidade de haver vida lá. Se não tem hoje, quem sabe, tenha havido no passado. Com a evolução de nossa tecnologia, os instrumentos de observação ficaram mais precisos, captando imagens de maior resolução, trazendo mais evidências da existências de antigos rios, lagos e até oceanos planeta-guerreiro.

Um desses incríveis equipamentos é o HiRISE ou High Resolution Imaging Science Experiment (Experimento Científico de Imageamento de Alta Resolução ou Câmera Fodona pra Cacete, como tenho certeza que alguém quis batia. Eu iria querer). As imagens do HiRISE estão entre “Boçal” e “Isso é Feitiçaria”, e agora trouxe imagens detalhadas de um penhasco marciano rochoso que não ficariam feias em nenhum quadro na parede da sala.

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O Trânsito de Vênus

Toda vez que Vênus passa pela Terra, mostra a mesma face, da mesma forma que a nossa querida Lua, mas só se sabe disso a mais ou menos 50 anos, desde que os radiotelescópios foram capazes de espiar por baixo das nuvens espessas de Vênus e rastrear sua superfície de rotação lenta.

O vídeo traz uma animação em destaque mostra as posições do Sol, Vênus e Terra entre 2010-2023, com base nos dados baixados pela NASA, enquanto um falso ‘braço’ amarelo foi fixado no chão em Vênus para indicar rotação.

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O cometa dando marcha ré

O cometa C / 2020 F3 (também chamado de NEOWISE) agora é modinha. Tudo mundo quer falar dele. Óbvio, eu vou na modinha também! O vídeo a seguir detalha o cometa NEOWISE visto da Itália subindo sobre o mar Adriático. Se o bando de retardados que acreditam que a Terra é chata feito pizza e não gira ao redor de nada, deve ser interessante ver o NEOWISE dar marcha ré. Eu sei, eu sei, vão falar que é um vídeo ao contrário. Deixemos estes imbecis com seus retardos.

O vídeo em time-lapse combina mais de 240 imagens tiradas em 30 minutos. O cometa é visto subindo através de um primeiro plano de nuvens noctilucentes brilhantes e ondulantes, e diante de um fundo de estrelas distantes. Podia ter colocado uma musiquinha de fundo, né? Bem, vamos ao vídeo, chiquitito, pero cumplidor.

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Dê um rolé em Marte você também. Todos a bordo!

Você curte o Curiosity, né? Então, que tal mais um rover? Pois é, o próximo rover que a NASA vai mandar para o Planeta Vermelho é Perseverance. Já que design que funciona é mantido, pois não há sentido em bater cabeça com algo do zero, o Perseverance possui design bem parecido com o do Curiosity. Mr. P levará sete instrumentos científicos para estudar a superfície marciana na cratera Jezero, totalizando 23 câmeras, e dois microfones. O veículo espacial também será acompanhado pelo helicóptero (eu vou chamar de helicóptero. Tô nem aí) Ingenuity, que ajudará a Perseverance a procurar locais para estudar.

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As voltinhas que nossa Lua dá

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Ninguém vê a Lua em toda sua grandiosidade. Ok, pelo menos, ninguém aqui  na terra. Por causa da sincronia do seu movimento com a terra, a mesma face fica sempre virada para nós. Só que nós temos duas coisas fantásticas: nosso conhecimento científico e nosso desenvolvimento tecnológico. Isso nos possibilitou ver a Lua em movimento de rotação, mostrando todos os seus segredinhos que ela pensou estarem escondidos.

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Cientistas voyeurs fuxicam peladezas de planeta desinibido

A todo momento aparece um exoplaneta dando sopa por aí. É ótimo saber sobre novos mundos e a moderna tecnologia observacional nos diz até do que o planeta é compostos em sua superfície e atmosfera. Mas e quanto ao que tem dentro dele? Sim, porque olhando a Terra de cima, mesmo que de pertinho, não dá pra se ter ideia das suas camadas internas.

CALMA! Sua curiosidade será saciada. O núcleo sobrevivente de um gigante gasoso foi descoberto orbitando uma estrela distante. Um verdadeiro nude de planeta, com um monte de voyeurs interessados.

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MAVEN explora os céus amigos de Marte

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Maven significa Mars Atmosphere and Volatile Evolution ou Evolução Volátil e Atmosférica de Marte. Ela faz exatamente isso: está lá pesquisando como a atmosfera de Marte se tornou o que é, qual a sua história e como isso pode nos ensinar sobre a nossa própria história.

Ela estuda camadas eletricamente carregadas da atmosfera superior (a ionosfera) de Marte. Um fenômeno muito comum na Terra que causa interrupções imprevisíveis nas radiocomunicações. O que terá na ionosfera de Marte nos esperando?

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Os polos agitados de Enceladus

Enceladus é uma das maravilhas do mundo saturniano. Ela foi descoberto em 28 de agosto de 1789 perlo astrônomo William Herschel, sendo um dos astros mais refletivos do Sistema Solar, embora seja muito pequeno: cerca de 400 km de diâmetro, enquanto o diâmetro equatorial da Lua (a “nossa” lua) possui mais de 3.400 km de diâmetro. Em 1980, quando a Voyager passou por Enceladus, foram tiradas algumas fotografias, onde via-se um satélite com muitas crateras em seu hemisfério norte, mas poucas crateras no hemisfério sul. Enceladus possui muitos gêiseres, e ao expulsar a água quente em alta pressão, se congela no meio frio do Espaço. Parte deste gelo é atraído de volta a Enceladus e outra parte foge do campo gravitacional do satélite.

Não apenas isso, Saturno é 95 vezes mais massivo que a Terra, e a órbita ao redor do Senhor dos Anéis é de insanas 33 horas, uma hora mais lenta que uma Uno com Escada faria, mas ainda assim é um valor absurdo. Quando a sonda Cassini-Huygens passou por Enceladus, tirou fotos de uma área no hemisfério Sul que recebeu o nome de “Garras de Tigre”: quatro fendas paralelas, semelhantes às falhas geológicas que separam as placas continentais, como acontece no limite entre a placa das Américas e a da Europa. À medida que Enceladus orbita Saturno, é amassada que nem massa de pão pelas titânic… saturnânicas forças gravitacionais do planetão. É isso que promove o calor no interior do satélite.

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A face radioativa da Lua

Se você é daqueles Team Aristóteles, bem, ele mais errou do que acertou (dizem que acertou). Ele achava que a Lua era uma esfera absolutamente sólida, lisa e perfeita. Errou completamente, como Galileu mostrou. Ela tem aquele aspecto de areia mijada, cheia de buracos, e vocês jamais verão divulgadorzinho de ciência dizer que a Lua tem aspecto de areia mijada, cheia de buracos, mesmo ela tendo aspecto de areia mijada, cheia de buracos.

Somando a isso tem o fato de ela ser tudo, menos simétrica, quando o lado que a gente sempre vê no céu ser bem diferente do lado que fica escondido.

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