O problema nº 1 de fazer o nº 2 no Espaço

A corrida espacial nos deixou imagens gloriosas: marcas de botas no solo lunar, bandeiras fincadas e frases para a posteridade. O que não entrou nos cartazes foi a logística do outro extremo do corpo humano. Nos tempos do programa Apollo, o banheiro era um saquinho preso com adesivo, e a tripulação da Apollo 10 teve a companhia inesperada de um visitante flutuante que ninguém quis assumir. Meio século depois, a engenharia evoluiu: existe vaso sanitário em órbita, e o problema de fundo segue ali, teimoso como boleto de condomínio: a prisão de ventre no Espaço.

Sabia-se que o intestino de quem deixa o planeta fica preguiçoso, mas faltava uma explicação sólida. Pesquisadores da Universidade de Copenhague, em colaboração com a NASA, foram buscá-la onde ela estava escrita em letras químicas miúdas: no sangue de 52 astronautas: 488 amostras, em missões de dois a nove meses a bordo da Estação Espacial Internacional. O achado sugere que, poucas semanas depois de sair da Terra, as bactérias intestinais mudam de cardápio, e não para melhor. Continuar lendo “O problema nº 1 de fazer o nº 2 no Espaço” →

Cientistas invocam o MAL para salvar paciente

A maioria das pessoas sabe o próprio tipo sanguíneo de cor, como o número do calçado, e dá o assunto por encerrado. Só que a superfície de um glóbulo vermelho lembra mais um condomínio lotado do que uma ficha de cadastro, e é nesse território, cheio de marcadores moleculares que quase ninguém conhece, que a história de hoje se passa.

Pois um grupo de cientistas britânicos resolveu um enigma que durava meio século. O antígeno AnWj foi identificado em 1972, ano de O Poderoso Chefão e da última missão Apollo à Lua, e desde então ninguém sabia qual gene o fabricava nem qual proteína o carregava. A resposta veio com brinde: um sistema sanguíneo inédito, batizado de MAL. Continuar lendo “Cientistas invocam o MAL para salvar paciente” →

As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026

Todo mês de setembro, pouco antes de o comitê sueco anunciar quem vai salvar a humanidade com uma descoberta em Física Quântica ou com alguma bobagem da Economia, um bando de cientistas se veste de cogumelo, sobe a um palco em algum canto da Europa e aceita, com lágrimas genuínas nos olhos, um prêmio por ter enfiado o pé em cima de uma cobra, enterrado mil cuecas ou descoberto, com rigor de laboratório, o jeito certo de assoar o nariz.

Bem-vindos à trigésima sexta edição do Ig Nobel, a premiação que existe para provar, ano após ano, que a curiosidade científica não tem freio de mão e, às vezes, nem senso de autopreservação; e sim, esta é a sua cientificamente revisada SEXTA INSANA! Continuar lendo “As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026” →

Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…

Havia uma vez um livro tão estranho que só podia ter vindo de outro mundo. Letras vermelhas e pretas, tabelas que se liam na horizontal, na vertical e na diagonal ao mesmo tempo (uma espécie de Sudoku medieval para quem queria saber se ia sobreviver à próxima peste), e um dono que jurava tê-lo recebido de uma ilha encantada perdida no Atlântico. Era o tipo de história que qualquer editora de best-seller pagaria caro hoje: mistério, magia, um segredo guardado por sete anos a fio. Só que, como quase sempre acontece quando se puxa o fio de uma lenda bonitinha, a verdade por trás do Livro de Hy-Brasil é ainda mais interessante do que a fantasia, e de quebra ajuda a explicar por que um país inteiro do outro lado do oceano se chama… Brasil. Continuar lendo “Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…” →

Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados

Há uma categoria de descoberta científica que eu adoro particularmente: aquela em que a Ciência gasta uma fortuna, um exército de pesquisadores e uma tecnologia de ponta para provar que, no fim das contas, somos todos igualmente nojentos por dentro. Reis, camponeses, imperadores, pastores de cabra: por baixo do esmalte, a boca de todo mundo é uma zona de guerra microbiana, e a realeza, ao que parece, não tinha acesso a nenhum tratamento VIP nesse departamento.

O caso que motiva essa reflexão começa com um esqueleto encontrado, literalmente, sob um estacionamento. Em 2012, arqueólogos ingleses desenterraram em Leicester os restos de um monarca que a história tratou com a mesma delicadeza que Shakespeare: como vilão de peça teatral. Essa é a história de como fomos acabar fuçando a boca de Ricardo III. Continuar lendo “Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados” →

Homem resolve problema de incontinência graças a muito superbonder e nenhuma noção

A medicina passou o século XX aperfeiçoando antibiótico, anestesia, transplante e robô que opera a distância. Levando em conta a História da Medicina, deixamos de usar caldo de salamandra com cocô de morcego para dor de estômago para chegarmos nos mais modernos tratamentos contra diferentes tipos de câncer. Se faz cirurgias em fetos dentro das barrigas de suas mães. Então vem quem? O cerumano tosco, como um certo corno de 41 anos, em algum canto perdido do Irã, que olhou para esse cardápio inteiro e decidiu que era exagero.

Como andava com goteirinha na torneirinha, Hassan (vou chama-lo e Hassan, me processe!) achou que bastava usar algum artifício de vedar a saída. Daí ele faz o que? Passa supercola no pinto! Continuar lendo “Homem resolve problema de incontinência graças a muito superbonder e nenhuma noção” →

Pedagogia inovadora resolve problemas gasosos em sala de aula

Os Teóricos da Educação passam a vida inteirinha tentando entender o sentido daquela coisa que muitos chamam de “magistério” eu chamo de “sofrimento”. Há décadas (séculos?) estão teorizando e se reunindo e pensando e debatendo o que significa ensinar em seu mais amplo significado; mas isso porque não conheceram Mrs. Sydney-Browning e sua forma de lidar com flatulências, eflúvios anais e crianças peidorreiras criando uma espécie de “Cantinho do Peidinho”.

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Artigos da Semana 319

Estamos nos efeitos do El Niño o que esta prolongando o inverno e estou adorando, pois assim economizo cm ar-condicionado (e gasto com chuveiro elétrico). Enquanto estou confortavelmente debaixo do edredom, escrevendo no notebook, que tal darmos uma olhada no que foi postado durante a semana?

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Vollidioten se ferram por olhar diretamente pro Sol

Quando criança, todo mundo foi avisado que não pode olhar pro Sol. Olhar pro Sol dá dodói. Ao que parece, A Alemanha não teve isso (ok, teve). Havia até um plano para explicar aos krauts que olhar direto para o Sol continua sendo uma péssima ideia mesmo quando a Lua está fazendo das suas na frente dele. O plano falhou; não porque a informação não estivesse disponível (estava, em profusão, repetida por oftalmologistas e autoridades de saúde antes mesmo do fenômeno acontecer), mas porque as pessoas… bem, as pessoas continuam sendo idiotas, mesmo na Terra da Engenharia. Resultado: um monte de chucrutes (não os literais) baixaram hospital com pobrema nos zóio.

Iluminando a estupidez galopante das pessoas, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Vollidioten se ferram por olhar diretamente pro Sol” →

Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista

Toda droga de sucesso estrondoso tem uma origem meio acanhada, quase burocrática, que ninguém lembra depois que ela vira fenômeno cultural. A aspirina nasceu para dor de cabeça e hoje disputa currículo com prevenção cardiovascular. O Viagra foi desenvolvido para angina e terminou revolucionando outro tipo de circulação sanguínea, bem mais comentado em rodas de amigos do que em congressos de Cardiologia. E há uma nova entrada nesse hall meio acidental dos remédios que fugiram do próprio currículo, o Ozempic e seus primos farmacêuticos, os agonistas do GLP-1. Continuar lendo “Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista” →