Quando o cérebro usa o fracasso como combustível

Existe uma razão pela qual aquela dieta que você “começou na segunda-feira” já foi abandonada pela quarta. E uma razão pela qual você ainda digita a senha do ex no celular sem perceber. O cérebro humano, esse órgão presunçoso que se gaba de ter mandado foguetes à Lua e inventado o sorvete de pistache, tem um vício embaraçoso: ele adora repetir o que já funcionou antes, mesmo quando o mundo ao redor mudou completamente. É o que os neurocientistas chamam de “rigidez comportamental”, os filósofos chamam de teimosia e o que sua mãe chama simplesmente de “você sendo você”.

A boa notícia é que o cérebro tem um mecanismo de resgate embutido. A má notícia é que esse mecanismo só é acionado quando você leva um fora. Continuar lendo “Quando o cérebro usa o fracasso como combustível”

Artigos da Semana 309

Teve feriadão nesta semana e eu, aqui, tive divertimento de adultos (dormi até tarde, levantei, almocei, volte pra cama, levantei, jantei, voltei pra cama. Recomendo!). Espero que vocês tenham sido muito produtivos (em nenhum momento eu serei louco em achar que produziram algo útil). Claro, nunca abandono meus 3 leitores e deixei artigos entrando (ops) automaticamente.

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Golpista de 37 anos passa a perna em idiotas se passando por criança

Existe um limite para o que a humanidade consegue fazer sem que alguém pare, coce a cabeça e pergunte: “Sério, cara? Sério, mesmo?”. Durante muito tempo, achei que esse limite estava em algum lugar razoavelmente distante. Talvez além das seitas apocalípticas, dos gurus financeiros que vendem prosperidade por boleto ou das pessoas que acreditam que a Terra é plana mas, misteriosamente, usam GPS. Estava enganado. Em 2 de junho de 2026, em Joinville, Santa Catarina, uma mulher passou a conversa mole numa família por 14 meses. Se passu por freira? Modista? Empresária? Não, a dona de 37 anos na fuça foi em cana por se passar por uma menina de 12 anos. Continuar lendo “Golpista de 37 anos passa a perna em idiotas se passando por criança”

Artigos da Semana 308

Enquanto pessoal anda se matando por causa de bobagens como se o Neymar vai pra Copa do Mundo, o que está gerando muito debate idiota e ótimos memes em vídeo, estou aqui no meu canto vendo o que o Papa andou falando da IA, como big techs odeiam privacidade, mulheres tocaram negócios e se tornaram comerciantes poderosas e até como pessoal anda sendo investigado para verem se tem DNA de alienígenas.

Tudo mais interessante que o tosco do Neymar.

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Os ET pede, o tosco dá, depois a CIA fica na cola de quem fez DNA

Há um tempo atrás, andava na moda querer saber os ancestrais. Os paulistenses não precisaram fazer isso, pois, é mais fácil e mais barato usar sotaque italiano de novela da Globo e mencionar alguma nona perdida (o mais próximo da Itália que têm relação é macarrão, e isso é mais chinês que italiano). Se você é um desses manés e já cuspiu num tubinho de plástico e mandou pelo correio para descobrir se tem ascendência italiana, nórdica ou algum bisavô turco que a família preferia não mencionar, há uma possibilidade que o folheto informativo omitiu completamente: você pode ter fornecido material genético para uma operação secreta da CIA em busca de híbridos extraterrestres.

Etzando a ascendência dos outros, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Os ET pede, o tosco dá, depois a CIA fica na cola de quem fez DNA”

A incômoda privacidade

Em 1999, Scott McNealy, então CEO da Sun Microsystems, disse uma frase que deveria ter gerado protestos nas ruas e pelo menos uma CPI: “Você não tem privacidade. Supere!!” Na época, soou como a bravata arrogante de um executivo de tecnologia mimado. Hoje, três décadas depois, soa como um roteiro que o Vale do Silício seguiu à risca… e com prazer sádico.

A privacidade digital não morreu por acidente, nem por inevitabilidade tecnológica. Ela foi sistematicamente tornada inconveniente. Cada clique em “aceitar os termos”, cada “concordo” em negrito que ninguém leu, cada permissão concedida porque o aplicativo simplesmente não funciona sem ela, tudo isso foi projetado para ser exatamente assim: a resistência deveria custar mais do que a rendição. E funcionou! Continuar lendo “A incômoda privacidade”

Babel, Jerusalém e os algoritmos: A IA sob a lente do Vaticano

O Papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica social, Magnifica Humanitas, em 15 de maio de 2026, e o mundo intelectual tratou de fazer o que sempre faz nessas ocasiões: uns aplaudiram com devoção, outros ignoraram com elegância e uma terceira categoria – da qual me considero humilde representante em toda minha proverbial grandeza e infinita sabedoria – leu o documento com atenção genuína e uma sobrancelha erguida em posição permanente.

O texto é longo, erudito à moda vaticana – citações em latim, referências ao Concílio Vaticano II, a Leão XIII e a toda a linhagem de encíclicas sociais da Igreja – e dedica uma atenção incomum à Inteligência Artificial, ao ponto de colocar o tema no próprio subtítulo: “Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial”. Leão XIV, aliás, é matemático de formação, o que garantiu ao documento pelo menos a vantagem de não confundir algoritmo com feitiçaria. Continuar lendo “Babel, Jerusalém e os algoritmos: A IA sob a lente do Vaticano”

Artigos da Semana 307

O dia começou uma merda. Na verdade, começou no fim do dia de ontem quando eu fiz uma cagada e alguns arquivos PUF, desapareceram. Por sorte, corri pras IA e as IA me ajudaram a resolver. Não resolveu 100%, mas 95%, o que já tá ótimo, e isso a um custo de 2 centavos de dólar. De repente, eu conto como foi, se vocês quiserem saber, com todo caminho das pedras. Enquanto isso, vejam o que eu postei durante a semana.

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Idiota age como idiota e xinga astronautas dizendo que eles não foram ao Espaço

Sexta-feira, finalzão de semana, todo mundo pronto pra sextar (exceto eu porque é dia 22 e o salário é uma longe lembranaç). O cérebro humano deveria estar descansando, hidratando, talvez contemplando uma pizza sinistra de ótima (já pedi a minha) e decisões ruins perfeitamente aceitáveis para depois das oito da noite. Seria assim, mas fomos novamente arrastados para o grande esgoto radioativo da civilização digital, já que depois da invenção de celulares com câmeras, o bando de Morlocks saiu debaixo da pedra e fica atazanando pessoas.

Um desses imbecis decidiu abordar os astronautas da missão Artemis II no Capitólio dos Estados Unidos para acusá-los de nunca terem ido ao Espaço. A esta altura, a Seleção Natural já deve estar preenchendo formulário de desistência, e Darwin ergue os ombros e diz “mas nunca falei que a seleção era para gente mais esperta”.

Voando até a Fronteira Final da Idiotice, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Idiota age como idiota e xinga astronautas dizendo que eles não foram ao Espaço”

Autor escreve livro com citações inventadas pelo robô que ele dizia odiar

Existe uma categoria especial de tragédia humana que nem os gregos antigos previram: o sujeito que passa anos alertando a civilização sobre os perigos de uma tecnologia, usa essa mesma tecnologia às escondidas para escrever o livro de alerta, não verifica absolutamente nada do que ela produz, publica com grande alarde, recebe elogios de jornalistas premiados, aparece na Wired, e então é detonado pelo New York Times porque as citações são inventadas. Os gregos tinham Édipo. Nós temos Steven Rosenbaum. Continuar lendo “Autor escreve livro com citações inventadas pelo robô que ele dizia odiar”