A fé remove montanhas, embora mísseis e vulcões sejam mais eficientes. Aquele que pedir será atendido, na Glória do Deus-Pai. Sendo assim, Kenneth Copeland, um televangelista pediu com fervor. Ele orou para Cristo Jesus. Ele suplicou a assistência de Jeová, o Senhor dos Exércitos, pois mil iria cair ao lado dele, mas ele não seria atingido, pois Ele é o que é. Sim, Copeland pediu. Pediu para acabar com a fome no mundo, digo, para que não houvessem mais guerras, não, espere, ele pediu para que todas as pessoas enfermas fossem curadas. Não, aguenta aí. Ele pediu… para Deus tirar a ferrugem do avião dele…
E FOI ATENDIDO!

Eu adoro fórmulas mágicas. Tipo. O Gandalf chegando e dizendo SOU SERVIDOR DO FOGO SECRETO, GUARDIÃO DA CHAMA DE ANOR. YOU SHALL NOT PASS! Daí, a bagaça explode em chamas, a ponte desmorona e o Balrog cai no abismo levando o Gandalf junto, mas faz parte). Já Harry Potter é um latim tosco que a Rowling inventou saindo ABRACADABRA, digo, AVADA KEDAVRA. Ah, sim, tem as magias vagabundas que o pessoal com o poder do Místico Poder Ascencional do 3D Studio é capaz de fazer. Não raro, fazer chover sem ter água.
Há muita coisa errada no Mundo de Hades. Uma delas é jornaleirismo. Eu sou do tempo que o jornalista ia atrás de uma notícia, investigava, denunciava, expunha e colocava às claras todas as podridões escondidas. Agora, e fácil: você fala de astrologia. Não importa o que. Tudo que tem astrologia parece interessar e é divulgada. Mesmo porque, imbecis fazendo este tipo de matéria conseguem o tão amado clique e custam bem pouco.
Todo mundo tem uma receitinha mágica medicinal ou mesmo um diagnóstico já pronto, mesmo que (e principalmente) não faça a menor ideia do que está passando o que está sentindo o ou mesmo falando. Aquelas receitinhas de vó da sua avó ainda perduram até hoje, com diagnósticos mais do que malucos e recomendações que não fazem o menor sentido, mas insistem que é isso e que médico não sabe de nada.
O Brasil é esquisito. Disso estamos carecas de saber. Mas só uma pessoa muito cândida (AKA burra) vai achar que a tosqueira existe só aqui. No máximo, somos especialistas nela, mas países desenvolvidos têm a sua parcela de idiotice. Enquanto aqui, em Banânia, nós aceitamos cartas psicografadas em tribunais e chamamos a Fundação Cacique Minhoquinha para controlar o tempo, na Alemanha, há a Comissária de Elfos, que dá palpites nos acidentes de estradas.
Indo direto ao assunto, estimativas MUITO otimistas estão agora dizendo que o Brasil tem 30% de analfabetos funcionais. Tenho certeza que o número é muito maior, mas vá lá. 30% de gente que não é capaz de ler, escrever ou compreender textos completamente ou fazer contas de forma decente. 1% (num país com mais de 200 milhões de habitantes) já é um número avassalador e inaceitável, mas beleza, 3 em cada 10 pessoas é analfabeto funcional, no big deal!
Está rolando um bochicho de um corte de verba da CAPES em que todo mundo ficará sem verba nenhuma. Estão alegando que isso vai acabar com a ciência no Brasil, que voltaremos pra Idade das Trevas, teremos gente defendendo criacionismo no Congresso, ficaremos entre os últimos nos índices educacionais no mundo todo, uma bancada religiosa será formada na Câmara dos Deputados, igrejas terão isenção de impostos, movimentos anti-vacina se espalharão, um monte de gente gravará vídeo no YouTube dizendo que a Terra é plana e que a NASA mente e que sarampo voltará a se espalhar. AINDA BEM que nada disso está acontecendo, graças às verbas que o CAPES recebe.
Eu sempre digo que religião é um câncer sociológico. Ele se alastra fundo, causa metástase e acaba sendo mais do que maléfico. E mortal! Eu aceito que a pessoa resolva se conectar com uma esfera que ele não compreende, passe a acreditar que haja seres supranaturais ou, pelo menos, sobrenaturais, mas tenho verdadeiro asco por institucionalização da fé, em que um líder diz o que você tem que fazer, pensar e agir ou um Deus bom, justo e misericordioso vai destruir a sua vida de forma selvagem.
Estando na gloriosa República Florentina, aos 31 dias do mês de julho do ano de Nosso Senhor de 1490*, escrevo ao digníssimo excelso senhor Lorenzo, O Magnífico estas poucas letras, pedindo permissão para dirigir-me à Vossa Magnificência.