Artigos da Semana 312

Esta semana eu fiz vários artigos mostrando s mazelas do mundo tecno-digital atual. Desde guerra de publicidade até controle de pessoas, passando por ilusão de um mundo em concorrência até os lados nefastos do fechamento da Internet sem levantar muros claros. Aliado a isso, a forma tacanha do Brasil em eliminar o índice de reprovações.

O mundo moderno é maravilhoso e sempre vai ter gente dizendo que ama viver no futuro…. se é que sabem o que “viver” significa.

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O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos

Na quarta-feira, dia de São João, 24 de junho de 2026, enquanto os venezuelanos assistiam ao chão se abrir sob seus pés, o governo brasileiro descobriu algo igualmente sísmico: a CazéTV estava anunciando casas de apostas durante a Copa do Mundo (coloquem vocês mesmos o gif do Pikachu Surpreso). A Secretaria Nacional do Consumidor, com a urgência de quem acabou de perceber que a água é molhada, abriu investigação contra o canal de Casimiro Miguel, que doravante será chamado de JovemTV porque sim, já que eu sou o dono desta bagaça. O foco da investigação é a publicidade irregular de bets nas transmissões do mundial.

O país todo parou para contemplar a gravidade da situação. As emissoras tradicionais, por sua vez, contemplaram a cena da plateia com a serenidade de quem sabe que o holofote não está apontado para elas. Continuar lendo “O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos”

CHOQUE DO DIA: Descobriram que aprovar alunos automaticamente faz reprovação despencar

Eu fico feliz em morar num país que finalmente resolveu sua crise educacional. Não foi necessário aumentar o salário dos professores, reduzir o número de alunos por turma, construir escolas em tempo integral, criar programas de recuperação de aprendizagem nem qualquer outra medida daquele tipo: cara, demorada e constrangedoramente trabalhosa. A solução foi muito mais elegante, e tem aquela beleza cristalina das ideias que parecem óbvias depois que alguém as enuncia: se os indicadores educacionais estão ruins, muda-se a forma de produzi-los. O problema some, os gráficos melhoram e todo mundo vai para casa feliz, inclusive o aluno que não sabe fração.

Vendo ser aprovada a burrice institucionalizada coo projeto de governo, esta é a sua SEXTA INSANA!

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Google bonzinho avisou sobre o terremoto na Venezuela. O problema é o que ele fazia antes com as informações

Na quarta-feira, 24 de junho de 2026, os venezuelanos estavam em casa celebrando o aniversário da Batalha de Carabobo, aquela de 1821 que selou a independência do país. Às 18h04min, o chão decidiu comemorar também, à sua maneira: um terremoto de magnitude 7,2 sacudiu o norte da Venezuela e, 39 segundos depois, como se o primeiro fosse apenas o aperitivo, veio o de 7,5. Prédios desabaram em Caracas. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar foi danificado e fechado. O banco central do país virou entulho. Ao menos 164 pessoas morreram e quase mil ficaram feridas, numa tragédia que se tornou o evento sísmico mais destruidor do país em mais de um século.

No meio do caos, um detalhe estranho viralizou nas redes: os celulares Android de milhares de venezuelanos vibraram com um alerta alguns segundos antes do chão começar a tremer. A Internet, fiel à sua vocação para o melodrama, logo espalhou que o Google havia previsto o terremoto. Mas não foi bem assim. Foi algo bem melhor e bem pior ao mesmo tempo. Continuar lendo “Google bonzinho avisou sobre o terremoto na Venezuela. O problema é o que ele fazia antes com as informações”

A concorrência digital morreu no meio do almoço

Diógenes Laércio é meu filósofo favorito. Ele caminhava pelas ruas procurando um homem honesto com uma lanterna. Acharam-no louco, mas ele sabia, como todo filósofo cínico, ele sabia o que iria encontrar; era a busca a verdadeira questão. Agora, imaginem Diógenes percorrendo o Vale do Silício com sua lanterna em pleno meio-dia. Não está procurando um homem honesto dessa vez. Está procurando concorrência. A lanterna continua acesa; o resultado é parecido. Continuar lendo “A concorrência digital morreu no meio do almoço”

Foguete dá ré e balão em investidor otário

Existe uma arte que os grandes do Capitalismo dominam com perfeição e raramente discutem em voz alta: lucrar duas vezes com o mesmo ativo. Primeiro na subida, depois na descida. O IPO da SpaceX, concluído em junho de 2026, é o capítulo mais recente de uma história muito mais longa e muito menos inocente do que parece.

A SpaceX abriu capital em 12 de junho no Nasdaq a US$ 135 por ação, chegou a US$ 225,64 quatro dias depois – tornando Elon Musk o primeiro trilionário da história, embora esse dinheiro não exista propriamente dito – e hoje negocia em torno de US$ 155. Mais de US$ 600 bilhões evaporaram em oito dias. Para quem comprou no pico, a experiência tem sido dolorosa. Para quem sabia o que estava fazendo, foi um plano executado com a precisão de um lançamento do Falcon 9.

Quem já viu esse filme dezenas de vezes sabe o final. Continuar lendo “Foguete dá ré e balão em investidor otário”

A Internet pública e livre morreu. As empresas privadas venceram

Nos anos 1990, havia um vilão claro na História da Internet: as redes proprietárias pertencentes ao que hoje chamam de Big Techs (na época eram chamadas de empresas fidaputas, mesmo). Havia a AOL, a CompuServe e a Microsoft, com sua Microsoft Network (abreviada para MSN, que se resumiu a um serviço de mensagens instantâneas) recém-lançada. Eram serviços que funcionavam como condomínios fechados: você pagava a mensalidade, entrava no ambiente controlado pela empresa, consumia o conteúdo que ela selecionava e não saía dali para lugar nenhum. Bill Gates chegou a escrever um livro inteiro, A Estrada do Futuro, celebrando esse modelo de conectividade, sendo que parte da maravilha que ele descrevia era, convenhamos, a própria rede da Microsoft. A Internet aberta mal aparecia.

As pessoas reagiram com indignação saudável. Não queriam jardins murados. Não queriam intermediários decidindo o que podia ser lido, publicado ou discutido. Queriam um bosque a ser explorado, uma rede descentralizada, livre, construída sobre protocolos públicos que nenhuma empresa controlasse. Lutaram por isso e conseguiram. E foi lindo enquanto durou. Continuar lendo “A Internet pública e livre morreu. As empresas privadas venceram”

Artigos da Semana 311

Bola ainda tá rolando na Copa do Mundo, o mundo continua as mesmas loucuras de sempre, Inglaterra tinha imposto de janelas, zoológico na Torre de Londres, uma dona vendeu a filha adotiva em troca de um macaco, mas não o macaco ladrão que levou embora jóias de uma morta. A insânia está à solta!

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O Zoológico da Masmorra

O Reiuno Unido recebe cerca de 37 a 38 milhões de turistas internacionais por ano.Claro, quem passa por Londres não deixa de passar pela Torre de Londres, e muitos que passaram por Londres no passado iam parar na Torre, mas contra a vontade. Acontece que a Torre tem um quê de pitoresco que as pessoas normalmente não sabem. Há uma pergunta que os guias turísticos da Torre de Londres deum modo geral não fazem, mas que merece ser feita: o que você faria se soubesse que, por mais de seiscentos anos, aquele complexo de pedra e terror que serviu de prisão, palácio e depósito das joias da Coroa também funcionou como zoológico?

A resposta correta é perguntar se os animais tinham celas melhores que os presos humanos. A resposta provável é que sim. Continuar lendo “O Zoológico da Masmorra”

O bizarro imposto sobre janelas

Ao longo da história, os governos têm demonstrado uma criatividade fiscal que seria admirável se não fosse tão irritante. Os egípcios antigos tributavam o óleo de cozinha. Roma cobrava imposto sobre urina, matéria-prima valiosa para lavar roupas e curtir couro. Pedro, o Grande, resolveu taxar as barbas russas. E a Inglaterra, fiel à sua tradição de excentricidade institucionalizada, inventou o imposto sobre janelas. Sim: o direito de olhar para fora de casa tinha preço, e quem não pudesse pagar simplesmente emparedava a abertura e ficava no escuro, literalmente. Continuar lendo “O bizarro imposto sobre janelas”