Galinhão gigante dá rolê e agita cidadezinha

Existem manhãs de domingo para café, jornal e um cochilo culposo no sofá. E existem manhãs de domingo em uma cidadeca no Arizona, nas quais um grupo de vizinhos decide dar uma volta tranquila pela trilha do canal e se depara com uma ave grande, incapaz de voar, encharcada e visivelmente arrependida das próprias escolhas de vida, boiando como quem não tinha absolutamente nenhum plano B. Bem-vindos ao tipo de notícia que a realidade insiste em produzir só para lembrar que ela é, invariavelmente, mais criativa que qualquer redator de plantão.

O caso aconteceu em Gilbert, Arizona, uma espécie de Texas wannabe, mas sem uma gota de petróleo. O que sai de lá é cobre, o que é temerário porque quem tem cobre tem medo, principalmente de piadas ridículas e infames. Continuar lendo “Galinhão gigante dá rolê e agita cidadezinha” →

Artigos da Semana 323

Esta semana foi um saco: gente choramingando com IA trazendo o Apocalipse, Médium que usa Google, rei achado no estacionamento que teve seus dentes verificados e até o pessoal “ain u qui vussê fazia no 11 di çetembru?” (eu estava trabalhando, não tinha tempo para ficar com o cu na frente da TV o dia todo).

Bem, vejamos o que foi postado durante a semana, inclusive com Brasil endo uma terra mística esquisita e fora dos mapas convencionais.

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As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026

Todo mês de setembro, pouco antes de o comitê sueco anunciar quem vai salvar a humanidade com uma descoberta em Física Quântica ou com alguma bobagem da Economia, um bando de cientistas se veste de cogumelo, sobe a um palco em algum canto da Europa e aceita, com lágrimas genuínas nos olhos, um prêmio por ter enfiado o pé em cima de uma cobra, enterrado mil cuecas ou descoberto, com rigor de laboratório, o jeito certo de assoar o nariz.

Bem-vindos à trigésima sexta edição do Ig Nobel, a premiação que existe para provar, ano após ano, que a curiosidade científica não tem freio de mão e, às vezes, nem senso de autopreservação; e sim, esta é a sua cientificamente revisada SEXTA INSANA! Continuar lendo “As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026” →

Arautos do Apocalipse Tecnológico Moderno apregoam o extermínio da Humanidade, só que…

Toda semana alguém com mais tédio do que competência em pleno Vale do Silício descobre o Fim do Mundo (MUAHAHAHAHAHAHA). Dessa vez o Mensageiro do Caos é um ex-funcionário da Anthropic (a mãe do Claude) de 27 anos que atende por Jacob Coxon. Coxon fez no Twitter aquilo para o qual o Twitter foi feito: xingou muito; no caso: a IA. Coxon atraiu a atenção de ao anunciar o próximo Futuro Apocalíptico; porque, convenhamos, nenhum profeta bíblico teria recusado 100 milhões de visualizações se a ferramenta estivesse disponível na época. Continuar lendo “Arautos do Apocalipse Tecnológico Moderno apregoam o extermínio da Humanidade, só que…” →

Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…

Havia uma vez um livro tão estranho que só podia ter vindo de outro mundo. Letras vermelhas e pretas, tabelas que se liam na horizontal, na vertical e na diagonal ao mesmo tempo (uma espécie de Sudoku medieval para quem queria saber se ia sobreviver à próxima peste), e um dono que jurava tê-lo recebido de uma ilha encantada perdida no Atlântico. Era o tipo de história que qualquer editora de best-seller pagaria caro hoje: mistério, magia, um segredo guardado por sete anos a fio. Só que, como quase sempre acontece quando se puxa o fio de uma lenda bonitinha, a verdade por trás do Livro de Hy-Brasil é ainda mais interessante do que a fantasia, e de quebra ajuda a explicar por que um país inteiro do outro lado do oceano se chama… Brasil. Continuar lendo “Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…” →

Médium usa Pai Google de Oxóssi para trazer mensagens do Além

Eu tenho problemas com golpistas. Primeiro, porque eles deveriam estar com uma ponta de corda no pescoço e outra num blocão de concreto, sendo jogados na Fossa das Marianas. Outro problema é que eles são estúpidos, mas menos estúpidos que suas vítimas. O ensaio é sempre o mesmo: se colocam como médiuns, videntes e mandingueiros e esperam os otários as vítimas, que aparecem como mariposas atraídas pela luz (e a Carol Ann já tinha sido avisada para não ir pra luz), e pronto. Aí é só catar meia dúzia de besteiras que os patinhos ofendidos acreditam que estão falando com espíritos por meio do médium com pão e manteiga.

Às vezes, são descobertos, como foi o caso de Máira Rocha, que, segundo denúncias de famílias enlutadas, parece ter descoberto algo revolucionário: por que inventar um espírito quando o Instagram do morto já faz esse trabalho de graça? Continuar lendo “Médium usa Pai Google de Oxóssi para trazer mensagens do Além” →

Artigos da Semana 322

Hoje é um domingo que é sábado, já que amanhã é feriado e eu estou aqui no bem-bom descansando, como convém a idosos como eu. Vocês jovens que se ralem de trabalhar. Aí, ó. A calçada tá suja e a ia tá imunda. Vão lá limpar. Depois podem ler o que foi postado durante a semana!

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O bolo de Ea-Nasir (sim, aquele pior comerciante da História)

Vocês conhecem a história de Ea-Nasir, o vendedor de cobre vagabundo e trapaceiro que eu já apresentei por aqui como o pior comerciante da História. Ele vendia cobre saído do Golfo Pérsico para a Mesopotâmia, ostentava o cargo oficial de “Alik Dilmun” — importador licenciado que ia até o atual Bahrein trocar prata, cevada e tecido por metal — e morava numa casa de sete cômodos com capela particular, escavada nos anos 1920 pelo arqueólogo Leonard Woolley, que resolveu batizar as ruas de Ur com nomes ingleses só porque podia. Resultado: o maior vigarista documentado da Idade do Bronze mora, para efeitos de citação acadêmica, na Old Street número 1.

Mas tem algumas coisinhas que eu não falei. Continuar lendo “O bolo de Ea-Nasir (sim, aquele pior comerciante da História)” →

Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias

Toda cidade americana decadente já teve aquela ideia genial de marketing que parecia infalível no quadro branco e virou motivo de piada nacional. Cleveland, nos anos 1980, tentava desesperadamente deixar de ser conhecida como “a cidade cujo rio pegou fogo” (sim, aconteceu, e é outra história igualmente hilária, mas ficará pra outro dia), e alguém do United Way, ex-publicitário da Procter & Gamble, teve a epifania que só faz sentido dentro de uma sala de reuniões: por que não soltar um milhão e meio de balões ao mesmo tempo e quebrar um recorde mundial?

A ideia era muito simples, como todas as ideias mais idiotas podem ser: arrecadar fundos para a filial local do United Way e vender publicamente Cleveland como uma das cidades emergentes dos EUA. O recorde a ser batido, aliás, pertencia à Disneylândia, que tinha soltado balões no aniversário de 30 anos do parque, um ano antes. Cleveland ia superar Mickey Mouse! O que poderia dar errado?

Balonando e andando sem pensar nas consequências, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias” →

Homem resolve problema de incontinência graças a muito superbonder e nenhuma noção

A medicina passou o século XX aperfeiçoando antibiótico, anestesia, transplante e robô que opera a distância. Levando em conta a História da Medicina, deixamos de usar caldo de salamandra com cocô de morcego para dor de estômago para chegarmos nos mais modernos tratamentos contra diferentes tipos de câncer. Se faz cirurgias em fetos dentro das barrigas de suas mães. Então vem quem? O cerumano tosco, como um certo corno de 41 anos, em algum canto perdido do Irã, que olhou para esse cardápio inteiro e decidiu que era exagero.

Como andava com goteirinha na torneirinha, Hassan (vou chama-lo e Hassan, me processe!) achou que bastava usar algum artifício de vedar a saída. Daí ele faz o que? Passa supercola no pinto! Continuar lendo “Homem resolve problema de incontinência graças a muito superbonder e nenhuma noção” →