Médium usa Pai Google de Oxóssi para trazer mensagens do Além

Eu tenho problemas com golpistas. Primeiro, porque eles deveriam estar com uma ponta de corda no pescoço e outra num blocão de concreto, sendo jogados na Fossa das Marianas. Outro problema é que eles são estúpidos, mas menos estúpidos que suas vítimas. O ensaio é sempre o mesmo: se colocam como médiuns, videntes e mandingueiros e esperam os otários as vítimas, que aparecem como mariposas atraídas pela luz (e a Carol Ann já tinha sido avisada para não ir pra luz), e pronto. Aí é só catar meia dúzia de besteiras que os patinhos ofendidos acreditam que estão falando com espíritos por meio do médium com pão e manteiga.

Às vezes, são descobertos, como foi o caso de Máira Rocha, que, segundo denúncias de famílias enlutadas, parece ter descoberto algo revolucionário: por que inventar um espírito quando o Instagram do morto já faz esse trabalho de graça? Continuar lendo “Médium usa Pai Google de Oxóssi para trazer mensagens do Além” →

Manual de Boas Maneiras da Inglaterra pede por favorzinho que visitantes não estuprem ninguém

Há documentos governamentais que resolvem problemas e há documentos governamentais que, sem querer, funcionam como uma confissão pública de que algo deu terrivelmente errado antes mesmo de chegarem à segunda página. O novo guia do Home Office britânico, publicado em 19 de agosto de 2026 e destinado a solicitantes de asilo, entra fácil na segunda categoria.

São nove páginas cuidadosamente redigidas para explicar, com a paciência de quem ensina criança a amarrar cadarço, que não pode ser violento, não pode agridir parceiro, não se assobia para estranhos na rua, não pode beliscar, xingar o coleguinha e nem dizer que o rei tem dedo de salsicha. Ah, e não pode estuprar ninguém. Tem que avisar, porque vai que se confundem! Continuar lendo “Manual de Boas Maneiras da Inglaterra pede por favorzinho que visitantes não estuprem ninguém” →

Evento chocante mata um boi e promove revolta da população (Índia, claro!)

Cá estava eu pensando triste que não havia nada de interessante na terra de Nosso Senhor Sidartão, o Budão. Claro, Índia sendo Índia, era uma questão de esperar muito (2 dias) que eles fariam o favor de aparecer com alguma coisa… digamos… digna de Índia. Eu recitei uns mantras, acendi um incenso, arriei um despacho na encruzilhada com açafrão e curry pro Deus Jotalhão, e eis que ele me iluminou com a notícia de um boi que passou por um momento chocante e passou dessa pra melhor, indo dar um rolê pelos círculos cármicos. Sendo animal sagrado, os moradores resolveram sentar a porrada no perpetrador disso: um monte de fios de eletricidade.

Tenho certeza de que, em algum lugar do universo, uma versão Onisciente e Onipotente dos Irmãos Zucker está tomando notas, porque tem coisas que só a Índia faz por você. Continuar lendo “Evento chocante mata um boi e promove revolta da população (Índia, claro!)” →

Entra no teu app, ora a teu Pai que está em secreto, mas o hacker tá de olho

Estamos no mundo antenado, conectado, 2.0, wifizado, appzado e abobado. Claro, a ICAR não ia ficar atrás em termos de modernidades e lançou um aplicativo criado para colocar você – meu irmão e minha irmã na paz de Nosso Senhor – em contato direto com o Divino. Dessa forma, Pedro, que anda meio surdo, pode ver pelo zap se você merece ir pro céu ou bancou o influenceiro. O problema é o arco-reflexo de um troço programado igual a cara de Judas, o que acabou por jogar, sem qualquer intervenção sobrenatural, todos os seus dados pessoais em contato direto com qualquer um que soubesse abrir o navegador. Continuar lendo “Entra no teu app, ora a teu Pai que está em secreto, mas o hacker tá de olho” →

Ladrão pede desculpas à divindade antes de assaltar a divindade

Diz a sabedoria popular que quem tem, tem medo. Mas há uma classe de pessoas que, apesar do medo, insiste em fazer merda. Chamamos isso de bandidos. Vagabundo sabe que tá fazendo merda, e mesmo assim insiste, como é o caso de dois ladrõezinhos toscos (o pior tipo de ladrão) que entraram de madrugada num templo com a intenção de arrombar as caixas de doação e fugir com o dinheiro.

MAS CALMA LÁ! Melhor não dar mole pras divindades ou a coisa degringola. Assim, eles levam as mãos às orelhas num gesto tradicional de contrição hindu (aquele que normalmente se faz ao pedir desculpas por alguma merda que fez ou estar prestes a fazer.

Mas aquele dinheirinho dando sopa… Continuar lendo “Ladrão pede desculpas à divindade antes de assaltar a divindade” →

Da numerologia ao algoritmo: mesmos videntes, roupagem nova

Há um pânico circulando pelo mercado de trabalho brasileiro, e ele tem nome técnico, PowerPoint corporativo (ok, atualmente é feito naquela merda do Canva) e até fala em inglês: dizem que a Inteligência Artificial vai decidir quem é contratado, promovido ou despedido, e que ninguém mais entenderá os critérios por trás disso.

Executivos de inovação concedem entrevistas graves alertando que a “revisão humana” nesses processos costuma se resumir a um recrutador carimbando a lista que o algoritmo já organizou, e que empresas raramente sabem explicar como o sistema chegou a determinada classificação. Tudo isso é verdade, é seríssimo, e merece ser dito. Só tem um pequeno detalhe incômodo: nada disso é novidade. O RH brasileiro só trocou de vidente.

Jogando o búzio no algoritmo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Da numerologia ao algoritmo: mesmos videntes, roupagem nova” →

Vaticano expulsa velharada e não gasta o seu latim

Toda organização que dura dois mil anos acumula parentes incômodos, e a Igreja Católica tem uma lista respeitável deles. Tem o parente que foi embora batendo a porta em 1054 e nunca mais atendeu o telefone, discordando sobre quem mandava mais; tem o parente que abriu uma emissora de rádio própria no século XVI e passou a vida inteira criticando a família original pregando poucas e boas numa porta, que é basicamente a versão medieval de vender assento vip no paraíso; e agora, no ano de 2026, a ICAR ganhou um novo desentendimento de família, só que dessa vez o motivo não é teologia complexa nem doutrina obscura. É apego à língua morta. Continuar lendo “Vaticano expulsa velharada e não gasta o seu latim” →

Babel, Jerusalém e os algoritmos: A IA sob a lente do Vaticano

O Papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica social, Magnifica Humanitas, em 15 de maio de 2026, e o mundo intelectual tratou de fazer o que sempre faz nessas ocasiões: uns aplaudiram com devoção, outros ignoraram com elegância e uma terceira categoria – da qual me considero humilde representante em toda minha proverbial grandeza e infinita sabedoria – leu o documento com atenção genuína e uma sobrancelha erguida em posição permanente.

O texto é longo, erudito à moda vaticana – citações em latim, referências ao Concílio Vaticano II, a Leão XIII e a toda a linhagem de encíclicas sociais da Igreja – e dedica uma atenção incomum à Inteligência Artificial, ao ponto de colocar o tema no próprio subtítulo: “Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial”. Leão XIV, aliás, é matemático de formação, o que garantiu ao documento pelo menos a vantagem de não confundir algoritmo com feitiçaria. Continuar lendo “Babel, Jerusalém e os algoritmos: A IA sob a lente do Vaticano” →

Artigos da Semana 307

O dia começou uma merda. Na verdade, começou no fim do dia de ontem quando eu fiz uma cagada e alguns arquivos PUF, desapareceram. Por sorte, corri pras IA e as IA me ajudaram a resolver. Não resolveu 100%, mas 95%, o que já tá ótimo, e isso a um custo de 2 centavos de dólar. De repente, eu conto como foi, se vocês quiserem saber, com todo caminho das pedras. Enquanto isso, vejam o que eu postei durante a semana.

Continuar lendo “Artigos da Semana 307” →

A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral

O Brasil descobriu, na semana passada, que a guerra cultural pode ser travada em qualquer front, inclusive na pia da cozinha. Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou a Resolução 1.834/2026 determinando a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a segunda marca mais presente nos lares brasileiros, perdendo apenas para a Coca-Cola no ranking do que o brasileiro médio tem em casa (falta de noção não entrou no cômputo por ser hors concour). A medida atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo em sua unidade de Amparo (SP), especificamente nos lotes com numeração final 1. Parece simples, parece técnico, parece o tipo de coisa que seria notícia por dois dias e sumia. Parecer, parece, mas o Brasil tem outros planos. Continuar lendo “A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral” →