O Vale das Baleias Mortas

A humanidade tem um talento quase artístico para acreditar que já conhece o próprio planeta. Afinal, já fotografamos buracos negros, enviamos sondas para além dos limites do Sistema Solar e colocamos satélites suficientes em órbita para que uma geladeira consiga reclamar da velocidade da internet. É fácil imaginar que os grandes mistérios geográficos ficaram para trás, enterrados em alguma época em que exploradores navegavam usando mapas desenhados por pessoas que claramente estavam improvisando.

Mas a Terra adora destruir nossa confiança. Continuar lendo “O Vale das Baleias Mortas”

A misteriosa bola dourada do fundo do oceano

Em agosto de 2023, o veículo submarino de operação remota Deep Discoverer, pertencente ao navio de exploração Okeanos Explorer da NOAA, estava farejando o fundo do Golfo do Alasca a cerca de 3.250 metros de profundidade – algo próximo a três quilômetros e um quarto abaixo da superfície – quando deparou com algo que ninguém conseguia explicar: uma esfera dourada de uns dez centímetros de diâmetro, grudada numa rocha como se fosse um enfeite de Natal extraviado no fundo do mar. As reações da equipe, transmitidas ao vivo, foram um estudo de caso em perplexidade científica institucionalizada. “Eu não sei o que pensar sobre isso”, disse um. “Meu primeiro palpite seria uma esponja, mas…”, tentou outro, antes de sugerir, com a seriedade de quem acabou de resolver o enigma do universo, que talvez fosse uma boa ideia cutucar o negócio para ver se era duro.

O objeto foi coletado com o sugador do robô e enviado ao Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian. O que se seguiu foi um dos casos mais democraticamente frustrantes da ciência moderna: mais de dois anos e meio de investigação para descobrir que aquilo era, no fundo, uma pegada. Continuar lendo “A misteriosa bola dourada do fundo do oceano”

Mergulhadores, baços, genes e ética indo por água abaixo

Volta e meia aparece alguma notícia ouvindo algum especialista dizendo que não, seres humanos não têm mais para onde evoluir. Ou chegamos num ponto final evolutivo, e daí é extinção, ou evoluiremos de tal forma que deixaremos de ser humanos. Evolução riu e disse “Hold my genes!”

Um exemplo é o povo bajau, também conhecidos como “ciganos do mar” ou “nômades do mar”. Este povo do sudeste asiático ainda vive como caçadores-coletores, tirando do mar seu meio de sobrevivência. Acabou a comida ali, eles picam a mula para outro lugar e TCHBUM! Bóra pra pescaria subaquática. Mas há algumas coisas interessantes a saber sobre a biologia desse povo.

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A vida secreta nas profundezas do Atlântico

Qualquer um que tenha lido (ou assistido) Jurassic Park sabe que a vida sempre dá um jeito. Ela nasce em ralo de banheiro, fossas termais e até na casa do seu cunhado. Seja tardígrados seja aquela bactéria lazarenta que lhe dá uma diarreia monstruosa, podemos encontrar vida nos lugares ais esquisitos da Terra. E isso inclui lugares muito, muito longe, como alguns vários quilômetros…

Para baixo.

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NOAA lança visualizador on-line que permite explorar o chão dos oceanos

O NOAA é uma espécie de irmã da NASA. Enquanto a NASA cuida de qualquer coisa que voe dentro ou fora da atmosfera, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera cuida de estudar eventos climáticos e tudo o que diz respeito aos oceanos.

Seu site tem muitas informações, e terá mais ainda, pois você poderá ter acesso a mapas do fundo do reino de Netuno (e em 3D!), mas é pouco provável de ver A Ariel cantando Under the Sea.

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Altos índices de gás carbônico podem aumentar tamanho dos crustáceos

O aumento de gás carbônico (CO2) na atmosfera não causa apenas intensificação do efeito estufa (não confunda efeito estufa com aquecimento global). O aumento da concentração de CO2 afeta a química dos oceanos também, produzindo maior quantidade de ácido carbônico (H2CO3) e, de quebra, pode fazer com que alguns crustáceos se tornem maiores e mais fortes, conforme sugere pesquisa da Universidade de North Carolina em Chapel Hill.

A descoberta pode ter implicações importantes para a cadeia alimentar marinha (além de nos dar a sensação que algum alien do Distrito 9 apareça para dar um “olá”). Continuar lendo “Altos índices de gás carbônico podem aumentar tamanho dos crustáceos”