
Existe uma ciência que dispensa telescópio de bilhões e acelerador de partículas: basta um texto velho, um mapa e uma teimosia admirável. É a ciência que usa registros históricos como instrumento de medição, e ela funciona bem com eclipses. Como Sol e Lua seguem uma coreografia previsível, saber onde e quando um eclipse foi visto permite deduzir, anos-luz de distância do evento (metaforicamente), quão depressa a Terra girava naquele instante. O céu, afinal, sempre foi o melhor cronômetro que já tivemos, e os escribas da Antiguidade eram os únicos que anotavam as leituras.
Foi com essa lógica que uma equipe internacional revisitou um dos registros mais antigos e mais precisamente datados de um eclipse solar total, ocorrido em 709 A.E.C. na capital do antigo Ducado de Lu, na China. Havia um problema constrangedor: quando os pesquisadores refizeram o cálculo com as melhores estimativas disponíveis para a rotação da Terra, a conta teimava em dizer que, naquele lugar, o eclipse não poderia ter sido total. Os cronistas afirmavam uma coisa, a astronomia afirmava outra, e alguém estava errado. Spoiler: não eram os cronistas. Continuar lendo “Antes de criticar o sábio chinês, confira o endereço”





O que está subindo acima do horizonte, erguendo-se majestoso? É o Sol, nosso amigo Sol, que está lá, bem longe daqui. A magnífica estrela tão perto da gente que nos envolve com seu calor esfuziante, mas sem nos torrar severamente graças à nossa atmosfera.Nem sempre o nascer do Sol é com ele redondinho, redondinho. às vezes, apenas um anel, mostrando o quando seu poder esfuziante se faz sentir ainda que uma bela parte dele não apareça.
Eclipses sempre foram mágicos, misteriosos e assustadores. Antigos chineses acreditaram que o Grande Dragão devorava o Sol. Possivelmente, Glaurung, aquele grandessíssimo FDP. Outros achavam que era obra de Satã, Nosso Senhor, enquanto outros não achavam nada, pois sua expectativa de vida não era lá grande coisa. Os EUA estavam radiantes com isso. Não é para menos, já que a última vez que um eclipse solar de costa a costa foi em 1918.