
Há duas formas de sobreviver a uma catástrofe. A primeira é escapar dela. A segunda é não escapar, mas ainda assim atravessar dois milênios com uma história boa o suficiente para que alguém resolva contá-la. O cidadão de Pompeia que saiu correndo com um bacião de barro na cabeça claramente falhou na etapa prática da coisa. Mas, em compensação, venceu com folga na parte narrativa. Pouca gente consegue morrer de forma tão absurdamente humana e, ainda assim, reaparecer séculos depois com direito a “retrato” digital.
E aqui estamos nós, em pleno século XXI, usando a mesma tecnologia que produz gatinhos astronautas para devolver o rosto a um sujeito que só queria não ser atingido por uma chuva de pedras vulcânicas. É o tipo de ironia histórica que Pompeia adora oferecer: enquanto o Vesúvio transformava uma cidade em cápsula do tempo, a inteligência artificial, dois mil anos depois, tenta fazer o caminho inverso. Nem sempre com perfeição, mas com uma intenção curiosamente nobre. Continuar lendo “O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta”









