Capivara da balé em autoridades inglesas. GO, SAMBA, GO!

Há uma longa tradição de animais que chegam a um lugar novo, dão uma olhada cínica ao redor com cara de fiscal do INSS e decidem: “isso aqui não passa nem no crivo da mais baixa expectativa”. Pombos fazem isso com aeroportos lotados. Gatos fazem isso com o conceito inteiro de dignidade humana. E Samba, uma capivara de nove meses recém-chegada ao Marwell Zoo em Hampshire, Inglaterra, fez isso com a calma de quem já leu o contrato, viu o “espaço temporário” e concluiu que o diabo está nas cercas mal soldadas.

Samba e sua irmã Tango (deveria ser Tango e Cash, mas quem batizou não é fã do Stallone), vindas do Jimmy’s Farm & Wildlife Park em Ipswich chegaram no Zoológico Marwell em 16/03. Recepção calorosa, protocolo humano inteiro para fingir que controla a natureza, saúde ok, ambientação provisória, o de sempre. Elas foram acomodadas em um “holding home” temporário (leia-se: gaiola de transição que qualquer roedor com instinto básico percebe como piada de engenharia). Menos de 24 horas depois, a descoberta: as duas picaram a mul… capivara?

Bem, Tango, a covarde da dupla, não foi longe: se escondeu em arbustos dentro do próprio zoológico e foi resgatada rapidinho. Samba? Samba é tipo Dora Aventureira e ralou peito. 80 kg de roedor sul-americano que olhou para o Brexit de biodiversidade e disse “não, obrigada” e sambou na cara dazinimiga.

O zoológico, com aquela fina ironia inglesa que transforma fiasco em “incidente educativo”, chamou Samba de “more adventurous”. Tradução honesta: “perdemos uma capivara de nove meses e estamos torcendo para que ninguém perceba que nosso controle de qualidade é uma bosta”.

Aí começou o circo completo: equipes especializadas incansáveis, cães farejadores de elite, drones térmicos, autoridades locais, o SAS e o Mr. Bean. Todo mundo notificado, e até apelos para que o público cheque jardins, lagoas, rios e qualquer poça d’água depois do pôr do sol, porque, pasmem, capivaras gostam de água. Descoberta revolucionária. Daqui a pouco confirmam que o céu é azul e que humanos adoram complicar o óbvio com tecnologia de ponta.

Enquanto isso, Samba curtia a vida de turista fugitiva. Foi flagrada na quarta à noite em Owslebury, pertinho de um pub (Ship Inn, para ser exato), como qualquer cidadão decente numa noite inglesa. Pessoal devia ter pensado que já tinha tomado todas ao olhar pela janela e comentado “tem uma capivara ali fora”. Não um labrador fofo. Não uma raposa urbana. Uma capivara sul-americana. Vamos dar um crédito que não é algo que se vê diariamente.

Após os avistamentos (especialmente perto do rio e da região de Owslebury) as equipes do Marwell Zoo continuavam monitorando com drones térmicos e buscas em áreas aquáticas, mas sem sucesso imediato. Ela basicamente entrou no modo “fantasma semiaquático”. Se algum de vocês virem Samba por aí, deixem-na em paz. A coitada deve ter se cansado de comer fish’n chips e resolveu ganhar o mundo.

Força, Samba! Follow your dreams!


Fonte: o pessoal desconcertado do Zoológico zoado.

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