Menina de 10 anos salva pessoas de um tsunami

Há anos que eu ouço a mesma ladainha: “Para que eu quero aprender isso?”. De certa forma, os alunos têm uma certa razão, pois ensina-se muitas bobagens inúteis e complicadas sem um motivo do porquê. Eu, por exemplo, acho totalmente tolo ensinar regra de Hund, configuração eletrônica em subníveis (eu concordo que se ensine configuração em níveis), números quânticos etc. Mas o maldito vestibular dita as regras e o ENEM não mudará esse quadro.

Entretanto, nem tudo que se aprende é inútil. Muitas vezes, uma simples informação pode salvar muitas vidas, transformando uma pessoa comum em herói, como foi o caso da menina neozelandesa de nome Abby Wutzler, de apenas 10 anos. Ela salvou dezenas de pessoas, simplesmente porque se lembrou das aulas de Ciências no colégio.

Abby e sua família estavam de férias em Samoa. Ela notou que as águas começaram a recuar rapidamente, e como se lemrou das aulas de sua professora, que deve estar mais do que orgulhosa, ela correu feito uma louca avisando que vinha um tsunami.

Tsunamis, o maior sonho de um surfista, é uma onda gigantesca, muitas vezes causado por um abalo sísmico. Em 29 de setembro, um abalo de 8 graus na escala Richter, que vai até 9, causou um tremor muito forte, formando uma onda gigantesca. Nesse dia, cerca de 200 pessoas perderam a vida em algumas ilhas de Samoa (que na verdade é um arquipélago) e Tonga… menos os que estavam na praia de Lalomaru, pois era lá que Abby com os pais em Sini Litia Beach Resort, quando viu o prenúncio do desastre.

Qualquer um que possua um mínimo de senso de observação desenvolvido (cerca de 0,1% das pessoas) deve ter visto que quando uma onda se aproxima, o limite da água recua. Quando uma larga faixa de água recua, é porque algo está muito errado. Abby aprendeu que um tsunami faz com que uma enorme massa de água recue, exatamente para formar a onda gigantesca.

O que diferencia heróis de vítimas é a coragem para agir em curto espaço de tempo. Abby começou a avisar que vinha vindo uma onda gigante e, como estavam num lugar sujeito a isso, as pessoas acharam por bem sair correndo. E isso fez toda a diferença.

Em reconhecimento a sua coragem, Abby Wutzler recebeu um certificado do Diretor da Proteção Civil neozelandesa em homenagem à sua coragem e determinação.

“Lembro-me de correr e olhar para trás e ver árvores caindo e então eu olhei na minha frente de novo, porque eu não queria sair da pista”, disse Abby, que estava muito feliz de falar sobre o tsunami, mas apenas porque sua família estava a salvo.

“Fiquei muito assustada, porque eu achava que minha família estava morta. Meu irmão tinha subido mais alto e meu pai estava na água”, disse ela.

A professora Kay Mudge, que ensinou a Abby como reconhecer os sinais de um tsunami, disse que “é a primeira vez, em 20 anos, que pode dizer com certeza que algo que ensinou ficou bem registrado”. A professora também foi recompensada pelos seus méritos, ainda mais porque a Nova Zelândia não é o Brasil, onde professor é tratado feito lixo. Lá, eles sabem que o verdadeiro agente do processo de ensino é e sempre será o professor, ao contrário do que muitos teóricos da Educação “pensam” (me disseram que isso era pensamento. Vai saber).

Com modéstia, Abby diz que “ao fim do dia, todos os que sobreviveram são heróis”. Mas, no fundo, as dezenas de pessoas devem suas vidas a uma simples menina de 10 anos, apesar de aparecer algum tosco dizendo que ela foi uma espécie de enviada divina, mas esquecendo que quase duas centenas morreram. Deus sabe o que faz…

Isso mostra a importância que um ensino de qualidade traz, e não crendices tolas. Se Abby ficasse de joelhos rezando, ela e o restante das pessoas estariam nos Céus Amigos de Javé ou, mais provavelmente, debaixo de toneladas de água. Não foi nenhum designer inteligente que salvou as pessoas, mas o Método Científico: Observação Análise e Conclusão.

Abby ficou satisfeita com a pilha de presentes que ela ganhou ontem, que incluiu uma caneta de Defesa Civil dizendo: “Qual é o plano Stan?” e um rádio que funciona como um carregador de celular. Ela disse que era importante estar preparado para catástrofes naturais.

A Lista de Schindler popularizou o ditado: “Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro”. Se isso é verdade, você deve a sua vida dezenas de vezes a Abby Wutzler.


Fonte: Euronews

7 comentários em “Menina de 10 anos salva pessoas de um tsunami

  1. “Se Abby ficasse de joelhos rezando, ela e o restante das pessoas estariam nos Céus Amigos de Javé “.

    Nenhum artigo do cet.net vem ao mundo em “vão” hahahaha

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  2. Tô convicto que se isso acontecesse no Brasil, com uma típica família brasileira, o pai tacaria a lata de cerveja na filha e mandaria ela ir coletar coquinhos na praia.

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  3. :lol:
    Eu já acho que se o mar recuasse aqui no Brasil, em um dia de Sol, Copacabana lotada, :lol: eu tenho certeza que os idiotas iriam recuar junto, pra sentir a areia molhadinha. :lol:

    Muito legal a observação da menininha, criança as vezes surpreende a gente com suas intuições.
    Esses dias eu perguntei para o meu pequenininho de 3 anos, só pra ver o que ele diria. Você sabe como a Lua foi feita, como os planetas foram feitos e as estrelinhas foram feitos?
    Ele pensou, abriu os braços e disse: Foram feitos assim. Gesticulou: fechou os braços rapidamente e bateu forte as suas duas mãozinhas.
    :grin: Eu não lembro de ter ensinado alguma coisa sobre o big bang pra ele, mas com certeza ele andou captando isso por ai.

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