Vocês sabem, eu adoro ciência. Ela é incrível, elucidativa e… divertida. Sim, eu me divirto aprendendo coisas novas. A questão é que eu TAMBÉM me divirto com certas pesquisas, mas por outros motivos. Aqueles motivos que também divertem outras pessoas a ponto de terem criado um prêmio para isso: o IgNobel, e uma pesquisa da qual fiquei sabendo deve alçar um certo pesquisador ao estrelato. De um jeito ou de outro.
Burros não gostam do clima britânico, detestam a chuva e o vento das terras da Rainha Elizabeth e ralam peito assim que as nuvens se adensam e as temperaturas caem.
Continuar lendo “Jumentos não são burros de ficar no frio inglês trabalhando feito cavalos”

Dizem que se você não serviu pra nada mais, acabará sendo professor. Hoje em dia, a frase ficaria melhor da seguinte forma: Se você não aprendeu nada na vida, vai acabar virando youtubeiro. E se o principal que você não aprendeu é exatamente Ciências, muito provavelmente se tornará divulgador científico no YouTube. Hoje, YouTube é que nem papel: aceita qualquer merda e quanto maior a merda, mais sucesso faz.
Pessoal das redes sociais está maravilhado com um vídeo do Ministério da Saúde que jura de pés juntinhos ser real, gravado com câmera escondida, levando pessoas para uma pesquisa em uma sala bonita com ar-condicionado, janelas de vidro e os proverbiais espelhos para colocar câmeras que nem em sala de interrogatório de filmes. De acordo com o vídeo, as pessoas dali estavam participando de uma pesquisa para dizer o que acham das vacinas. Os entrevistados dizendo que não acreditam em vacinas, que vacinas matam crianças etc. No final, a entrevistadora diz que era uma criança saudável que contraiu paralisia infantil, as pessoas se emocionam, cai uma lágrima, todos se abraçam, só faltou ter um cachorrinho. Veja o vídeo.
Eu gosto de soluções mágicas. Elas funcionam no mundo maravilhoso que aquele problema é único e não refletirá em mais nada. Assim, resolvesse o galho e todo mundo cavalga em direção ao pôr-do-sol ao som de Enio Morricone. O problema é que a realidade caga e anda pra isso e tudo o que se faz tem impacto, de um jeito ou de outro. Só quem não sabe disso são os jêneos que resolveram como melhorar o mundo: Encher o Saara de fazendas eólicas e solares de forma a suprir as necessidades energética do mundo inteiro.
E depois que o Museu Nacional virou cinzas, descobrimos que o filme da Educação está queimado também. Motivo? Nada não. Só o fato que nenhum (“nenhum” significa NENHUM!) dos estados conseguiram atingir a meta proposta para o IDEB, mas isso não é surpresa. Só as puras almas cândidas chegaram a aventar que conseguiriam atingir a meta.
Indo direto ao assunto, estimativas MUITO otimistas estão agora dizendo que o Brasil tem 30% de analfabetos funcionais. Tenho certeza que o número é muito maior, mas vá lá. 30% de gente que não é capaz de ler, escrever ou compreender textos completamente ou fazer contas de forma decente. 1% (num país com mais de 200 milhões de habitantes) já é um número avassalador e inaceitável, mas beleza, 3 em cada 10 pessoas é analfabeto funcional, no big deal!
Tem muita coisa insana neste mundo de Hades. Ainda mais quando envolve alguma coisa com relação à burocracia estatal. Qualquer um que já teve que ir num cartório ou qualquer repartição pública sabe o inferno que é quando começam a pedir o CPF do seu avô irlandês que nunca pousou os pés no Brasil e tenho dúvidas se vovô Seamus sabia em que continente o Brasil ficava (sim, isso aconteceu comigo num cartório. Foi duro fazer um zé ruela entender que meu avô não só nunca veio aqui, como falecera em 1953, tendo o CPF sido criado em 1965, ainda com o nome de Cartão de Identificação do Contribuinte).
Normalmente, fariam este tipo de pergunta numa enquete na rua ou em alguma rede social. A vantagem da rede social é que as respostas virão acompanhadas de provocações e xingamentos por ambos os lados. Se você quer começar a tocar o terror, vai em frente. Mas que tal se você perguntar na sala de aula, direto aos próprios alunos?