O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial

Durante séculos, fazer Química (com ela a oração e a paz) significou basicamente isto: misturar coisas, ver o que explode, anotar o resultado e tentar de novo no dia seguinte. Bancadas cheias de vidraria, sobrancelhas eventualmente chamuscadas e uma paciência de santo foram – e continuam sendo – os verdadeiros pilares do método científico na área. Entretanto, equipamentos feitos de dióxido de silício estão, aos poucos, contando com a ajuda cada vez maior de outras coisas feitas de silício: processadores, e, em 2026 uma parte considerável desse ritual está sendo terceirizada para algoritmos que nunca dormem, não reclamam de exaustor entupido e ainda por cima têm bom gosto para sugerir rotas de síntese. Continuar lendo “O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial” →

Governo Americano coloca o… dólar na mesa e empresas de IA pedem penico

Todo mês tem um espetáculo novo. Um dia é o governo “investigando” as coitadíssimas Big Tech, no outro é a Big Tech “resistindo bravamente” às garras do Estado, e a plateia aplaude como se estivesse assistindo a uma luta de verdade, com mocinho e vilão bem definidos, em que cada babaca espectador escolhe um lado. Só que essa encenação de rivalidade cansou de ter final óbvio: sempre que a poeira baixa, as mesmas cinco empresas continuam maiores, mais ricas e mais indispensáveis do que antes, e o mesmo governo continua com mais acesso e mais controle informal do que qualquer lei jamais lhe deu.

Chame de teatro regulatório, de kabuki político ou simplesmente de negócio da China (rá!): a dinâmica é sempre a mesma. Anuncia-se um confronto, vaza um vídeo de audiência tensa no Congresso, publica-se uma “ofensiva regulatória” na imprensa, e no fim das contas as regras que saem desse processo são escritas, editadas e aprovadas pelas próprias empresas que deveriam estar sendo domadas. O que muda de um episódio para o outro não é o roteiro, é só o nome do vilão da vez e o ângulo da câmera. No final, você já sabe: todos eles almoçam juntos! Continuar lendo “Governo Americano coloca o… dólar na mesa e empresas de IA pedem penico” →

Drone gringo joga pimenta para conter gente doida atirando em escolas

Os Estados Unidos têm um problema sério com ataques de gente surtada armada varando geral em escolas. Eu até entendo quando olho para os meus alunos, mas alguns casos são meio extremos. Combater isso não é simples: dá para colocar detectores de metal na entrada, reforçar o policiamento, aumentar a segurança… só que nada disso parece resolver de verdade. Foi aí que surgiu a solução definitiva: uma versão Terminator baiano tacando pimenta no lazarento que resolve se meter numa escola com fuzil.

Esse tipo de cena a gente imaginaria em algum filme futurista dos anos 90, cheio de neon nos prédios e robôs patrulhando tudo, só faltando o Juiz Dredd aparecer. Só que o caso em questão é o de hoje e já está a caminho de algum corredor de uma escola pública da Geórgia; o robô gigante trocado por um drone de plástico e a arma por um borrifador de pimenta. A vida imita a arte, mas em versão econômica, com orçamento de prefeitura. Continuar lendo “Drone gringo joga pimenta para conter gente doida atirando em escolas” →

Vazou vídeo do interior da starship. Not impressed!

Normalmente, quando eu vejo algo ser anunciado como vazamentos, eu já penso em colocar aspas, pois soa mais como… “vazamentos”, se me entendem. Ao que parece não foi o caso, quando divulgaram vídeos de instalações da SpaceX ao que parece como vai ficar a Starship no Twitter, que é do mesmo nerd neurastênico que normalmente tem ataques de infantilidade.

Não demorou muito pros vídeos postados lá na rede de microblogs começarem a despencar pro limbo do Vazio e então pensei “hummmmm”.

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Artigos da Semana 316

É muito triste a vida sem Copa do Mundo. Uma semana sem e já estou com crise de abstinência. Para sanar isso, só começando com outro projeto. Eu falo disso num dos artigos: um novo site no Substack, com artigos apenas em inglês. Veja este e outros assuntos postados durante a semana.

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A utopia pós-escassez que só existe na cabeça de quem nunca pegou um busão

Há uma coisa que me impressiona… ok, duas coisas. Ok, várias coisas, mas citarei a hipocrisia das pessoas e a falta de contato com uma realidade. É como dizer “ain, a vida é linda depois dos 40”, o que me dá dúvidas se as pessoas 50+ ou mesmo 60+ que pegam ônibus às 4 da manhã para irem trabalhar com 3 horas de trajeto de ônibus concordam com isso. A bolha leva pessoas a falarem um monte de asneiras, ainda mais quando você é um boquirroto que gosta de falar qualquer besteiras que passa pela cabeça porque gosta de ouvir a própria voz.

Nosso amigo Elão Almíscar é um perfeito exemplo de alguém assim. O cara que vale um trilhão acha que dinheiro será irrelevante no futuro próximo. O que podemos deduzir disso? Continuar lendo “A utopia pós-escassez que só existe na cabeça de quem nunca pegou um busão” →

Da numerologia ao algoritmo: mesmos videntes, roupagem nova

Há um pânico circulando pelo mercado de trabalho brasileiro, e ele tem nome técnico, PowerPoint corporativo (ok, atualmente é feito naquela merda do Canva) e até fala em inglês: dizem que a Inteligência Artificial vai decidir quem é contratado, promovido ou despedido, e que ninguém mais entenderá os critérios por trás disso.

Executivos de inovação concedem entrevistas graves alertando que a “revisão humana” nesses processos costuma se resumir a um recrutador carimbando a lista que o algoritmo já organizou, e que empresas raramente sabem explicar como o sistema chegou a determinada classificação. Tudo isso é verdade, é seríssimo, e merece ser dito. Só tem um pequeno detalhe incômodo: nada disso é novidade. O RH brasileiro só trocou de vidente.

Jogando o búzio no algoritmo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Da numerologia ao algoritmo: mesmos videntes, roupagem nova” →

A Verdadeira História das Luvas Cirúrgicas

Há coisas que a gente aceita como óbvias sem nunca se perguntar de onde vieram, e a luva cirúrgica é uma delas. Hoje, a ideia de um cirurgião enfiando as mãos nuas dentro de um paciente soa tão absurda quanto pedir a um eletricista que trabalhe descalço numa poça d’água. Mas até o fim do século XIX era exatamente assim que a medicina funcionava: sem luvas, sem lavagem de mãos entre um paciente e outro, e com uma taxa de mortalidade cirúrgica que beirava os 50%.

Esta é a história de como um romance salvou a cirurgia moderna. Continuar lendo “A Verdadeira História das Luvas Cirúrgicas” →

Artigos da Semana 315

Hoje é a finalzaça da Copa do Mundo, e estou escrevendo com antecedência. Não sei quem ganhou e, sinceramente, não dou a mínima. Gosto do espetáculos, admirar as boas jogadas, xingar as jogadas merdas e, principalmente, xingar o jogador filho da puta que faz escanteio curto. Seja você ávido torcedor ou não, aproveite o que foi postado durante a semana.

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O amor proibido nos tempos do algoritmo

O ser humano passou milênios escrevendo poemas para explicar por que o amor é irracional, um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente. Então, inventou computadores capazes de conversar, decidiu transformá-los em namorados e, agora, chegou ao ponto em que um governo precisou publicar uma regulamentação para lembrar que, em princípio, pessoas deveriam se apaixonar por outras pessoas. Se algum arqueólogo do futuro encontrar apenas essa manchete, provavelmente concluirá que nossa civilização morreu de vergonha logo depois.

Foi exatamente isso que aconteceu na China. Entraram em vigor regras que proíbem sistemas de inteligência artificial de estimular dependência emocional ou funcionar como companheiros românticos da maneira como vinham fazendo.

Romanceando pelo algoritmo chatboteano, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O amor proibido nos tempos do algoritmo” →