As dez vezes que o mundo quase acabou

Existe uma pergunta que nenhum livro de história costuma fazer com a seriedade que merece: quantas vezes a civilização humana sobreviveu não por competência, estratégia ou sabedoria diplomática, mas por pura e simples sorte? A resposta, se você tiver estômago, é: pelo menos dez vezes documentadas, só na segunda metade do século XX. Provavelmente mais, porque boa parte dos arquivos ainda está registrada como “SECRETO” e somente pros olhos de alguém bem importante. O que se sabe já é suficiente para tirar o sono de qualquer pessoa com menos de três drinques no corpo.

Bombas nucleares caindo sobre o território americano. Submarinos prontos para lançar torpedos atômicos porque a água estava quente demais. Exércitos soviéticos em alerta máximo porque a OTAN decidiu fazer um joguinho de guerra realista demais. Um bando de cisnes voando sobre a Turquia. Um urso, sem filiação política conhecida, quase iniciando a Terceira Guerra Mundial. Continuar lendo “As dez vezes que o mundo quase acabou”

Químicos sumérios já faziam o melhor que químicos fazem: inventaram o futuro

Uma das maiores inovações tecnológicas trazidas pela indústria do petróleo foi o asfalto. O asfalto é tão onipresente que virou sinônimo de modernidade urbana, de progresso industrial, de engenharia do século XX. Algo bem recente na História da Civilização, certo? Bem, não é bem assim. Os sumérios da Mesopotâmia já dominavam a lógica por trás dele há mais de quatro mil anos. Sem laboratório moderno, sem espectrômetro e, presumivelmente, sem nenhum PowerPoint de apresentação para a diretoria. Só observação, repetição e um conhecimento acumulado que atravessou gerações de artesãos em algum canto quente e úmido do que hoje é o sul do Iraque.

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O falecimento da Internet

Uma das maiores invenções do século XX foi a computação pessoal. Saímos dos grilhões que dependíamos de terminais burros acessando mainframes. Cada um podia ter seu próprio computador, fazer seus próprios programas ser senhor do seu pequeno mundo virtual. O problema é que você tinha que saber muito de eletrônica, tinha que saber muito de programação e ter o seu próprio computador mas para simples satisfação pessoal, o que não ajudava muito. Então, surgiu o Altair: sabendo programação, você podia usar as chavinhas para programá-lo. Veio Steve Wozniak e fez algo amigável. Veio os diferentes tipos de computadores (Commodore, Z-Spectrum, Amiga etc). Cada máquina com seu Sistema Operacional próprio. E então, o IBM-PC e o mundo foi outro. Você podia instalar o DOS e ter uma imensa variedade de programas, com a grande virada do Windows, que transformou tudo em muito mais amigável.

Ah, sim, veio o MacOS que jura que foi kibado pelo Windows, mas sabemos muito bem que tio Bill Gates pagou uma grana gostosa para a Xerox para ter a interface gráfica, enquanto a Apple praticamente roubou na cara dura com anuência dos executivos da fábrica de copiadoras, no que resultou em pedido de demissão em massa do PARC da Xerox. Continuar lendo “O falecimento da Internet”

O homem que acreditava ser o rei da França

Era uma vez um homem que acordou numa bela manhã de setembro de 1354, como sempre acordara nos seus 38 anos de vida: um próspero comerciante de Siena, ocupado com os negócios de sempre, preocupado com lucros, prejuízos e as pequenas intrigas da tosca República de Toscana. O mundo dá voltas mas de vez em quando ele capota, e quando a noite caiu sobre aquele mesmo dia, ele já se acreditava o legítimo rei da França. Não houve febre, não houve delírio, não houve nenhum cogumelo mágico medieval que justificasse a transformação. Houve apenas uma convocação, uma conversa e uma revelação tão absurda que parecia ter saído diretamente de uma novela.

Esta é uma SEXTA INSANA MEDIEVAL! Continuar lendo “O homem que acreditava ser o rei da França”

Penisgate: a Olimpíada de Inverno e a batalha aerodinâmica mais constrangedora da história do esporte

A Agência Mundial Antidoping (World Anti-Doping Agency, WADA) já teve que lidar com muita Coisa ao longo dos anos. Sangue sintético, urina congelada de terceiros, testosterona escondida em cremes e shampoos, aquele esquema russo digno de roteiro de John le Carré envolvendo buraco na parede do laboratório. Mas nada, absolutamente nada na gloriosa história da trapaça esportiva preparou a WADA para o momento em que, a menos de 24 horas da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de 2026 em Milão, seu diretor-geral teve que sentar numa coletiva de imprensa e responder com a cara mais séria possível se a agência ia investigar atletas olímpicos que supostamente estavam injetando ácido hialurônico no pênis para ganhar medalhas no salto de esqui.

Pausa para você reler essa frase e confirmar que não, você não está tendo um derrame, e sim, vivemos numa linha do tempo completamente surreal em que tem que dar uma guaribada no pinto para não entrar numa fria em meio a uma competição.

Pintando e bordando com trapaça em olimpíadas, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Penisgate: a Olimpíada de Inverno e a batalha aerodinâmica mais constrangedora da história do esporte”

Picatrix: O Manual de Instruções do Feiticeiro Malvado

Se você já se perguntou como um vilão medieval se tornava vilão de verdade (e não apenas aquele rei chato que cobrava impostos absurdos), a resposta está condensada em um único livro. Um livro que, por sinal, andava circulando pelas melhores bibliotecas da Europa durante séculos, com a mesma normalidade que livros de auto-ajuda tipo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, que foi febre lá pelo início dos anos 2000. Esse livro se chama Picatrix, e ele é, sem exagero, um dos documentos mais estranhos, mais mórbidos e mais fascinantes que a Idade Média nos legou.

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O assalto que revolucionou a Psicologia

Existe um momento mágico na vida de todo policial: aquele instante em que levanta uma das sobrancelhas e se pergunta “É sério isso?”. Foi mais ou menos isso o que aconteceu com a polícia de Pittsburgh, na Pensilvânia, em 6 de janeiro de 1995. Naquele dia, dois homens roubaram o Mellon Bank na agência de Swissvale (de onde levaram US$ 5.200 às 14h47min) e o Fidelity Savings Bank no bairro de Brighton Heights, achando que estavam encenando “11 Homens e Um Segredo”, mas com serias restrições orçamentárias.

A dinâmica do assalto foi simples: um deles fazia papel de vigia na fila enquanto o outro apontava uma arma para o caixa, pegavam alguns milhares de dólares e ambos picavam a mula. Nada de sofisticação hollywoodiana, nada de disfarces elaborados. Aliás, nada de disfarce algum! Continuar lendo “O assalto que revolucionou a Psicologia”

Artigos da Semana 290

Tá chovendo a semana toda. Eu estou aqui, com uma caneca de chocolate quente, entre minhas cobertas, feliz da vida ainda de férias. Lancei esta semana dois livros em que eu conto histórias, e lançarei mais livros separando os volumes por eras e assuntos. Tem até um artigo que eu só falo disso, além de outras coisas que eu postei durante a semana. Bóra ler?

E comprem meus livros. Custa só R$24,90 cada um.

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Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André

Este é um ano que começou com novidades em termos de projetos. Um projeto que eu já vinha conduzindo há um tempo e com cuidado. Algo que finalmente deslanchei (ainda que não totalmente). Então, depois de revisões e tal, começou a saírem eles: meus livros! Continuar lendo “Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André”

A insana Bomba de Morcegos

Planeta Terra, cidade Tóquio. Como todas as grandes metrópoles em sua época, Tóquio tinha um grande problema: a Segunda Guerra Mundial. No amanhecer de 1943, o rugido de um avião irrompe o ar frio da manhã, cruza o céu e larga um container que parece uma bomba comum. Só que não é. A uns 300 metros de altitude, o troço se abre e liberta milhares de morcegos. Silenciosos, rápidos, quase invisíveis, eles se espalham pela cidade procurando um cantinho escuro para descansar. Infiltram-se sob telhados, em casas e prédios, sem critério especial. Mas esses não são morcegos comuns.

Cada um carrega uma pequena bomba incendiária amarrada ao corpo. Quando o sol nasce, o temporizador dispara. Milhares de ignições simultâneas incendeiam as construções de madeira do Japão. Em minutos, a cidade inteira está em chamas. Continuar lendo “A insana Bomba de Morcegos”