Quando ratos foram réus num julgamento e um advogado malandro os salvou

O recinto está preparado, a audiência se iniciará em poucos minutos. Os gentis-homens se posicionam com suas graves roupas, adequadas ao ofício que exercem. Chapéus bem arrumados, meias bem esticadas, túnicas bem alinhadas, casacões postos. Um deles passa a mão grossa pelo largo rosto e ajeita a barba; e com sobrancelhas fechadas, olhos diminutos e atentos farejando uma vítima, um réu, um culpado. O home que chega então anuncia que o réu não poderá tomar o lugar que lhe deve e um advogado é indicado. Outro grave homem se senta e espera que se dê início à sessão, pois ali o réu maldoso, o mal encarnado, o facínora será julgado.

A sessão tem início e o julgamento começa à revelia do ausente réu; a saber: um rato, e este talvez seja um dos mais estranhos julgamentos, mas não é o único de sua espécie. Continuar lendo “Quando ratos foram réus num julgamento e um advogado malandro os salvou”

Artigos da Semana 315

Hoje é a finalzaça da Copa do Mundo, e estou escrevendo com antecedência. Não sei quem ganhou e, sinceramente, não dou a mínima. Gosto do espetáculos, admirar as boas jogadas, xingar as jogadas merdas e, principalmente, xingar o jogador filho da puta que faz escanteio curto. Seja você ávido torcedor ou não, aproveite o que foi postado durante a semana.

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O amor proibido nos tempos do algoritmo

O ser humano passou milênios escrevendo poemas para explicar por que o amor é irracional, um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente. Então, inventou computadores capazes de conversar, decidiu transformá-los em namorados e, agora, chegou ao ponto em que um governo precisou publicar uma regulamentação para lembrar que, em princípio, pessoas deveriam se apaixonar por outras pessoas. Se algum arqueólogo do futuro encontrar apenas essa manchete, provavelmente concluirá que nossa civilização morreu de vergonha logo depois.

Foi exatamente isso que aconteceu na China. Entraram em vigor regras que proíbem sistemas de inteligência artificial de estimular dependência emocional ou funcionar como companheiros românticos da maneira como vinham fazendo.

Romanceando pelo algoritmo chatboteano, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O amor proibido nos tempos do algoritmo”

A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender

Uma criança de onze anos senta-se à mesa depois da escola. Abre o notebook, digita o enunciado da redação ou do problema de matemática no ChatGPT, no Gemini, no Claude ou, na falta de coisa melhor, no tosco do Copilot. O robozinho cospe o resultado e o estudante feliz copia a resposta, troca duas ou três palavras para “parecer dela” (ou nem isso) e chuta pra frente. O professor, quando muito, passa o texto por um detector de IA, e o ciclo se fecha. A nota sai, todo mundo está satisfeito e ninguém pergunta se a criança aprendeu alguma coisa além de formular um prompt decente. Questionar é algo visto como perigoso, danoso e odioso em várias fases da História da Humanidade.

É exatamente nesse momento, quieto e doméstico, que o Apocalipse Tecnológico Moderno deixa de ser abstração e se instala dentro da própria formação cognitiva da próxima geração. Não com explosões nem com robôs assassinos. Com algo muito mais eficiente: a substituição sistemática do esforço intelectual por respostas prontas, personalizadas e sem atrito. Continuar lendo “A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender”

Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam

Sabe quando os mais velhos dizem que antigamente tudo era melhor? Eles não estavam errados. Olhe ao redor e preste atenção. Da geladeira ao Sistema Operacional, dos carros até um forno, em que é preciso logins, e senhas, e IA, muita IA, cheio de IA e para que? Para você sentar na frente da TV e colocar um programa preferido, driblando comerciais. Uma pesquisa te dá tudo, menos o que você está pesquisando. Isso tem um nome: Enshitification, o, como eu prefiro traduzir livremente: esmerdalhamento das coisas. Continuar lendo “Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam”

Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia

Todo mundo fica de frescura à espera da Rebelião das Máquinas, Apocalipse Robótico ou mesmo o fim dos tempos ao modo Zumbi. Eu não me engano. Nosso fim mesmo será quando os macacos se revoltarem e escravizarem seres humanos. Os planos para dominação mundial começaram bem na Tailândia, um país muito apropriado para o fim de tudo e fodendo todo mundo. No caso, uma centena de macacos resolveu atacar todo mundo e dizer HAIL CAESAR!

Vendo o mundo numa imensa Ação da macacada, esta é  sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia”

Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo

Existe uma maneira extremamente cara de vencer uma corrida tecnológica. Você investe centenas de bilhões de dólares em pesquisa, forma engenheiros durante décadas, constrói fábricas, ergue data centers do tamanho de bairros inteiros e torce para chegar primeiro. E existe outra muito mais barata: convencer quem está na frente a pisar no freio.

A história da tecnologia está repleta desse tipo de disputa, e ela nunca fica restrita a laboratórios e patentes. Sempre que uma inovação ameaça reorganizar mercados inteiros, a batalha se muda para a política, os tribunais, a imprensa, as audiências públicas e, cada vez mais, as redes sociais. Continuar lendo “Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo”

Artigos da Semana 313

Hoje é dia do jogo do Brasil. Escrevi isso aqui sem saber o resultado, e isso nem tem algo a ver com os textos, que vão desde um imbecil que trabalha como guia e não sabe o caminho até o câncer que se recusa a morrer passando pelo México tendo o seu próprio Batman.

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Artigos da Semana 312

Esta semana eu fiz vários artigos mostrando s mazelas do mundo tecno-digital atual. Desde guerra de publicidade até controle de pessoas, passando por ilusão de um mundo em concorrência até os lados nefastos do fechamento da Internet sem levantar muros claros. Aliado a isso, a forma tacanha do Brasil em eliminar o índice de reprovações.

O mundo moderno é maravilhoso e sempre vai ter gente dizendo que ama viver no futuro…. se é que sabem o que “viver” significa.

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O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos

Na quarta-feira, dia de São João, 24 de junho de 2026, enquanto os venezuelanos assistiam ao chão se abrir sob seus pés, o governo brasileiro descobriu algo igualmente sísmico: a CazéTV estava anunciando casas de apostas durante a Copa do Mundo (coloquem vocês mesmos o gif do Pikachu Surpreso). A Secretaria Nacional do Consumidor, com a urgência de quem acabou de perceber que a água é molhada, abriu investigação contra o canal de Casimiro Miguel, que doravante será chamado de JovemTV porque sim, já que eu sou o dono desta bagaça. O foco da investigação é a publicidade irregular de bets nas transmissões do mundial.

O país todo parou para contemplar a gravidade da situação. As emissoras tradicionais, por sua vez, contemplaram a cena da plateia com a serenidade de quem sabe que o holofote não está apontado para elas. Continuar lendo “O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos”