Teste do Marshmallow

Você é ansioso? Você não resiste às tentações? Você tenta subverter as normas em busca do próprio prazer? Imagine que aquilo que você tanto adora está a centímetros na sua frente, mas você só pode tocar dali a alguns minutos. Você resistiria?  Tudo bem se você comer aquele maravilhoso marshmallow. Mas isso será algo que definirá a sua vida.

Sim, um simples marshmallow.

Continuar lendo “Teste do Marshmallow”

Sci-Hub enfrenta os terríveis Ivans das editoras científicas

Eu já tinha escrito dois artigos (links no final) sobre a necessidade de acabar com o paywall das pesquisas científicas. Cobra-se um absurdo para ler um artigo, sendo que nadinha é revertido pro pesquisador. É apenas usura das editoras, e cientistas precisam ter seus trabalhos revisados e ter acesso a trabalhos revisados de outrem. Muitos lutaram contra isso, como Aaron Swartz, que derramou zilhões de artigos científicos para a posteridade, fazendo muitos ficarem MUITO irritados. Sua seguidora, a drª Alexandra Elbakyan, meteu o pé na porta e criou o Sci-Hub, uma espécie de fonte underground de periódicos. Você quer? Basta jogar o link que o Sci-Hub te libera o acesso. Isso deu pega-pra-capar e todo mundo saiu caçando o Sci-Hub, que vive trocando de domínio.

Agora, o Sci-Hub tem outro inimigo: a Rússia.

Continuar lendo “Sci-Hub enfrenta os terríveis Ivans das editoras científicas”

Ingênuos acham uma boa ideia dar uma compensação a quem doar rins. O que poderia dar errado?

Transplantes de órgãos são processos complicados em todas as partes do mundo. Por “processo” não estou falando da intervenção cirúrgica em si, que é complicada, mas de todo o processo de encontrar um doador, leva-lo até o hospital, fazer os exames necessários e carrega-lo em meio a louvores até o centro cirúrgico. Se não fazem louvores e recitam cânticos de agradecimentos a alguém que decide dar um dos seus órgãos a uma outra pessoa, não é comigo, ainda acho que eles merecem.

Conseguir doadores é, talvez, a parte mais difícil. Não basta querer doar, tem que ser compatível. Além disso, normalmente os mais pobres têm acesso, mesmo sem levar em conta que assim como nos EUA, no Brasil a venda de órgãos é proibida por lei (sim, eu sei). Aí, duas almas cândidas e idiotas acham que poderia haver algum tipo de “pagamento” aos doadores, desde que não seja por meio de dinheiro. O que poderia dar errado?

Continuar lendo “Ingênuos acham uma boa ideia dar uma compensação a quem doar rins. O que poderia dar errado?”

Casos de sarampo aumentam em todo mundo. Brasil finalmente segue o munto inteiro. Eeeee!!! Ops!

Eu já noticiei antes, mas vamos pra mais uma notícia da série “Parabéns, Retardados”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos de sarampo aumentaram em 30% no mundo todo. Ótimo, né? Mas aqui no Brasil está tudo tranquilo, né? Se você acha que é tranquilo a ocorrência de mais de 10 mil casos de sarampo e 12 mortes pela doença até agora, então, ótimo, né?

Continuar lendo “Casos de sarampo aumentam em todo mundo. Brasil finalmente segue o munto inteiro. Eeeee!!! Ops!”

Igreja salva família com serviço religioso ininterrupto. Autoridades irritadas. Eu rindo

Tem muita coisa que eu critico nas religiões, principalmente quando usam seu poder e influência para conseguir fechar com suas agendinhas. Entretanto, religiosos podem, sim, fazer coisas boas, como reunir sua congregação para ajudar a refazer o templo religioso de uma outra religião que, a priori, não teria nada a ver com ela, mas um serviço pastoral é mais que rezar missas ou serviços religiosos. Bem, a não ser quando o serviço religioso é por uma boa causa, como uma igreja protestante mostrou ao conduzir por quase um mês um serviço religioso sem parar de forma a proteger uma família das autoridades.

Continuar lendo “Igreja salva família com serviço religioso ininterrupto. Autoridades irritadas. Eu rindo”

Missionário foi importunar índios e acabou encontrando Jesus da forma que não queria

Existe burrice, existe estupidez, existe boçalidade, existe gente que vai pro Maraca ver final de Brasileirão com Vasco e Flamengo e aparece no lado da torcida do Flamengo com a camisa do time cruzmaltino. Tem gente que resolve ser terrorista. Tem gente que acha que ser professor é uma boa ideia e tem gente que acha maneiríssimo ir filmar traficantes numa festa de rua achando que não vai pegar nada. Agora, ninguém chegou ao nível hard de burrice do nível de um camarada chamado John Allen Chau. Ele era (notem o tempo verbal) um missionário cristão, o que já mostra que ele tem (na verdade, tinha) probleminhas. Ele achou que era uma EXCELENTE ideia ir catequizar uns índios no meio do mato numa ilha esquecida por Deus e nem o Diabo queria chegar perto.

Continuar lendo “Missionário foi importunar índios e acabou encontrando Jesus da forma que não queria”

Como NÃO ameaçar um descrente

Religiosos fanáticos têm um sério problema. Acham que só porque eles são surtados, covardes e medrosos, todo mundo é como eles. Daí, fazem ameaças vazias das que ELES têm medo, mas não os que não creem em suas baboseiras.

Me ameaçar com Inferno, ira divina ou que Jesus vem aqui me pegar de porrada não surte efeito nenhum, lamento. No máximo, serve de escárnio. Então, sigam estas dicas. Continuar lendo “Como NÃO ameaçar um descrente”

Almas puras acham que podem convencer o Governo que pseudociências são feias e não devem estar no SUS

Eu gosto de ver certas almas puras. Elas acham que podem dar as mãos, cantar musiquinha lindinha e <PLINK> tudo fica maravilhoso. Ai-Ai! Aí, o que faz o André? Vem com aquela coisa chata chamada REALIDADE e a esfrega na cara de todo mundo. Imaginem que montaram um Instituto visando combater a pseudociência e fazer com que o SUS pare de ofertar tratamentos “alternativos”, como Toque Terapêutico, dança holística, homeopatia e outras bobagens. É um motivo nobre, uma causa justa e um glorioso tempo perdido. Mas quem sou eu para acabar com o sonho fofo das pessoas?

Eu sou André e estou aqui para fazer você tomar vergonha na puta da cara e ver o mundo como ele é, seu imbecil!

Continuar lendo “Almas puras acham que podem convencer o Governo que pseudociências são feias e não devem estar no SUS”

Pesquisadoras concordam com suas tias e mostram que maternidade é mais importante que produção científica

O mundo acadêmico não é essa lindeza que vocês pensam, com um monte de pesquisadores de mãozinhas dadas cantando música da Noviça Rebelde enquanto saltita por estradas de tijolos amarelos. A realidade é demonstrada pelo maravilhoso PhDComics, em que o professor-doutor das histórias é a cara do meu orientador (sério! E tão sádico quanto). Você tem que estar com tudo andando, com trocentos relatórios e orientadores, e comitês e banca e o seu colega que não tem nada a ver com seu trabalho, mas quer lhe detonar porque você ganhou aquela verba mixuruca e ele não. Sua autoestima é praticamente inexistente, o amor próprio fugiu com o entregador de pizza, sua vida está no mesmo modo que aquelas senhoras que recebem encanadores e não têm dinheiro pra pagar e sua família lhe lembrando que seu primo prestou concurso pra ser auxiliar administrativo no fórum e ganha mais que você, o que é corroborado pela faxineira dos seus pais, que também ganha mais que você!

Algumas pessoas entendem como o mundo funciona e as regras que criaram para poderem se safar lindamente, jogando uma bela carga de culpa nas pessoas que se posicionarem contra. É o caso das pesquisadoras que resolveram colocar em seus currículos licença maternidade e se são mães e o cacete a quatro, porque elas se sentiram inferiorizadas perante o mundo masculino malvadão.

Continuar lendo “Pesquisadoras concordam com suas tias e mostram que maternidade é mais importante que produção científica”

A importância que não se dá a um assassinato de alguém que ninguém liga

A senhora da foto é a dona Antônia Conceição da Silva. Dona Antônia era uma boa pessoa. Ela não incomodava ninguém. Era uma pessoa pobre, mas nem por isso fazia mal às pessoas. Você não sabe nada sobre ela. Ninguém sabe. Muito mal saiu uma notícia de jornal informando que essa pobre senhora foi assassinada de forma brutal. Foi estrangulada e morta a pauladas, e isso por dinheiro. Sim, ela foi assaltada, e seu assassino levou a vultosa quantia de 30 reais. Não trinta milhões ou sequer trinta mil. Trinta reais. Uma nota de vinte e uma de dez. só isso. Mas você não sabe., ninguém mais sabe.

Dona Antônia não era ninguém e para a humanidade continua não sendo ninguém.

Continuar lendo “A importância que não se dá a um assassinato de alguém que ninguém liga”