O amor proibido nos tempos do algoritmo

O ser humano passou milênios escrevendo poemas para explicar por que o amor é irracional, um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente. Então, inventou computadores capazes de conversar, decidiu transformá-los em namorados e, agora, chegou ao ponto em que um governo precisou publicar uma regulamentação para lembrar que, em princípio, pessoas deveriam se apaixonar por outras pessoas. Se algum arqueólogo do futuro encontrar apenas essa manchete, provavelmente concluirá que nossa civilização morreu de vergonha logo depois.

Foi exatamente isso que aconteceu na China. Entraram em vigor regras que proíbem sistemas de inteligência artificial de estimular dependência emocional ou funcionar como companheiros românticos da maneira como vinham fazendo.

Romanceando pelo algoritmo chatboteano, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O amor proibido nos tempos do algoritmo”

A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender

Uma criança de onze anos senta-se à mesa depois da escola. Abre o notebook, digita o enunciado da redação ou do problema de matemática no ChatGPT, no Gemini, no Claude ou, na falta de coisa melhor, no tosco do Copilot. O robozinho cospe o resultado e o estudante feliz copia a resposta, troca duas ou três palavras para “parecer dela” (ou nem isso) e chuta pra frente. O professor, quando muito, passa o texto por um detector de IA, e o ciclo se fecha. A nota sai, todo mundo está satisfeito e ninguém pergunta se a criança aprendeu alguma coisa além de formular um prompt decente. Questionar é algo visto como perigoso, danoso e odioso em várias fases da História da Humanidade.

É exatamente nesse momento, quieto e doméstico, que o Apocalipse Tecnológico Moderno deixa de ser abstração e se instala dentro da própria formação cognitiva da próxima geração. Não com explosões nem com robôs assassinos. Com algo muito mais eficiente: a substituição sistemática do esforço intelectual por respostas prontas, personalizadas e sem atrito. Continuar lendo “A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender”

Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam

Sabe quando os mais velhos dizem que antigamente tudo era melhor? Eles não estavam errados. Olhe ao redor e preste atenção. Da geladeira ao Sistema Operacional, dos carros até um forno, em que é preciso logins, e senhas, e IA, muita IA, cheio de IA e para que? Para você sentar na frente da TV e colocar um programa preferido, driblando comerciais. Uma pesquisa te dá tudo, menos o que você está pesquisando. Isso tem um nome: Enshitification, o, como eu prefiro traduzir livremente: esmerdalhamento das coisas. Continuar lendo “Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam”

Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia

Todo mundo fica de frescura à espera da Rebelião das Máquinas, Apocalipse Robótico ou mesmo o fim dos tempos ao modo Zumbi. Eu não me engano. Nosso fim mesmo será quando os macacos se revoltarem e escravizarem seres humanos. Os planos para dominação mundial começaram bem na Tailândia, um país muito apropriado para o fim de tudo e fodendo todo mundo. No caso, uma centena de macacos resolveu atacar todo mundo e dizer HAIL CAESAR!

Vendo o mundo numa imensa Ação da macacada, esta é  sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia”

Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo

Existe uma maneira extremamente cara de vencer uma corrida tecnológica. Você investe centenas de bilhões de dólares em pesquisa, forma engenheiros durante décadas, constrói fábricas, ergue data centers do tamanho de bairros inteiros e torce para chegar primeiro. E existe outra muito mais barata: convencer quem está na frente a pisar no freio.

A história da tecnologia está repleta desse tipo de disputa, e ela nunca fica restrita a laboratórios e patentes. Sempre que uma inovação ameaça reorganizar mercados inteiros, a batalha se muda para a política, os tribunais, a imprensa, as audiências públicas e, cada vez mais, as redes sociais. Continuar lendo “Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo”

Artigos da Semana 313

Hoje é dia do jogo do Brasil. Escrevi isso aqui sem saber o resultado, e isso nem tem algo a ver com os textos, que vão desde um imbecil que trabalha como guia e não sabe o caminho até o câncer que se recusa a morrer passando pelo México tendo o seu próprio Batman.

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Artigos da Semana 312

Esta semana eu fiz vários artigos mostrando s mazelas do mundo tecno-digital atual. Desde guerra de publicidade até controle de pessoas, passando por ilusão de um mundo em concorrência até os lados nefastos do fechamento da Internet sem levantar muros claros. Aliado a isso, a forma tacanha do Brasil em eliminar o índice de reprovações.

O mundo moderno é maravilhoso e sempre vai ter gente dizendo que ama viver no futuro…. se é que sabem o que “viver” significa.

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O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos

Na quarta-feira, dia de São João, 24 de junho de 2026, enquanto os venezuelanos assistiam ao chão se abrir sob seus pés, o governo brasileiro descobriu algo igualmente sísmico: a CazéTV estava anunciando casas de apostas durante a Copa do Mundo (coloquem vocês mesmos o gif do Pikachu Surpreso). A Secretaria Nacional do Consumidor, com a urgência de quem acabou de perceber que a água é molhada, abriu investigação contra o canal de Casimiro Miguel, que doravante será chamado de JovemTV porque sim, já que eu sou o dono desta bagaça. O foco da investigação é a publicidade irregular de bets nas transmissões do mundial.

O país todo parou para contemplar a gravidade da situação. As emissoras tradicionais, por sua vez, contemplaram a cena da plateia com a serenidade de quem sabe que o holofote não está apontado para elas. Continuar lendo “O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos”

CHOQUE DO DIA: Descobriram que aprovar alunos automaticamente faz reprovação despencar

Eu fico feliz em morar num país que finalmente resolveu sua crise educacional. Não foi necessário aumentar o salário dos professores, reduzir o número de alunos por turma, construir escolas em tempo integral, criar programas de recuperação de aprendizagem nem qualquer outra medida daquele tipo: cara, demorada e constrangedoramente trabalhosa. A solução foi muito mais elegante, e tem aquela beleza cristalina das ideias que parecem óbvias depois que alguém as enuncia: se os indicadores educacionais estão ruins, muda-se a forma de produzi-los. O problema some, os gráficos melhoram e todo mundo vai para casa feliz, inclusive o aluno que não sabe fração.

Vendo ser aprovada a burrice institucionalizada coo projeto de governo, esta é a sua SEXTA INSANA!

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Foguete dá ré e balão em investidor otário

Existe uma arte que os grandes do Capitalismo dominam com perfeição e raramente discutem em voz alta: lucrar duas vezes com o mesmo ativo. Primeiro na subida, depois na descida. O IPO da SpaceX, concluído em junho de 2026, é o capítulo mais recente de uma história muito mais longa e muito menos inocente do que parece.

A SpaceX abriu capital em 12 de junho no Nasdaq a US$ 135 por ação, chegou a US$ 225,64 quatro dias depois – tornando Elon Musk o primeiro trilionário da história, embora esse dinheiro não exista propriamente dito – e hoje negocia em torno de US$ 155. Mais de US$ 600 bilhões evaporaram em oito dias. Para quem comprou no pico, a experiência tem sido dolorosa. Para quem sabia o que estava fazendo, foi um plano executado com a precisão de um lançamento do Falcon 9.

Quem já viu esse filme dezenas de vezes sabe o final. Continuar lendo “Foguete dá ré e balão em investidor otário”