
Existe um ritual quase litúrgico em qualquer consultório do planeta. O paciente se senta, estende o braço, a braçadeira infla até quase pedir clemência, e o médico encara o visor com a gravidade de um sacerdote romano lendo as entranhas de um carneiro. Então, vem a sentença: “12 por 8, tudo certo”. Saímos dali absolvidos, leves, prontos para atacar um pastel de feira. Ninguém pergunta o que a pressão andou aprontando nas outras 23 horas e meia do dia. Às vezes o médico resolve isso pedindo o MAPA, aquele aparelhinho que você carrega por um dia inteiro e que infla a braçadeira de tempos em tempos, sufocando o braço (vai sufocando, mesmo, por falta de termo melhor, e se tiver que se dane) justamente para acompanhar a pressão fora do consultório.
Cardiologistas costumam indicar o exame quando suspeitam de hipertensão do avental branco, de pressão que só sobe em casa (a mascarada), quando o tratamento não parece estar segurando bem os números ou para checar se a pressão cai como deveria durante a noite. Bem, pesquisadores identificaram uma pequena população de neurônios no tronco encefálico que parecem ter uma função específica: impedir que a pressão arterial dê trancos violentos. Continuar lendo “Como a pressão arterial pode dar balão em você se não tomar cuidado”









