Suplementos podem mais ferrar o seu cérebro do que ajudar

Se você for numa farmácia, vai dar de cara com várias prateleiras com produtos mágicos com a promessa de turbinar o cérebro. Foco, atenção, clareza mental, desempenho cognitivo sob estresse: o marketing é sofisticado, a embalagem é minimalista e o preço costuma ser o inverso de tudo isso. Entre os ingredientes favoritos dessa indústria está a tirosina, um aminoácido que o organismo usa para fabricar neurotransmissores como dopamina, norepinefrina e epinefrina, as mesmas substâncias que entram em cena quando você precisa dar uma palestra, atravessar uma prova ou fingir que está bem numa reunião de segunda-feira.

O problema é que uma pesquisa recente veio jogar um balde de água fria nessa narrativa bem-organizada. Continuar lendo “Suplementos podem mais ferrar o seu cérebro do que ajudar”

Quando o cérebro usa o fracasso como combustível

Existe uma razão pela qual aquela dieta que você “começou na segunda-feira” já foi abandonada pela quarta. E uma razão pela qual você ainda digita a senha do ex no celular sem perceber. O cérebro humano, esse órgão presunçoso que se gaba de ter mandado foguetes à Lua e inventado o sorvete de pistache, tem um vício embaraçoso: ele adora repetir o que já funcionou antes, mesmo quando o mundo ao redor mudou completamente. É o que os neurocientistas chamam de “rigidez comportamental”, os filósofos chamam de teimosia e o que sua mãe chama simplesmente de “você sendo você”.

A boa notícia é que o cérebro tem um mecanismo de resgate embutido. A má notícia é que esse mecanismo só é acionado quando você leva um fora. Continuar lendo “Quando o cérebro usa o fracasso como combustível”

Pequenos paulistas mostram os segredos das decisões inconscientes

Você já parou para pensar naquele momento exato em que decide se aproximar de alguém numa festa? Aquela fração de segundo em que o cérebro aparentemente sopra “vai lá!” e as pernas obedecem? Pois bem: uma nova pesquisa revela que esse momento de decisão é, na prática, uma mentira bem contada. O cérebro não espera sua permissão, ele começa a preparar o terreno vários segundos antes de você sequer ter a impressão de ter pensado em qualquer coisa. O livre-arbítrio social, ao que tudo indica, tem um departamento de planejamento que trabalha nas suas costas. Continuar lendo “Pequenos paulistas mostram os segredos das decisões inconscientes”

Os ET pede, o tosco dá, depois a CIA fica na cola de quem fez DNA

Há um tempo atrás, andava na moda querer saber os ancestrais. Os paulistenses não precisaram fazer isso, pois, é mais fácil e mais barato usar sotaque italiano de novela da Globo e mencionar alguma nona perdida (o mais próximo da Itália que têm relação é macarrão, e isso é mais chinês que italiano). Se você é um desses manés e já cuspiu num tubinho de plástico e mandou pelo correio para descobrir se tem ascendência italiana, nórdica ou algum bisavô turco que a família preferia não mencionar, há uma possibilidade que o folheto informativo omitiu completamente: você pode ter fornecido material genético para uma operação secreta da CIA em busca de híbridos extraterrestres.

Etzando a ascendência dos outros, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Os ET pede, o tosco dá, depois a CIA fica na cola de quem fez DNA”

A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral

O Brasil descobriu, na semana passada, que a guerra cultural pode ser travada em qualquer front, inclusive na pia da cozinha. Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou a Resolução 1.834/2026 determinando a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a segunda marca mais presente nos lares brasileiros, perdendo apenas para a Coca-Cola no ranking do que o brasileiro médio tem em casa (falta de noção não entrou no cômputo por ser hors concour). A medida atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo em sua unidade de Amparo (SP), especificamente nos lotes com numeração final 1. Parece simples, parece técnico, parece o tipo de coisa que seria notícia por dois dias e sumia. Parecer, parece, mas o Brasil tem outros planos. Continuar lendo “A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral”

Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)

A Ciência tem uma vocação irritante para revelar que aquilo que fazemos de forma preguiçosa e automática é, na verdade, um mecanismo fisiológico de alta sofisticação. Respirar, dormir, caminhar até a geladeira às duas da manhã: tudo, aparentemente, é mais complexo e mais milagroso do que a mediocridade cotidiana faria supor. O mais recente capítulo dessa série constrangedora vem de pesquisadores da Penn State, os quais descobriram que o simples ato de contrair os músculos abdominais provoca um suave balanço do cérebro dentro do crânio, e que esse balançar minúsculo ajuda a limpar o órgão de resíduos metabólicos. Sim: seu cérebro é uma esponja suja, e o movimento é a torneira. A metáfora não é minha; é dos próprios cientistas. Aplausos pela honestidade. Continuar lendo “Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)”

19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas”

O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD”

Artigos da Semana 293

Estamos no carnaval, e com ele muita folia, muita animação, muita dança, muito sono, dormindo até tarde e aproveitando o feriado. Você aí que está lendo isso aqui, é sinal que não está na folia, então, aproveite e veja o que foi postado na semana.

EVOÉ, MOMO!

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Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio

A ressonância magnética do cérebro é uma experiência peculiar. Você se deita numa máquina claustrofóbica que parece ter sido projetada por alguém que perdeu uma aposta, passa meia hora ouvindo barulhos que variam entre britadeira industrial e show de música experimental finlandesa, e então sai de lá para esperar. E esperar. E esperar um pouco mais. Dias, às vezes semanas, até que algum radiologista sobrecarregado consiga sentar-se, analisar suas imagens, fazer muxoxo ao descobrir o que você tem na cabeça e emitir um laudo.

Todo mundo (vai, confessa que você também faz isso!) atualmente tá mandando pro ChatGPT analisar, e segundo minhas experiências, tem acertado muito bem… ou, se errou, o médico também errou, porque um confirma o que o outro diz. Continuar lendo “Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio”