Dragões de Komodo fêmeas não precisam de macho para se reproduzir

Cientistas britânicos descobriram que dragões de Komodo fêmeas são capazes de se reproduzir sem que sejam fecundadas por um macho. Os dragões de Komodo são os maiores lagartos do mundo e estão ameaçados de extinção.

Os especialistas, que publicaram a pesquisa na edição desta semana da publicação científica “Nature”, detectaram o processo de reprodução assexuada, conhecido como partenogêneses, em duas fêmeas desta espécie que vivem em cativeiro em zoológicos britânicos, onde não havia machos.

Flora, que mora no zoológico de Chester, pôs em maio 25 ovos, dos quais 11 pareciam ser viáveis. Ela nunca tinha cruzado com um macho da espécie antes. Na idade adulta eles podem medir três metros e pesar 90 quilos. Sungai, do Zôo de Londres, colocou ovos dois anos e meio depois de seu último contato com um macho. As crias nasceram, saudáveis, sete meses e meio depois.

Os cientistas, coordenados por Phill Watt, da Universidade de Liverpool, fizeram “testes de paternidade” e chegaram a conclusão que Flora e Sungai eram, ao mesmo tempo, pai e mãe das crias.

– Pelo que se sabe, outras espécies de lagarto são capazes de se reproduzir sozinhas, mas esta é a primeira vez que se tem notícia deste processo com um dragão de Komodo – disse Kevin Buley, co-autor do estudo, em um comunicado divulgado pelo Zôo de Chester.

Na opinião dele, os zoológicos com exemplares de dragão de Komodo não deveriam separar os machos e as fêmeas, para evitar processos de partenogêneses e, assim, conseqüentemente, a reduzir a diversidade genética. Buley disse que a descoberta é muito importante para compreender como os répteis são capazes de colonizar novas áreas.

– Teoricamente, uma fêmea de dragão de Komodo em seu habitat natural poderia chegar nadando a uma nova ilha e fundar uma população de dragões completamente nova – explicou.

No mundo, deve haver menos de quatro mil dragões de Komodo. A maioria deles em ilhas da Indonésia como Komodo, Flores e Rinca.

Eles são excelentes nadadores e potenciais predadores, inclusive de grandes presas. A técnica usada por eles consiste em morder a presa e deixá-la ir embora. Sua saliva tem uma flora bacteriana com organismos que provocam a morte três dias depois do ataque. Depois deste tempo, os dragões têm apenas que seguir o rastro para chegar até a presa morta.

Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2006/12/20/287139527.asp

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