Veado gigante pica a mula e um monte de homem corre atrás

Sabe aquela sensação de que você precisa urgentemente dar um tempo da rotina, largar tudo e fugir para a praia? Pois é, meu amigo, não é só você. Até os veadinhos e veadões* estão nessa vibe, então, você está bem acompanhado. Um bom exemplo é Buddy, uma rena de North Wales. No sábado, 29 de novembro (sim, tem duas semanas. Não enche o saco), durante um evento festivo perfeitamente comportado em Formby, Merseyside, Buddy simplesmente decidiu que chega de pose para fotos com crianças, chega de usar guizos no pescoço como se fosse decoração ambulante. Era hora de conhecer o mundo, ir ver o mar.

Buddy picou a mula e saiu galopando em direção à liberdade numa fuga que mobilizaria polícia, guarda costeira, botes salva-vidas, drones, Marines Reais e um veterinário que viajou desde Salisbury, Wiltshire para recapturar um único animal que basicamente queria tirar umas férias não autorizadas.

A aventura começou de forma relativamente modesta. Buddy escapou no início da tarde e a polícia de Merseyside começou uma busca tradicional, daquelas em que você imagina oficiais percorrendo ruas e perguntando aos moradores se viram “uma rena por aqui”. Por volta das 16h45min os meganhas conseguiramk rastrear o animal na praia de Formby, mas o perdeu de vista; então, a situação escalou dramaticamente.

Aqui entra o detalhe glorioso: a polícia ficou preocupada que Buddy pudesse acabar em um rio próximo. Porque aparentemente, quando você tem uma rena solta na praia, a preocupação lógica não é “e se ela simplesmente correr de volta para casa?”, mas sim “e se ela resolver nadar?”.

Foi então que o caso deixou de ser uma busca corriqueira e virou praticamente uma operação militar. O Southport Offshore Rescue Trust, também conhecido como Southport Lifeboat, recebeu o chamado. Equipes da Guarda Costeira de Southport e Crosby foram acionadas. Quadriciclos entraram em cena. E aqui está uma das cenas mais surreais da história recente do Reino Unido: a equipe do Southport Lifeboat localizou o animal usando binóculos térmicos (não, não era Buddy quem estava usando os binóculos, e eu não vou pedir desculpas por esta construção frasal), e mandou um bando de pregos em quadriciclos para pastoreá-lo até as dunas de areia próximas, onde um drone da polícia foi usado para monitorar a coitada da rena, que nem nariz vermelho tinha.

A estratégia, surpreendentemente, tinha lógica. Buddy estava bastante cansado neste ponto e os oficiais esperavam que ele se deitasse nas dunas de areia para descansar, o que eventualmente aconteceu. Foi aí que a operação entrou em sua fase mais cinematográfica. Um veterinário viajou de Salisbury, a mais de 400 km de distância, carregando sedativos. E porque aparentemente este sábado à noite não poderia ficar mais bizarro, o veterinário foi apoiado pelos Fuzileiros Reais, que deviam estar entediados e pensaram que podiam esticar as pernas e se divertirem um pouco (a felicidade acabou quando descobriram que não era para atirar em ninguém).

A equipe do Southport Lifeboat foi dispensada por volta das 22h, após cinco horas (!) de operação. Para colocar isso em perspectiva: o tempo médio de um voo Londres-Nova York é de cerca de oito horas. Buddy conseguiu manter múltiplas agências governamentais ocupadas por tempo suficiente para alguém voar mais da metade do caminho até os EUA. Um porta-voz do Southport Lifeboat descreveu os eventos da noite como “bizarros”, acrescentando com uma ironia tipicamente britânica: “É bem apropriado para a época do ano, não é?”.

Mas aqui está o que torna toda essa história estranhamente encantadora: todos os serviços de emergência estavam felizes em “dar uma mão” e todos desempenharam um papel no resgate. O Southport Lifeboat declarou triunfantemente que “o Natal está salvo graças ao ótimo trabalho de múltiplas agências”. Em um mundo cada vez mais cínico, onde nos acostumamos a ver recursos públicos sendo desperdiçados em coisas efetivamente inúteis, aqui está uma história de dezenas de pessoas dedicando uma noite inteira para garantir que uma rena chamada Buddy voltasse em segurança para casa.

No fim das contas, a saga de Buddy nos lembra que às vezes as melhores histórias são aquelas em que o absurdo da realidade supera qualquer ficção. Uma rena que foge de um evento natalino, corre para a praia, mobiliza metade dos serviços de emergência da Inglaterra e volta para casa como se nada tivesse acontecido e todo mundo, longe de ficarem putos por estarem trabalhando num evento pra lá de pitoresco, estavam bem contentes em ajudar

Talvez isso seja o momento mais natalino deste ano para todas estas pessoas.


Fonte: Sky News


*Azar o seu. Não vou abrir mão dessa piada, independente das espécies.

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