Por que os humanos são os únicos primatas “pelados”?

Nós humanos somos os únicos “pelados” entre as mais de cinco mil espécies de mamíferos. Imagine como seu cachorro ou gato de estimação (ou mesmo um urso polar) seria, ou se sentiria, sem seus “casacos de pele”.

Os cientistas já sugeriram três explicações principais para a falta de pêlo nos humanos. Todas giram em torno da premissa de que seria vantajoso para nossa linhagem em evolução ficar cada vez menos peluda, seis milhões de anos desde que compartilhamos um ancestral com nosso parente vivo mais próximo, o chimpanzé.

A hipótese do símio aquático sugere que entre seis milhões e oito milhões de anos atrás, ancestrais dos humanos modernos, com características de macacos, tinham um estilo de vida semi-aquático, já que buscavam alimento em águas mais rasas. Um casaco de pele natural não é um isolante eficiente na água, e por isso a teoria afirma que evoluímos para perder os pêlos e substituí-los, assim como fizeram outros mamíferos aquáticos, por níveis relativamente altos de gordura corporal. Por mais criativa que seja essa explicação – e útil ao nos dar uma desculpa para estarmos acima do peso –, evidências paleontológicas de uma fase aquática na existência humana têm se provado enganosas.

A segunda teoria afirma que perdemos os pêlos para controlar nossa temperatura corporal ao nos adaptarmos à vida na savana, de clima quente. Nossos ancestrais símios passavam a maior parte do tempo em florestas com temperaturas amenas, mas um hominídeo peludo caminhando sob o Sol não seria a melhor das opções. A idéia do resfriamento do corpo parece razoável, mas mesmo que a falta de pêlo tenha facilitado a perda de calor durante o dia, também perderíamos mais calor durante a noite, quando na verdade precisaríamos retê-lo.

Recentemente, um colega e eu sugerimos que os ancestrais dos humanos modernos ficaram pelados como uma maneira de reduzir a prevalência de parasitas externos, que geralmente infestam os pêlos. Um casaco peludo é um refúgio atraente e seguro para insetos como carrapatos, piolhos e outros “ectoparasitas”. Essas criaturas não apenas causam irritação, como também carregam doenças causadas por vírus, bactérias e protozoários como malária, doença do sono, a doença ou borreliose de Lyme e a doença do vírus do Nilo Ocidental. Todas podem causar problemas médicos crônicos e, em alguns casos, até mesmo a morte.

Os humanos, graças à habilidade de saber fazer fogueiras, construir abrigos e fabricar roupas, teriam sido capazes de perder seus pêlos e reduzir o número de parasitas, sem sofrer com o frio à noite ou em climas mais amenos.

Nos humanos, os piolhos ficam confinados às áreas peludas do corpo, o que parece corroborar a hipótese. Ratos-toupeiras pelados – animais que mais parecem lingüiças dentuças – também parecem apoiar a teoria. Eles vivem em grandes colônias subterrâneas, nas quais os parasitas seriam prontamente transmitidos. No entanto, o calor de seus corpos e o espaço confinado subterrâneo combinados provavelmente permitem que eles não percam calor para o ar frio, se mantendo aquecidos e, portanto, que sejam pelados.

Uma vez que a ausência de pêlos evoluiu assim, pode ter sido sujeita à seleção sexual, como uma característica atraente para o sexo oposto. Uma pele limpa e lisinha pode ter se tornado um sinal de saúde, como a cauda de um pavão, e poderia explicar por que as mulheres são naturalmente menos peludas que os homens – e também por que se esforçam mais para remover os pêlos indesejados. Apesar de nos expor aos piolhos, os humanos provavelmente conservaram os cabelos para nos proteger contra o Sol e nos aquecer no frio. Os pêlos púbicos podem ter sido preservados para intensificar os feromônios ou odores da atração sexual no ar.

Fonte: Scientific American Brasil

5 comentários em “Por que os humanos são os únicos primatas “pelados”?

  1. Como assim somos os únicos mamíferos pelados? E os elefantes, rinocerontes, Javalis (detalhe que todos estes animais são animais de savanas)? O próprio texto cita os Rato-toupeira, que são pelados.

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  2. No título fala-se “primatas”.

    Como a notícia é da Scientific American (e não minha), mantive o primeiro parágrafo onde se diz “mamíferos”.

    De fato, há mamíferos sem pelagem, mas entre os primatas, somente os seres humanos.

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  3. É verdade. Não estou criticando você, e sim a matéria ;)

    veja: Nós humanos somos os únicos “pelados” entre as mais de cinco mil espécies de mamíferos.

    isso tem cara de jornalista mal informado :P

    No mais, eu acho a teoria do macaco anfíbio interessante. Pena que ela não se sustenta.

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  4. Este é um assunto bem interesante, normalmente abordado por antropólogos que não estão muito interessados em se aprofundar nesta nossa “assinatura” biológica.
    O autor do artigo diz que desenvolveu junto com um colega a teoria de que com menos pelos, menor a presença de parasitas no corpo, não deve então conhecer ainda o livro O Macaco Nu de Desmond Morris, escrito nos anos 60, onde se analiza nossa espécie a maneira de um biólogo e não de um antropólogo. Dentre as várias teorias levantadas está também esta do artigo. É uma leitura leve mas bem aprofundada, chegando a ser cômico como não somos nada divinos em relação às outras espécies.

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  5. Apesar de ser pesquisdor em Antropologia,não acho que todos os vetores da Evoluçõ são antropológicos.Neste caso,a falta de pelo parece ter um razão biológica,cuja tendência nasceu coma espécie ou ao processar-se a mutação do gen do primata original(anterior à espécie “Homo sapiens”) ela jó trouxe esta tendência bioquímica.
    Francisco JB Sá
    pesquisador em História e Antropologia

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