Internet abre espaço a astrônomos amadores

O astrônomo amador Willian Bianco não precisa utilizar um telescópio para buscar planetas desconhecidos. Basta apenas que ele se conecte em seu computador. Bianco, encantado pelo Universo desde menino, faz parte de uma comunidade on-line que não pára de crescer: ele busca conhecimento nas montanhas de informações coletadas por cientistas profissionais em busca de novos mundos.

Nunca astrônomos amadores tiveram acesso tão livre a dados do Universo, antes disponíveis somente para cientistas com poderosos telescópios. “Nós estamos na era dourada da astronomia”, disse Bianco, que mantém seu emprego formal como professor de ciências políticas na Universidade de Indiana. Ele participa de um projeto de internet chamado Systemic, que reúne 750 astrônomos amadores.

Essa iniciativa permite que os participantes façam o download de um software e acessem dados que medem o pequeno balanceamento gravitacional no movimento de uma estrela, na busca por planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol. Os usuários também podem tentar decodificar dados simulados de sistemas planetários – uma tarefa que ajudará no melhor entendimento dos planetas extra-solares.

Desde 1990, a astronomia virtual vem ganhando popularidade. Um dos projetos mais conhecidos é o SETI@home, que utiliza o tempo ocioso do computador de voluntários para realizar cálculos complexos – esse tipo de rede é conhecida como grid computing.

Para participar do Systemic, o internauta seleciona uma estrela – real ou simulada – e ajusta outras variáveis como a massa do planeta e período orbital. O objetivo é desenhar um sistema planetário que se encaixe melhor nos dados e, então, publicar a resposta on-line.

Apesar de o site do Systemic fornecer as ferramentas de busca, ele não promove nenhuma das descobertas. Para Greg Laughlin, coordenador do projeto e astrônomo da Universidade da Califórnia, amadores que querem exibir seus achados devem buscar um outro meio, como uma revista científica, por exemplo.

Laughlin não é um estranho para a astronomia baseada na web. Ele ajudou a implantar outro projeto em que amadores apontavam seus telescópios para potenciais sistemas planetários extra-solares e olhavam para escurecidas luzes de estrelas para aprender sobre o tamanho dos planetas e sua composição. Ao contrário do Systemic, os usuários têm de comprar um equipamento caro – que inclui telescópios e câmeras – para participar dessa segunda alternativa.

Antes da astronomia baseada na internet, levou bastante tempo para que os novatos divulgassem suas descobertas. Segundo Terry Mann, presidente da Astronomical League, composta de 240 clubes de astrônomos amadores dos EUA, o acesso ilimitado a internet embaçou a linha entre profissionais e amadores. “Amadores podem fazer ciência real. Nós podemos ajudar nisso”, disse.

Para saber mais: http://www.setiathome.com.br/
Fonte: G1

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