Em 1796 Jean Paul publicou um romance entitulado Siebenkas, onde traça uma terrível visão:”alocução do Cristo morto do firmamento para baixo, de que não existe Deus.”
O sentido da visão consiste em mostrar que o ateísmo é niilismo: O universo inteiro é explodido pela mão do ateísmo e esmigalhado em inúmeros pontos de “eus”, que piscam, escorrem, erram, juntam-se e se dispersam, sem unidade nem durabilidade. Não há ninguém mais solitário no universo do que aquele que nega a Deus(…) Ai! Se cada eu é seu próprio pai e criador, por que ele não pode ser também o seu próprio anjo exterminador?
No escrito A Gaia Ciência (1882) Nietzsche faz com que o “ser humano enlouquecido” proclame a mensagem da morte de Deus. Martin Heidegger afirma no seu artigo Nietzsche wort “Gott ist tot”: “A frase de Nietzsche dá nome ao destino de dois milênios de história ocidental” essa estranha afirmação repousa sobre a convicção de que, há dois milênios,a história ocidental é determinada pela metafísica grega, que, em última análise, serviria de fundamento para a secularização do mundo concluída na era moderna.
O ateísmo, em todo caso, é um fenômeno da era moderna, e com razão Gerhard Ebiling disse que o ateísmo surgiu como movimento contrário ao cristianismo. Em Nietzsche a morte de Deus se refere à morte do Deus cristão. “mas, – acrescenta Heidegger – não é menos certo e deve ser levado em conta de antemão que, no pensamento de Nietzsche, os nomes ‘deus’ e ‘Deus cristão’ são usados para designar o mundo supra-sensorial em seu todo. Deus é o nome dado ao âmbito das idéias e dos ideais.”
Ao final da morte de Deus está o niilismo:
“Que fizemos quando desacorrentamos esta terra do seu Sol? Para onde ela se move agora? Para onde nos movemos nós? Para longe de todos os sóis? Não estamos continuamente em queda? Indo para trás, para os lados, para a frente, para todos os lados? Ainda existe um em cima e um embaixo? Não somos errantes como que através de um nada infinito?” o ateísmo não deve ser considerado meramente como uma decorrência da ciência natural e sua cosmovisão.
A moderna ciência natural não tem necessidade da hipótese “Deus”, e o ateísmo da ciência natural, sem dúvida, teve influencia em amplos círculos. Atualmente há cientistas que novamente consideram a hipótese “Deus” como possível e apropriada, mas isso não refuta o ateísmo, pois ele tem razões mais profundas.
Nesta ciência natural a perda do supra-sensorial foi substituído pela crença no progresso e pelo otimismo próprio dos séculos 18 e 19. O ateísmo da ciência natural é um procedimento metodológico, na medida em que ela submete o mundo a uma forma objetivadora de observação.
Esta necessariamente tem de subtrair Deus, porque Deus, ou o supra-sensorial, não pode ser objeto da visão objetivadora. O mundo é concebido pelo ser humano como um objeto e torna-se, assim, objeto da técnica. Essa secularização se realiza em todas as áreas da vida: na moralidade, no direito,na política. Pois em todas as áreas da vida foi abandonado a referência do ser humano a um poder transcedental.
Portanto, depois de destruir a ilusão “Deus” o ateísmo ergue o seu próprio deus(!), é como Nietzsche que, depois que proclamou a morte de Deus, anuncia o “Super-homem”.ou como Raul Seixas que depois de ridicularizar:”Deus não existe senão o próprio homem” proclama como profeta do novo eon: viva a Sociedade Alternativa”.
O ateísmo é também uma visão religiosa, uma nova ilusão, é um antcristianismo; não é a noção de Deus que quer destruir, mas a noção cristã e bíblica de Deus, para proclamar-se como promotor de um novo deus.
E aí?quando todos nós nos tornarmos ateus, quando nos libertarmos de Deus e da Bíblia, dos dogmas e das igrejas…chegarão esses carpinteiros do universo e nos dirão: “Desculpem aí gente, cansamos de negar, queremos agora afirmar. Pois desde que desacorrentamos essa Terra do seu Sol estamos vagando no nada infinito; não há mais crentes pra gente se divertir, não tem mais bíblias pra gente ridicularizar, o mundo ta uma merda, e, pra nos livrarmos desse tédio eterno chegamos à conclusão: precisamos de deus… mas calma! Não vamos ‘recriar’ aquele deusinho dos judeus; apresentamo-vos um novo deus(!)” e aí começa tudo de novo?!?
Ateísmo é niilismo!
