Vênus que está a ver-nos

Você ficou parado igual a um mané, doido pra ver Vênus, o planeta de TPM, passar calmamente pelo Sol, dando um "dane-se" pra sua existência ridícula? Pois, é. Por causa da elite neo-liberal, você não viu nada e vai ter que esperar até 2125 para uma nova tentativa, como eu já tinha dito antes.

Para você não ficar a ver navios – já que planetas estão meio fora da área de cobertura ou desligados –  A NASA lhe dá de presente um vídeo feito com imagens geradas pelo Solar Dynamics Observatory. E em mais de uma frequência. Take a look:

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O eclipse visto de cima

Se você não é desinformado, sabe do eclipse que ocorreu no último domingo. Infelizmente, a Veja, a Rede Globo e o seu Juca da padaria fecharam um acordo com o Universo e não transmitiram o evento no Brasil. Você está espumando de raiva e quer xingar muito no twitter, nem que seja a minha mãezinha, que teve a graça de não me matricular em nenhum colégio vagabundo que usa o método do Paulo Freire. Entretanto, ver um eclipse daqui do chão é coisa chinfrim. Maneiro mesmo é ver de cadeira cativa.

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O que foi o Evento de Tunguska?

A ira de Deus desabou sobre um lugar semi-esquecido. Quando o dedo acusador do Poder Supremo apontou para a província de Tunguska, na Sibéria, o destino do local estava selado e todos viram que não se devia sequer pronunciar Seu nome. O poder divino veio de forma abrasadora e explodiu em morte, violência e calor, com um ruído ensurdecedor. Uma bola de fogo veio dos Céus e chocou-se com a Terra e suas marcas são vistas ainda hoje.

O que aconteceu em Tunguska, na primeira década do século XX mostra o quanto estamos vulneráveis no Espaço. Mostra como não estamos aqui por vontade de ninguém e sim por mero acaso. Não que algum poder ultramegapoderoso tenha decidido assim, mas porque o Universo é um lugar perigoso mesmo, e o que aconteceu naquela manhã fria mostra que o Universo está pouco se lixando pras ridículas formas de vida que povoam este planetinha irrisório. Este é um artigo que mescla o Livro dos Porquês com o Grandes Nomes da Ciência.

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Uma grandiosa imagem da Terra. Grandiosa MESMO!

O Elektro-L não é um satélite qualquer. É incrivelmente lindo e maravilhoso. Trata-se de  nova geração de satélites meteorológicos, desenvolvidos para a Agência Espacial Russa. Lançado do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, em 20 de janeiro de 2011, o Elektro-L tem trazido várias e excelentes fotos de nosso planeta. Algumas delas em uma resolução que fico em dúvida se classifico como gigante, estúpida ou boçal, mesmo.

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Do micro ao macro: uma viagem com escala de tamanhos

Nada é mais difícil de racionalizar do que tamanhos. Quando eu falo que meu irmão tem 1,90 m de altura, vocês conseguem ter uma ideia de quão grande ele é. Se eu disser que minha irmã “pesa” (sim, eu sei) 100 kg, vocês têm uma noção que ela é maior que meu irmão, assim como maior ainda será o número de ossos quebrados que eu terei quando ela ler este parágrafo. Entretanto, se eu falar da distância entre Rio de Janeiro e Quito (capital do Equador) e perguntar se esta distância é maior que entre Lisboa e Kiev (capital da Ucrânia) , teremos problemas, pois são distâncias que não conseguimos abstrair, nos reservando a comparar medições com números exatos.

Agora, e se jogarmos números que expressam tamanhos e distâncias, não só pequenas — como um mosquito ou um átomo de hidrogênio — mas coisas gigantescas, como o tamanho de estrelas massivas, a nebulosa Olho de Gato e até mesmo o Universo? Como fazer, então?

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Lua de Saturno apresenta vestígios de oxigênio em sua atmosfera

Li uma coisa que me fez lembrar de Percival Lowell. A NASA publicou uma pesquisa onde foram detectados traços de oxigênio numa das luas (mais corretamente, "satélite natural") de Saturno. De início, poderíamos pensar "Uhuuuuuuuuu, nóis pode arrespirar lá!" ou que, pelo menos, o satélite Dione seria capaz de abrigar alguma espécie de vida. Entretanto, as coisas não são tão simples, pois a quantidade de oxigênio não é tanta assim. Por que deveríamos nos importar, então?

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O balé das antenas do VLA

VLA é a sigla do Very Large Array, um conjunto de radiotelescópios que, juntos, formam um imenso observatório de radioastronomia localizado nas planícies de San Agustin, entre as cidades de Magdalena e Datil, algumas 50 milhas (80 km) a oeste de Socorro, Novo México, EUA. Atualmente, seu nome oficial é The Karl G. Jansky Very Large Array, em homenagem Nichola Tesla…. ok, é brincadeira. A homenagem, muito merecida, é para Karl Gunthe Jansky, físico e engenheiro americano, nascido em 22 de outubro de 1905. Em agosto de 1931, Jansky descobriu algo desconcertante: ondas de rádio. Não que ondas de rádio fossem alguma novidade. O ineditismo estava no lugar de onde as ondas estavam vindo. Do interior, bem do interior da Via Láctea. Jansky se tornou um dos fundadores da radioastronomia.

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A magnificência do Senhor dos Anéis

Os noldorim choram. As Duas Árvores não mais existem, frente ao ataque brutal de Morgoth, o sinistro inimigo do mundo e suas hostes. O mundo escureceu-se. Mas a esperança, não, pois o grande deus Ilúvatar sabia que isso ia acontecer, mas o motivo que ele teve em não fazer nada é desconhecido até mesmo pelos sindarim. Em Eldamar, os elfos contemplam o firmamento e olham estrelas, muitas estrelas. Eles que uma daquelas incontáveis estrelas era Eärendil que, viajando em Vingilot, trazia o brilho de esperança a todos os elfos.

Outro brilho não era conhecido pelos mais sábios entre os sábios, somente os Valar conheciam o seu segredo. Só Manwë, o primeiro de todos os Reis, senhor do reino de Arda e governante de todos os que o habitam, sabia integralmente este segredo, pois a ele fora confiado pelo próprio Eru, o Único. Senhor do Alento de Arda, tendo poder supremo, ele controla os ventos e é admirador dos Céus. Em especial uma estrela-que-não-é-estrela. E antes que o mal sussurrasse aos ouvidos de Celebrimbor para que este confeccionasse os Anéis do Poder e Sauron forjasse às escondidas seu próprio Anel, o Universo já tinha um Senhor dos Anéis, que incontáveis eras depois seria chamado pelo nome de outro deus: Saturno.

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As estrelas que passam por nossas vidas

Eu tenho uma visão romântica sobre o mundo. Acho-o fantástico pelo paradoxo que é sua simplicidade e complexidade que coexistem. A complexidade são as diferentes forças atuantes no planeta, moldando-o sem parar, onde sua topologia muda, ainda que beeeeeem lentamente. A simplicidade é que se trata de apenas um reles planeta terrestre, jogado num canto irrelevante de uma galáxia irrelevante. Se nosso planeta fosse especial de alguma forma, sua destruição seria uma perda para o universo, só que o universo sequer se daria conta disso. Qual importância tem uma coisa que ninguém sentirá falta? Ainda assim, vemos o amanhecer raiar do dia e o crepúsculo cair da noite. Vemos as fases da Lua, vemos até o eclipse ato da sombra da Terra impedir a luz do sol ser refletida pelo satélite.

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Vladmir Komarov, o maior dos herois russos

O homem que sobe as escadas sabe que está com sua morte decretada. Ele sabe que suas horas estão contadas, mas ele não tem medo, pois é isso que ele quer fazer. Passo a passo, ele entra na cápsula que lhe servirá de carrasco. A Rodina decidiu que a glória do Partido está sobre todos os mortais e que um homem teria que cumprir a missão, mas um laço mais forte que a opressão poupou a vida de outro homem, o homem que viu que a Terra era azul. Por causa desse lado de amizade, o homem que está condenado chega até o seu destino e olha para fora, sendo este o último relance do céu e a última lufada de vento em seu rosto sério. O homem entra na cápsula; não há volta e ele nem pensaria em desistir, pois era um homem decidido.

Esta é a história do Coronel Vladimir Komarov, o cosmonauta russo que morreu para salvar seu melhor amigo.

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