O fato mais surpreendente de todos

Sempre disse que Neil deGrasse Tyson é, hoje, o melhor divulgador científico do mundo. Em minha opinião, ele é o único que se pode chamar de herdeiro de Carl Sagan. Não apenas pelos documentários do qual ele participa, mas pelo fascínio que ele mesmo não esconde quando fala do Universo.

Em uma entrevista à revista Time, foi-lhe perguntado qual era o fato mais surpreendente de todos, e sua resposta foi (versão brasileira, Ceticismo Ritchers, digo, Ceticismo.net):

Continuar lendo “O fato mais surpreendente de todos”

As auroras da minha vida

Diz o poema de Casimiro de Abreu que ele tinha saudades da aurora de sua vida. Claro está que ele se referia à sua infância, ainda mais que o poema chama-se "Meus oito anos". Infelizmente, Casimiro de Abreu não viu muitas coisas fantásticas de nosso Universo. Falecido em 18 de outubro de 1860, ele não teve acesso a muitas de nossas maravilhas de hoje, ou ele faria poemas mais bonitos ainda.

O vídeo a seguir foi montado por Alex Rivest, do blog Earth, Night Glow, Aurora and Atmosphere e com fotos fornecidas pelo  Image Science & Analysis Laboratory, da NASA, onde podemos ver o aparecimento de várias camadas coloridas. Que luzes são essas?

Continuar lendo “As auroras da minha vida”

Vênus que está a ver-nos

Você ficou parado igual a um mané, doido pra ver Vênus, o planeta de TPM, passar calmamente pelo Sol, dando um "dane-se" pra sua existência ridícula? Pois, é. Por causa da elite neo-liberal, você não viu nada e vai ter que esperar até 2125 para uma nova tentativa, como eu já tinha dito antes.

Para você não ficar a ver navios – já que planetas estão meio fora da área de cobertura ou desligados –  A NASA lhe dá de presente um vídeo feito com imagens geradas pelo Solar Dynamics Observatory. E em mais de uma frequência. Take a look:

Continuar lendo “Vênus que está a ver-nos”

O eclipse visto de cima

Se você não é desinformado, sabe do eclipse que ocorreu no último domingo. Infelizmente, a Veja, a Rede Globo e o seu Juca da padaria fecharam um acordo com o Universo e não transmitiram o evento no Brasil. Você está espumando de raiva e quer xingar muito no twitter, nem que seja a minha mãezinha, que teve a graça de não me matricular em nenhum colégio vagabundo que usa o método do Paulo Freire. Entretanto, ver um eclipse daqui do chão é coisa chinfrim. Maneiro mesmo é ver de cadeira cativa.

Continuar lendo “O eclipse visto de cima”

O que foi o Evento de Tunguska?

A ira de Deus desabou sobre um lugar semi-esquecido. Quando o dedo acusador do Poder Supremo apontou para a província de Tunguska, na Sibéria, o destino do local estava selado e todos viram que não se devia sequer pronunciar Seu nome. O poder divino veio de forma abrasadora e explodiu em morte, violência e calor, com um ruído ensurdecedor. Uma bola de fogo veio dos Céus e chocou-se com a Terra e suas marcas são vistas ainda hoje.

O que aconteceu em Tunguska, na primeira década do século XX mostra o quanto estamos vulneráveis no Espaço. Mostra como não estamos aqui por vontade de ninguém e sim por mero acaso. Não que algum poder ultramegapoderoso tenha decidido assim, mas porque o Universo é um lugar perigoso mesmo, e o que aconteceu naquela manhã fria mostra que o Universo está pouco se lixando pras ridículas formas de vida que povoam este planetinha irrisório. Este é um artigo que mescla o Livro dos Porquês com o Grandes Nomes da Ciência.

Continuar lendo “O que foi o Evento de Tunguska?”

Uma grandiosa imagem da Terra. Grandiosa MESMO!

O Elektro-L não é um satélite qualquer. É incrivelmente lindo e maravilhoso. Trata-se de  nova geração de satélites meteorológicos, desenvolvidos para a Agência Espacial Russa. Lançado do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, em 20 de janeiro de 2011, o Elektro-L tem trazido várias e excelentes fotos de nosso planeta. Algumas delas em uma resolução que fico em dúvida se classifico como gigante, estúpida ou boçal, mesmo.

Continuar lendo “Uma grandiosa imagem da Terra. Grandiosa MESMO!”

Do micro ao macro: uma viagem com escala de tamanhos

Nada é mais difícil de racionalizar do que tamanhos. Quando eu falo que meu irmão tem 1,90 m de altura, vocês conseguem ter uma ideia de quão grande ele é. Se eu disser que minha irmã “pesa” (sim, eu sei) 100 kg, vocês têm uma noção que ela é maior que meu irmão, assim como maior ainda será o número de ossos quebrados que eu terei quando ela ler este parágrafo. Entretanto, se eu falar da distância entre Rio de Janeiro e Quito (capital do Equador) e perguntar se esta distância é maior que entre Lisboa e Kiev (capital da Ucrânia) , teremos problemas, pois são distâncias que não conseguimos abstrair, nos reservando a comparar medições com números exatos.

Agora, e se jogarmos números que expressam tamanhos e distâncias, não só pequenas — como um mosquito ou um átomo de hidrogênio — mas coisas gigantescas, como o tamanho de estrelas massivas, a nebulosa Olho de Gato e até mesmo o Universo? Como fazer, então?

Continuar lendo “Do micro ao macro: uma viagem com escala de tamanhos”

Lua de Saturno apresenta vestígios de oxigênio em sua atmosfera

Li uma coisa que me fez lembrar de Percival Lowell. A NASA publicou uma pesquisa onde foram detectados traços de oxigênio numa das luas (mais corretamente, "satélite natural") de Saturno. De início, poderíamos pensar "Uhuuuuuuuuu, nóis pode arrespirar lá!" ou que, pelo menos, o satélite Dione seria capaz de abrigar alguma espécie de vida. Entretanto, as coisas não são tão simples, pois a quantidade de oxigênio não é tanta assim. Por que deveríamos nos importar, então?

Continuar lendo “Lua de Saturno apresenta vestígios de oxigênio em sua atmosfera”

O balé das antenas do VLA

VLA é a sigla do Very Large Array, um conjunto de radiotelescópios que, juntos, formam um imenso observatório de radioastronomia localizado nas planícies de San Agustin, entre as cidades de Magdalena e Datil, algumas 50 milhas (80 km) a oeste de Socorro, Novo México, EUA. Atualmente, seu nome oficial é The Karl G. Jansky Very Large Array, em homenagem Nichola Tesla…. ok, é brincadeira. A homenagem, muito merecida, é para Karl Gunthe Jansky, físico e engenheiro americano, nascido em 22 de outubro de 1905. Em agosto de 1931, Jansky descobriu algo desconcertante: ondas de rádio. Não que ondas de rádio fossem alguma novidade. O ineditismo estava no lugar de onde as ondas estavam vindo. Do interior, bem do interior da Via Láctea. Jansky se tornou um dos fundadores da radioastronomia.

Continuar lendo “O balé das antenas do VLA”

A magnificência do Senhor dos Anéis

Os noldorim choram. As Duas Árvores não mais existem, frente ao ataque brutal de Morgoth, o sinistro inimigo do mundo e suas hostes. O mundo escureceu-se. Mas a esperança, não, pois o grande deus Ilúvatar sabia que isso ia acontecer, mas o motivo que ele teve em não fazer nada é desconhecido até mesmo pelos sindarim. Em Eldamar, os elfos contemplam o firmamento e olham estrelas, muitas estrelas. Eles que uma daquelas incontáveis estrelas era Eärendil que, viajando em Vingilot, trazia o brilho de esperança a todos os elfos.

Outro brilho não era conhecido pelos mais sábios entre os sábios, somente os Valar conheciam o seu segredo. Só Manwë, o primeiro de todos os Reis, senhor do reino de Arda e governante de todos os que o habitam, sabia integralmente este segredo, pois a ele fora confiado pelo próprio Eru, o Único. Senhor do Alento de Arda, tendo poder supremo, ele controla os ventos e é admirador dos Céus. Em especial uma estrela-que-não-é-estrela. E antes que o mal sussurrasse aos ouvidos de Celebrimbor para que este confeccionasse os Anéis do Poder e Sauron forjasse às escondidas seu próprio Anel, o Universo já tinha um Senhor dos Anéis, que incontáveis eras depois seria chamado pelo nome de outro deus: Saturno.

Continuar lendo “A magnificência do Senhor dos Anéis”