
Se você já se perguntou como um vilão medieval se tornava vilão de verdade (e não apenas aquele rei chato que cobrava impostos absurdos), a resposta está condensada em um único livro. Um livro que, por sinal, andava circulando pelas melhores bibliotecas da Europa durante séculos, com a mesma normalidade que livros de auto-ajuda tipo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, que foi febre lá pelo início dos anos 2000. Esse livro se chama Picatrix, e ele é, sem exagero, um dos documentos mais estranhos, mais mórbidos e mais fascinantes que a Idade Média nos legou.
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Eu adoro previsões de astrólogos. Esta incrível e maravilhosa ciência milenar e capaz de tudo, menos perceber que tinha dois planetas faltando no Sistema Solar, e que conta com um perfeito sistema de previsões que deveria funcionar para 1/12 avos da população, mas que se resume em coisas genéricas como evitar a raiva e se alimentar direito.
Tem muita coisa insana neste mundo de Hades. Ainda mais quando envolve alguma coisa com relação à burocracia estatal. Qualquer um que já teve que ir num cartório ou qualquer repartição pública sabe o inferno que é quando começam a pedir o CPF do seu avô irlandês que nunca pousou os pés no Brasil e tenho dúvidas se vovô Seamus sabia em que continente o Brasil ficava (sim, isso aconteceu comigo num cartório. Foi duro fazer um zé ruela entender que meu avô não só nunca veio aqui, como falecera em 1953, tendo o CPF sido criado em 1965, ainda com o nome de Cartão de Identificação do Contribuinte).
Em 1948, Bertrand Forer deu aos seus alunos um teste. Este teste visava medir o comportamento deles e os alunos tinham que marcar o quanto o texto acertou sobre eles. Quase todos os alunos disseram que o texto tinha muito a ver com eles. Ao solicitar que os alunos trocassem os papéis, eles viram que era o mesmo texto,. Um texto genérico que podia ter tudo a ver com qualquer um, basicamente o motivo da astrologia “funcionar” com as pessoas.
O Brasil é um país esquisito. Mais do que o Japão… ok, tudo bem. Nada é mais esquisito que o Japão. O problema é que aqui o bizarro é corriqueiro com sanção estatal, com “parcerias” com entidades que dizem controlar o tempo, mas nunca conseguem essa proeza direito, e mesmo assim continuam fechando “parcerias”.