A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender

Uma criança de onze anos senta-se à mesa depois da escola. Abre o notebook, digita o enunciado da redação ou do problema de matemática no ChatGPT, no Gemini, no Claude ou, na falta de coisa melhor, no tosco do Copilot. O robozinho cospe o resultado e o estudante feliz copia a resposta, troca duas ou três palavras para “parecer dela” (ou nem isso) e chuta pra frente. O professor, quando muito, passa o texto por um detector de IA, e o ciclo se fecha. A nota sai, todo mundo está satisfeito e ninguém pergunta se a criança aprendeu alguma coisa além de formular um prompt decente. Questionar é algo visto como perigoso, danoso e odioso em várias fases da História da Humanidade.

É exatamente nesse momento, quieto e doméstico, que o Apocalipse Tecnológico Moderno deixa de ser abstração e se instala dentro da própria formação cognitiva da próxima geração. Não com explosões nem com robôs assassinos. Com algo muito mais eficiente: a substituição sistemática do esforço intelectual por respostas prontas, personalizadas e sem atrito. Continuar lendo “A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender”

Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa

O calor opressivo estava batendo como um malho numa bigorna na longínqua década de 1930. Para muitos, seria algo para deixar morgando num alpendre com 300 ventiladores, ou trancado em casa com ar-condicionado no talo, mas para uma adolescente era um dia normal. Talvez por ser de origem mexicano-americana, já acostumada com o calor, a adolescente não estava desconfortável com o verão ao visitar parentes num pequeno vilarejo do interior de Chihuahua, naquele tipo de família binacional que atravessa a fronteira com a naturalidade de quem atravessa a rua.

Entediada com a vida rural e proibida pelos pais de se aproximar dos barrancos e minas abandonadas da região, a jovem fez exatamente o que qualquer adolescente proibida faria: fingiu sair para colher cerejas e foi explorar um desfiladeiro que lhe chamara a atenção. E esta decisão iria causar um impacto no que se sabe sobre Ciência, Arqueologia e até mesmo a busca por civilizações extraterrestres, e isso graças a uma cabeça de proporções descomunais. Continuar lendo “Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa”

Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam

Sabe quando os mais velhos dizem que antigamente tudo era melhor? Eles não estavam errados. Olhe ao redor e preste atenção. Da geladeira ao Sistema Operacional, dos carros até um forno, em que é preciso logins, e senhas, e IA, muita IA, cheio de IA e para que? Para você sentar na frente da TV e colocar um programa preferido, driblando comerciais. Uma pesquisa te dá tudo, menos o que você está pesquisando. Isso tem um nome: Enshitification, o, como eu prefiro traduzir livremente: esmerdalhamento das coisas. Continuar lendo “Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam”

Artigos da Semana 314

Esta semana acaba  Copa do Mundo e eu estou desesperançado. Não terei mais 3 jogos por dia com seleções buscando a glória máxima. Ah, sim, ainda teve a o Brasil, também. Enfim. Pelo menos, a certeza é que continuamos colocando aqui os melhores artigos de vários assuntos, e eu continuo com a série O Apocalipse Tecnológico Moderno, algo que você não lerá em blogs de tecnologia, já que eles apenas viraram vitrine de empresinha ou press release ou coisas sem sentido.

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A última canção de um império: o Epitáfio de Seikilos

Há uma sala no Museu Nacional da Dinamarca onde a luz entra devagar, como se meros fótons tivessem consciência da importância do local. Caminhando por corredores silenciosos, chega-se perante uma pequena coluna de mármore. Ao redor, o silêncio educado e um pouco solene que só existe em museus e em velórios. Ali é o Departamento de Antiguidades, e a coluna está cercada de outros fragmentos gregos e romanos que também sobreviveram por acaso ou por teimosia. Vasos que perderam a alça. Estátuas que perderam o nariz. Moedas que perderam o brilho mas não o perfil do imperador. É uma sala de sobreviventes, uma espécie de sala de espera na qual cacos do passado aguardam, pacientemente, que alguém pare, incline a cabeça e leia… e escute.

A coluna ali presente canta silenciosamente por meio de letras gregas entalhadas há muito tempo, junto aos símbolos que indicam a melodia. Uma voz que atravessou o tempo que traz a sensação de que a pedra sussurra, baixinho, para quem se debruça sobre o vidro. Aquela coluna é o Epitáfio de Seikilos. Continuar lendo “A última canção de um império: o Epitáfio de Seikilos”

Apertem os cintos, o piloto se jogou

Há certas frases que, ditas no momento errado, deixam de ser conselho e viram sentença. Por exemplo, dizer “Você sabe o que fazer, continue seguindo em frente” é, na maioria das vezes, algo que normalmente um instrutor faz a um aluno nervoso; problema é a minoria das vezes em que isso não soa legal, como falar isso segundos antes de tirar o fone de ouvido, organizar os pertences, destravar o cinto, abrir a porta e pular fora de um avião em movimento.

Não é o tipo de coisa que alguém queira presenciar, pincipalmente sendo o próprio aluno de pilotagem. Continuar lendo “Apertem os cintos, o piloto se jogou”

Batman Mexicano mete moral e prende bandidagem

Havia uma cidade na qual a noite chegava mais cedo do que o de costume, não por causa do inverno nem da latitude, mas porque a luz dos postes parecia ter desistido de brigar contra a escuridão que se instalara nas ruas. O crime crescera devagar, mas sombriamente, como quem se muda de mansinho para não incomodar os vizinhos, até que os moradores aprenderam a andar olhando por cima do ombro e a polícia aprendeu a preencher boletim de ocorrência com a mesma resignação de cobrador de ônibus recebendo a passagem. As autoridades prometiam providências, os jornais prometiam apuração, e o cidadão comum prometia, silenciosamente, parar de acreditar em qualquer uma das duas promessas.

Este lugar era o tipo de lugar onde criminosos acham que podem fazer seus ganhos e nada irá lhes acontecer. Este lugar não é uma Nova Jersey disfarçada de metrópole gótica, e o super-herói que ela produziu não tem mordomo, não tem helicóptero e definitivamente não tem verba de marketing: essa cidade é Lagos de Moreno, no estado mexicano de Jalisco, e o herói que decidiu aparecer, sem convite e sem antecedentes claros, atende, nas redes sociais, pelo nome de… O Batman Mexicano!

ESTA É A SUA SEXTA INSANANANANANANANANANANA! BATMAN! Continuar lendo “Batman Mexicano mete moral e prende bandidagem”

Artigos da Semana 312

Esta semana eu fiz vários artigos mostrando s mazelas do mundo tecno-digital atual. Desde guerra de publicidade até controle de pessoas, passando por ilusão de um mundo em concorrência até os lados nefastos do fechamento da Internet sem levantar muros claros. Aliado a isso, a forma tacanha do Brasil em eliminar o índice de reprovações.

O mundo moderno é maravilhoso e sempre vai ter gente dizendo que ama viver no futuro…. se é que sabem o que “viver” significa.

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O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos

Na quarta-feira, dia de São João, 24 de junho de 2026, enquanto os venezuelanos assistiam ao chão se abrir sob seus pés, o governo brasileiro descobriu algo igualmente sísmico: a CazéTV estava anunciando casas de apostas durante a Copa do Mundo (coloquem vocês mesmos o gif do Pikachu Surpreso). A Secretaria Nacional do Consumidor, com a urgência de quem acabou de perceber que a água é molhada, abriu investigação contra o canal de Casimiro Miguel, que doravante será chamado de JovemTV porque sim, já que eu sou o dono desta bagaça. O foco da investigação é a publicidade irregular de bets nas transmissões do mundial.

O país todo parou para contemplar a gravidade da situação. As emissoras tradicionais, por sua vez, contemplaram a cena da plateia com a serenidade de quem sabe que o holofote não está apontado para elas. Continuar lendo “O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos”

CHOQUE DO DIA: Descobriram que aprovar alunos automaticamente faz reprovação despencar

Eu fico feliz em morar num país que finalmente resolveu sua crise educacional. Não foi necessário aumentar o salário dos professores, reduzir o número de alunos por turma, construir escolas em tempo integral, criar programas de recuperação de aprendizagem nem qualquer outra medida daquele tipo: cara, demorada e constrangedoramente trabalhosa. A solução foi muito mais elegante, e tem aquela beleza cristalina das ideias que parecem óbvias depois que alguém as enuncia: se os indicadores educacionais estão ruins, muda-se a forma de produzi-los. O problema some, os gráficos melhoram e todo mundo vai para casa feliz, inclusive o aluno que não sabe fração.

Vendo ser aprovada a burrice institucionalizada coo projeto de governo, esta é a sua SEXTA INSANA!

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