Drone gringo joga pimenta para conter gente doida atirando em escolas

Os Estados Unidos têm um problema sério com ataques de gente surtada armada varando geral em escolas. Eu até entendo quando olho para os meus alunos, mas alguns casos são meio extremos. Combater isso não é simples: dá para colocar detectores de metal na entrada, reforçar o policiamento, aumentar a segurança… só que nada disso parece resolver de verdade. Foi aí que surgiu a solução definitiva: uma versão Terminator baiano tacando pimenta no lazarento que resolve se meter numa escola com fuzil.

Esse tipo de cena a gente imaginaria em algum filme futurista dos anos 90, cheio de neon nos prédios e robôs patrulhando tudo, só faltando o Juiz Dredd aparecer. Só que o caso em questão é o de hoje e já está a caminho de algum corredor de uma escola pública da Geórgia; o robô gigante trocado por um drone de plástico e a arma por um borrifador de pimenta. A vida imita a arte, mas em versão econômica, com orçamento de prefeitura. Continuar lendo “Drone gringo joga pimenta para conter gente doida atirando em escolas” →

Artigos da Semana 317

Minhas microférias acabam hoje e amanhã eu tenho que ir trabalhar. Estou desconsolado, triste e revoltado. Bem, ainda tenho até hoje para isso porque amanhã é levantar cedo. Junte-se à mim na minha revolta e leiam o que foi postado durante a semana.

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Pesquisa dedura ancestral fantasma que ninguém sabe quem é

Toda família tem aquele parente que ninguém sabe explicar direito quem é, de onde vem e como apareceu na nossa história. Sujeito apareceu uma vez no Natal, contou uma história esquisita sobre onde morava, e nunca mais deu as caras. Pois, é, a genética acaba de descobrir que a espécie humana como um todo também tem um desses. Só que, em vez de sumir depois da ceia, esse parente sumiu há mais ou menos 800 mil anos, sem deixar endereço, sem deixar ossos, sem deixar absolutamente nada que um paleontólogo pudesse desenterrar num dia de sorte. E mesmo assim, ele deixou herança. Continuar lendo “Pesquisa dedura ancestral fantasma que ninguém sabe quem é” →

A cidade que esqueceu de inventar reis

Há um roteiro que a história repete com a monotonia de uma novela mexicana. Vila prospera, vira cidade, e aparece um sujeito de coroa (ou tiara sacerdotal) reivindicando que os deuses o escolheram pessoalmente para acumular a maior parte do excedente. O Egito teve seus reis e pirâmides, a Mesopotâmia seus reis-sacerdotes e Creta o suntuoso palácio de Cnossos. Por décadas, o consenso entre historiadores foi simples e fatalista: cidade que cresce é cidade que concentra riqueza no topo.

Só que uma cidade no que hoje é o Paquistão parece ter perdido a memória desse roteiro. Entre 2600 e 1900 A.E.C., ela cresceu, prosperou, virou a maior metrópole do Vale do Indo e, em vez de gerar uma elite cada vez mais destacada, fez o oposto: ficou mais igualitária à medida que enriquecia. Nada de palácios, nada de tumbas de ouro, nada de estátuas de governantes olhando para baixo com desdém arquitetônico. Continuar lendo “A cidade que esqueceu de inventar reis” →

Vazou vídeo do interior da starship. Not impressed!

Normalmente, quando eu vejo algo ser anunciado como vazamentos, eu já penso em colocar aspas, pois soa mais como… “vazamentos”, se me entendem. Ao que parece não foi o caso, quando divulgaram vídeos de instalações da SpaceX ao que parece como vai ficar a Starship no Twitter, que é do mesmo nerd neurastênico que normalmente tem ataques de infantilidade.

Não demorou muito pros vídeos postados lá na rede de microblogs começarem a despencar pro limbo do Vazio e então pensei “hummmmm”.

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Sonhar não é aleatório, é editorial

Desde que a humanidade descobriu que dormir vem acompanhado de um cinema particular e gratuito, ninguém resistiu à tentação de dar sentido àquilo. Os egípcios liam sonhos como mensagens dos deuses, os gregos consultavam oráculos para decifrá-los, Artemidoro de Daldis escreveu um manual inteiro de interpretação onírica no século II, e Freud, quase dois mil anos depois, decidiu que tudo aquilo era, no fundo, libido reprimida disfarçada de trem entrando em túnel. Nenhum deles, no entanto, tinha acesso a processamento de linguagem natural, e é aí que a história fica interessante. Continuar lendo “Sonhar não é aleatório, é editorial” →

Artigos da Semana 316

É muito triste a vida sem Copa do Mundo. Uma semana sem e já estou com crise de abstinência. Para sanar isso, só começando com outro projeto. Eu falo disso num dos artigos: um novo site no Substack, com artigos apenas em inglês. Veja este e outros assuntos postados durante a semana.

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Um novo projeto!

O mundo anda chato do lado de cá. Eu sento, escrevo um artigo ou outro, alguns de vocês leem, pouquíssimos compartilham. No dia seguinte, eu vejo algo que possa ser interessante, escrevo artigo, posto, alguns de vocês leem, pouquíssimos compartilham. Depois eu fico escrevendo um imenso texto, posto, alguns de vocês leem, pouquíssimos compartilham. Tá tudo muito chato.

Então, pensei cá comigo: e que tal fazer algo diferente? Então lancei um novo projeto: textos voltados para gringos.

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A Verdadeira História das Luvas Cirúrgicas

Há coisas que a gente aceita como óbvias sem nunca se perguntar de onde vieram, e a luva cirúrgica é uma delas. Hoje, a ideia de um cirurgião enfiando as mãos nuas dentro de um paciente soa tão absurda quanto pedir a um eletricista que trabalhe descalço numa poça d’água. Mas até o fim do século XIX era exatamente assim que a medicina funcionava: sem luvas, sem lavagem de mãos entre um paciente e outro, e com uma taxa de mortalidade cirúrgica que beirava os 50%.

Esta é a história de como um romance salvou a cirurgia moderna. Continuar lendo “A Verdadeira História das Luvas Cirúrgicas” →

O dinossauro nanico que explica os grandes predadores

Se você pensa que o Brasil só exporta bicho grande, indesejado e fedido como nossa política tributária, revise seus conceitos. Aqui tem dinossauro, e não estou falando de um monte de velharia na política. O Rio Grande do Sul, que já vinha acumulando currículo respeitável como celeiro de arcossauros triássicos (basta lembrar que ali nasceram os primeiros dinossauros conhecidos do planeta, os Staurikosaurus e companhia), acaba de somar mais um nome à lista.

Dessa vez, o fóssil não é um monstro de sete metros pronto para estrelar documentário com trilha sonora épica. É um bichinho do tamanho de um jacaré pequeno, com ossos contados nos dedos de uma mão, e ainda assim capaz de reorganizar um pedaço inteiro da árvore genealógica que separa, ou melhor, que une, crocodilos e dinossauros.

Sim, até dinossauro no Brasil acaba sendo chinfrim. Continuar lendo “O dinossauro nanico que explica os grandes predadores” →