O Ceticismo filosófico originou-se a partir da filosofia grega. Arcesilaos (315-241 a.C.) e Carneades (213-129 a.C.) desenvolveram perspectivas teóricas, que refutavam concepções absolutas de verdade e mentira. Carneades criticava as visões dos Dogmatistas, especialmente os defensores do Estoicismo, alegando que a certeza absoluta do conhecimento é impossível. Continuar lendo “O Ceticismo e a “pedra irremovível””
Categoria Mitos desmascarados
Preces de terceiros não ajudam doentes
Na Scientific American, edição de julho de 2006, saiu uma reportagem a respeito de uma pesquisa que visava testar o efeito das orações de pessoas em prol de doentes internados em hospitais. O resultado não é lá muito inesperado… Continuar lendo “Preces de terceiros não ajudam doentes”
Misturar bebidas destiladas e fermentadas aumenta a ressaca?
<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/bebidas.gif” alt=”bebidas.gif” style=”margin:4px;” align=”left” border=”0″ /><em>Por <a href=”http://www.projetoockham.org/div_quem.html#ana”>Ana Luiza Barbosa de Oliveira</a></em>
A sabedoria etílica popular afirma que não devemos misturar bebidas fermentadas e destiladas se quisermos evitar uma ressaca daquelas em que até o barulho da grama crescendo é insuportável.<!–more–>
Antes de tudo, o que é ressaca? O assunto é controverso mesmo entre especialistas. Aquele mal-estar após a ingestão de (muita) bebida alcoólica possui um nome técnico: veisalgia, do norueguês kveis, mal-estar após orgia, e do grego algia, dor. Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas e em igual intensidade, mas os sintomas a seguir costumam ser relatados: fadiga, fraqueza e sede, dores de cabeça e musculares, náuseas, vômitos e dor de estômago, tontura e sensibilidade a luz e som, tremores, suor em excesso e pulso acelerado e aumento da pressão cardíaca, vertigens (aquela sensação de o quarto estar rodando). Estes sintomas aparecem quando a concentração de álcool no sangue está diminuindo e atingem seu pico quando esta se encontra próxima a zero, como bem sabe todo bebum que continua bebendo para evitar a ressaca.
Ninguém conhece muito bem as causas da ressaca, mas sabe-se que a intensidade dos sintomas depende do tipo e quantidade de bebida ingerida e, é claro, também de fatores individuais. Antes de analisarmos o papel da mistura entre fermentados e destilados, vamos dar uma olhada nas outras causas da ressaca…
<strong>Desidratação e desequilíbrio eletrolítico</strong>
O etanol faz com que o corpo perca muita água através da urina, ou seja, ele age como diurético, o que pode desidratá-lo. Só para você ter idéia, a ingestão de 50g de álcool em 250mL de água, faz com que sejam eliminados de 600mL a 1 litro de água no decorrer de várias horas. Já o desequilíbrio eletrolítico é algo que ocorre quando a pessoa perde muito líquido na forma de urina, suor e vômitos, de maneira que a concentração de sais no sangue fica muito baixa. Isso é o que leva a típica secura da boca (e outras mucosas), sede e tontura típicas do famigerado “dia seguinte”
<strong>Distúrbios do sistema digestivo</strong>
O álcool irrita a parede do estômago e dos intestinos, causando gastrite e retardo no esvaziamento do estômago. Como se não bastasse também causa o acúmulo de gorduras no fígado (maldita comida de botequim: contribui mais ainda para a nossa ressaca…) e aumento da produção dos sucos gástrico e pancreático e secreções intestinais. Tudo isso leva à náusea, mal-estar, dor no estômago, vômitos…
<strong>Distúrbios do sono e biorritmos</strong>
Apesar do álcool ter aquele efeito sedativo capaz de fazer o pinguço dormir em qualquer lugar (calçadas costumam ser as preferidas) a qualidade do sono é muito ruim: há uma diminuição da fase de sono profundo e das horas totais de sono. Uma noite de sono alcoolizado não é exatamente do tipo que faz alguém acordar bem disposto no dia seguinte.
<strong>Dor de cabeça</strong>
Apesar de ser um dos sintomas mais comuns da ressaca, ainda não foi possível determinar sua ligação como a ingestão de álcool. Pode ser devido à vasodilatação e também a alterações provocadas em vários hormônios e neurotransmissores associados com a incidência de dor de cabeça.
<strong>Efeitos da síndrome de abstinência</strong>
Mais uma área controversa. O álcool etílico é um depressor do sistema nervoso central, ou seja, uma droga como qualquer outra. Após uma noitada bebendo, seu organismo “sente falta” da droga usada. No caso do álcool, esta síndrome de abstinência só se manifesta de forma completa após longos períodos de bebedeira, algo como dois ou três dias. No entanto, muitos dos sintomas de ressaca, que pode ter início mesmo com poucas doses de etanol, são similares aos da síndrome de abstinência.
<strong>Metabólitos do álcool</strong>
O álcool é metabolizado em dois passos: primeiro convertido a acetaldeído, através da enzima álcool-desidrogenase (ADH) (a tal enzima que os homens têm em maior proporção e que por isso podem beber mais que as mulheres), e depois a acetato, através da aldeído-desidrogenase (ALDH). Esta última enzima não permite que o acetaldeído se acumule no sangue. Seus efeitos tóxicos incluem pulso acelerado, suor excessivo, fluxo de sangue para a pele (aquele famoso nariz vermelho dos pinguços), náuseas e vômitos. Apesar da concentração de acetaldeído no sangue ser praticamente zero quando a ressaca atinge seu pico, ou seja, quando a concentração de álcool também é quase zero, acredita-se que os efeitos do acetaldeído perdurem por algum tempo após sua eliminação. Além disso, algumas pessoas possuem variantes genéticas da ALDH que permitem o acúmulo de acetaldeído. Estas pessoas passam mal com pequenas quantidades de álcool ingeridas.
<strong>Congêneres</strong>
Os congêneres são substâncias produzidas em pequenas quantidades durante a fermentação ou geradas durante o envelhecimento ou processamento da bebida, através da degradação (modificação) de substâncias orgânicas. Também podem ser adicionadas. Elas são responsáveis pelo sabor e aroma das bebidas e também se você vai prometer (em vão) nunca mais beber no dia seguinte. Elas incluem álcoois de cadeia longa (substâncias parecidas com etanol, porém com mais átomos de carbono em seu esqueleto), ésteres e compostos carbonilados. As bebidas fermentadas (vinho, cerveja etc) possuem mais destes compostos que as destiladas, e estas possuem tanto mais congêneres quanto mais escuras são. Em outras palavras, vodca contém muito menos congêneres que um uísque, por exemplo. Estudos mostram que bebidas com menos congêneres causam menos ressaca. Porém não se esqueça que mesmo álcool puro também causa ressaca.
O fígado é responsável por metabolizar o álcool. Nosso corpo considera o etanol um veneno que deve ser expelido, pois pode, entre outros danos, causar danos permanentes no cérebro. Os congêneres também são metabolizados no fígado, portanto quanto mais congêneres, mais sobrecarregado seu fígado e mais sintomas de intoxicação você terá.
O metanol, uma substância semelhante ao álcool etílico, a não ser por um átomo de carbono a menos, parece estar ligado aos sintomas de ressaca. O metanol permanece no sangue quando as concentrações de etanol já diminuíram bastante, justamente quando a ressaca se instala. Outros fatos que suportam esta afirmação é que bebidas com altos teores relativos de metanol, uísques e brandies, estão associados a terríveis ressacas além do que a administração de etanol diminui os sintomas.
<strong>Fatores pessoais</strong>
Alguns estudos mostraram interessantes ligações entre traços de personalidade e a gravidade dos sintomas de ressaca. Entre as pessoas mais propensas a ter graves ressacas são aquelas com traços de neurose, raiva e comportamento defensivo. Experiências negativas e sentimentos de culpa quanto ao consumo de álcool podem trazer sintomas piores na manhã seguinte (então não adianta se arrepender da bebedeira, isto só vai piorar sua ressaca!).
<strong>A mistura</strong>
A questão da mistura de fermentados e destilados é um pouco complexa, várias situações podem acontecer. É comum que as pessoas somente misturem após estarem “de fogo”, portanto não têm mais muita noção do quanto realmente beberam. Outras após ingerir bebidas fermentadas que possuem teores modestos de álcool (3 a 12% em média), bebem as destiladas (com teores em torno de 40 a 50%) na mesma velocidade, digamos um copo de 200mL a cada 15 minutos. Logo, ingerem etanol muito mais rápido, daí se embebedarem rápido e se arrependerem depois.
Outra circunstância digna de nota está relacionada à cerveja e ao champanhe, pois o gás carbônico das borbulhas aumenta a taxa de absorção de álcool, daí elas embebedarem mais rápido.
<strong>Conclusão</strong>
A verdade é que nem os especialistas sabem qual o efeito exato da mistura de bebidas no tamanho da sua ressaca. O mais provável é que se você chegou ao ponto de misturar é porque a ressaca já está bem encomendada. O tamanho da sua ressaca vai depender mesmo é da quantidade ingerida de álcool (seja a bebida destilada ou fermentada) e de congêneres. E quanto à mistura de congêneres, ainda não existe evidência de que ela tenha algum efeito.
<em><strong>Referências</strong></em>
<em><a href=”http://www.niaaa.nih.gov/publications/arh22-1/54-60.pdf”>Alcohol Hangover Mechanisms and Mediators – Robert Swift, MD, Ph.D.; and Dena Davidson, Ph.D.</a>
<a href=”http://www.annals.org/issues/v132n11/pdf/200006060-00008.pdf”>The Alcohol Hangover – Jeffrey G. Wiese, MD; Michael G. Shlipak, MD, MPH; and Warren S. Browner, MD, MPH</a>
<a href=”http://www.newscientist.com/hottopics/alcohol/alcohol.jsp?id=ns99991717″>New Scientist – Champagne does get you drunk faster</a>
<a href=”http://www.newscientist.com/hottopics/alcohol/alcohol.jsp?id=lw238″>New Scientist – Party Spirit</a>
<a href=”http://www.sciam.com/askexpert_question.cfm?articleID=0001A537-8D0E-1E5F-A98A809EC5880105″> Scientific American – Why do hangovers occur?</a></em>
<em>Fonte: <a href=”http://www.projetoockham.org/boatos_ressaca_1.html”>http://www.projetoockham.org/boatos_ressaca_1.html</a></em>
O que é um buraco negro?
De forma muito simplista, um buraco negro é uma região no espaço que contém tanta massa concentrada que nenhum objeto consegue escapar de sua atração gravitacional. Como a melhor teoria gravitacional no momento ainda é a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, somos obrigados a mergulhar em alguns dos resultados preditos por essa teoria para entender alguns detalhes de um buraco negro, mas vamos começar devagar, pensando sobre a gravidade em circunstâncias relativamente simples. Continuar lendo “O que é um buraco negro?”
Religião e Epilepsia
Por Edson Amâncio
Scientific American Brasil – abril de 2006
Estrutura mental da espiritualidade e seu papel evolutivo ainda são um mistério.
Um dos temas atuais mais palpitantes em neurociências é saber “onde” estão as redes neurais cerebrais que codificam a crença (ou a fé). Localizacionistas apostam no lobo temporal, e tal convicção se fundamenta na religiosidade das pessoas que sofreram lesão nessa área. Continuar lendo “Religião e Epilepsia”
Por que alguns animais são tão inteligentes?
por Carel van Schaik
Scientific American Brasil – maio de 2006
Poucos duvidam de que os seres humanos sejam as criaturas mais inteligentes do planeta. Muitos animais têm habilidades cognitivas especiais, que lhes permitem se dar bem em seus hábitats particulares, mas eles não resolvem problemas novos muito freqüentemente. Alguns fazem isso, e nós os consideramos inteligentes, mas nenhum é tão perspicaz quanto nós. Continuar lendo “Por que alguns animais são tão inteligentes?”
Os mártires cristãos nos Estados Unidos
«Com ou sem religião existem pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas más fazendo coisas más. Mas para que pessoas boas façam coisas más é necessário serem religiosas» – Steven Weinberg
No último post abordei a imagem de marca do cristianismo, a encenação e invenção de perseguições inexistentes contra os cristãos. Para os fundamentalistas cristãos americanos essas perseguições são consequências da abominável «cultura» que trivializou matérias tão inadmissíveis como as uniões de facto, a homossexualidade, o sexo, os contraceptivos e o aborto, a tolerância em relação a apóstatas e, especialmente, foi concretizada em abominações como a recente proposta de alteração das leis anti-discriminação nas escolas da Califórnia. Continuar lendo “Os mártires cristãos nos Estados Unidos”
O Argumento do “Projetista Inteligente” pode ser considerado científico?
Por Lenny Flank
Tradução: Cássia C.C. Santos
Recentemente os criacionistas vêm adotando uma nova tática conhecida como o argumento do “Projetista Inteligente” ou “Aparição Súbita”. As moléculas complexas da vida incluindo o DNA são segundo eles
“muito complicadas” e “muito improváveis”, para haver surgido por si mesmas através de processos aleatórios, e portanto devem ter sido postas juntas deliberadamente por um “projetista inteligente” com poderes sobrenaturais. Alguns criacionistas ilustram sua afirmação apontando que as possibilidades da formação de uma cadeia de DNA através de um mero acaso, são as mesmas de um tornado passar por um ferro-velho e formar um Boeing 747 completamente funcional. Continuar lendo “O Argumento do “Projetista Inteligente” pode ser considerado científico?”
Analogia falsa
Analogia falsa é uma inferência injustificada, obtida com base nas semelhanças entre dois itens ou tipos de itens. Uma inferência baseada em raciocínio por analogia justifica-se em função do número e da força das semelhanças e dissemelhanças conhecidas entre os itens comparados. Se houver muito poucas semelhanças ou se houver algumas poucas dissemelhanças muito grandes conhecidas, é injustificado obter-se inferências baseadas na comparação. O resultado é uma analogia falsa. Continuar lendo “Analogia falsa”
Estudo sobre saúde sexual acusa conservadores e Vaticano
Segundo o relatório, a cada ano, 340 milhões de pessoas são infectadas por gonorréia, sífilis, clamídia, tricomona e outras doenças de transmissão sexual. Continuar lendo “Estudo sobre saúde sexual acusa conservadores e Vaticano”
