Museu esconde múmia porque ela não deu permissão para ser bisbilhotada. Chamem um médium!

A humanidade finalmente alcançou um estágio de evolução moral tão extraordinário que agora está preocupada em obter autorização de cadáveres com três mil anos de idade. Depois de milênios de guerras, genocídios, saques, escravidão e outras demonstrações pouco edificantes da nossa capacidade de convivência, descobrimos que o verdadeiro problema civilizatório estava numa vitrine de museu em Glasgow. Uma múmia egípcia, aparentemente, vinha sendo exibida sem ter assinado um termo de consentimento

Isso é um escândalo! Uma afronta à dignidade de um cidadão que não apresenta reclamações formais desde aproximadamente 1000 A.E.C. Felizmente, a burocracia escocesa, sempre vigilante, resolveu intervir antes que o defunto sofresse novos constrangimentos. Mesmo porque, não basta morrer, ser embalsamado, atravessar trinta séculos, sobreviver ao colapso de impérios e acabar numa coleção europeia. Agora é preciso também estar em dia com a legislação de proteção à privacidade póstuma.

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Hackers fazem geladeiras entrarem numa fria

Eu acho que nada é mais simples que uma geladeira. Você liga na tomada, ela fica gelada por dentro. O que pode ser complicado? Simples: no mundo da enshitification, até coisas simples como geladeiras ficam complicadas. Aí alguém resolveu que conservar comida precisava de interface na internet, manutenção remota e software que depende de uma cadeia de empresas e contratados. Como falei lá no artigo linkado acima, a geladeira da casa dos seus avós durou trinta anos, tinha motor simples, tubulação de cobre, sem firmware, sem parafuso proprietário, sem nada que exigisse chamar assistência técnica autorizada para trocar uma peça de cinco reais. Agora, esta bagaça tem até tablet. PARA QUE?

Agora, o último caso envolvendo geladeiras modernas foi quando um agente infeccioso invadiu equipamentos em centenas de supermercados franceses. A infecção aqueceu o que deveria estar gelado, estragou toneladas de alimentos e, em algumas unidades, provocou incêndios. Em novembro, a infecção voltou. Continuar lendo “Hackers fazem geladeiras entrarem numa fria” →

Passei a dar razão aos amishes

Amishes são o grupo de pessoas que abominam tecnologias mais modernas que um arado, uma charrete e um serrote. Ok, eu devo admitir que estou sendo generalista e simplista. A real é que a relação deles com a tecnologia (e uma serra elétrica é uma peça tecnológica, não a sua Nvidia com a qual você faz modelos desnudas via IA) é um pouco mais complexa que isso. A forma como eles rechaçam tema ver com o impacto que ela pode ter na unidade familiar, na comunidade e em sua relação com Deus. Sua lógica principal é: se a tecnologia afasta as pessoas de Deus ou da comunidade, ela deve ser evitada.

Eu me senti justamente assim ontem ao instalar uma TV e colocá-la para funcionar. Continuar lendo “Passei a dar razão aos amishes” →

Evento chocante mata um boi e promove revolta da população (Índia, claro!)

Cá estava eu pensando triste que não havia nada de interessante na terra de Nosso Senhor Sidartão, o Budão. Claro, Índia sendo Índia, era uma questão de esperar muito (2 dias) que eles fariam o favor de aparecer com alguma coisa… digamos… digna de Índia. Eu recitei uns mantras, acendi um incenso, arriei um despacho na encruzilhada com açafrão e curry pro Deus Jotalhão, e eis que ele me iluminou com a notícia de um boi que passou por um momento chocante e passou dessa pra melhor, indo dar um rolê pelos círculos cármicos. Sendo animal sagrado, os moradores resolveram sentar a porrada no perpetrador disso: um monte de fios de eletricidade.

Tenho certeza de que, em algum lugar do universo, uma versão Onisciente e Onipotente dos Irmãos Zucker está tomando notas, porque tem coisas que só a Índia faz por você. Continuar lendo “Evento chocante mata um boi e promove revolta da população (Índia, claro!)” →

O amor proibido nos tempos do algoritmo

O ser humano passou milênios escrevendo poemas para explicar por que o amor é irracional, um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente. Então, inventou computadores capazes de conversar, decidiu transformá-los em namorados e, agora, chegou ao ponto em que um governo precisou publicar uma regulamentação para lembrar que, em princípio, pessoas deveriam se apaixonar por outras pessoas. Se algum arqueólogo do futuro encontrar apenas essa manchete, provavelmente concluirá que nossa civilização morreu de vergonha logo depois.

Foi exatamente isso que aconteceu na China. Entraram em vigor regras que proíbem sistemas de inteligência artificial de estimular dependência emocional ou funcionar como companheiros românticos da maneira como vinham fazendo.

Romanceando pelo algoritmo chatboteano, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O amor proibido nos tempos do algoritmo” →

Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa

O calor opressivo estava batendo como um malho numa bigorna na longínqua década de 1930. Para muitos, seria algo para deixar morgando num alpendre com 300 ventiladores, ou trancado em casa com ar-condicionado no talo, mas para uma adolescente era um dia normal. Talvez por ser de origem mexicano-americana, já acostumada com o calor, a adolescente não estava desconfortável com o verão ao visitar parentes num pequeno vilarejo do interior de Chihuahua, naquele tipo de família binacional que atravessa a fronteira com a naturalidade de quem atravessa a rua.

Entediada com a vida rural e proibida pelos pais de se aproximar dos barrancos e minas abandonadas da região, a jovem fez exatamente o que qualquer adolescente proibida faria: fingiu sair para colher cerejas e foi explorar um desfiladeiro que lhe chamara a atenção. E esta decisão iria causar um impacto no que se sabe sobre Ciência, Arqueologia e até mesmo a busca por civilizações extraterrestres, e isso graças a uma cabeça de proporções descomunais. Continuar lendo “Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa” →

CHOQUE DO DIA: Descobriram que aprovar alunos automaticamente faz reprovação despencar

Eu fico feliz em morar num país que finalmente resolveu sua crise educacional. Não foi necessário aumentar o salário dos professores, reduzir o número de alunos por turma, construir escolas em tempo integral, criar programas de recuperação de aprendizagem nem qualquer outra medida daquele tipo: cara, demorada e constrangedoramente trabalhosa. A solução foi muito mais elegante, e tem aquela beleza cristalina das ideias que parecem óbvias depois que alguém as enuncia: se os indicadores educacionais estão ruins, muda-se a forma de produzi-los. O problema some, os gráficos melhoram e todo mundo vai para casa feliz, inclusive o aluno que não sabe fração.

Vendo ser aprovada a burrice institucionalizada coo projeto de governo, esta é a sua SEXTA INSANA!

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Hanuman apronta das suas e macaco dá balão em policiais indianos (ou foi isso o que disseram)

Em 2007, uma mulher morreu. Morreu como tantas mulheres morrem na Índia rural: por causa do dote, aquele sistema medieval que o governo proibiu em 1961 e que o país continuou praticando olimpicamente como se a lei fosse apenas uma sugestão bem-intencionada, mas digna de piada. O marido foi indiciado, como já era de se esperar, só que as joias da vítima, um anel, um brinco de nariz, pulseiras e um colar, foram recolhidas como prova e depositadas no almoxarifado da delegacia de Kotwali Sadar, no distrito de Lakhimpur, em Uttar Pradesh. Ali ficariam guardadas enquanto a Justiça seguia seu curso lento e inexorável. Dezessete anos depois, o marido foi absolvido e a família foi buscar as joias. A resposta que recebeu era de se emoldurar: um macaco havia levado tudo.

Macaqueando com o meu shithole favorito, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Hanuman apronta das suas e macaco dá balão em policiais indianos (ou foi isso o que disseram)” →

O Zoológico da Masmorra

O Reiuno Unido recebe cerca de 37 a 38 milhões de turistas internacionais por ano.Claro, quem passa por Londres não deixa de passar pela Torre de Londres, e muitos que passaram por Londres no passado iam parar na Torre, mas contra a vontade. Acontece que a Torre tem um quê de pitoresco que as pessoas normalmente não sabem. Há uma pergunta que os guias turísticos da Torre de Londres deum modo geral não fazem, mas que merece ser feita: o que você faria se soubesse que, por mais de seiscentos anos, aquele complexo de pedra e terror que serviu de prisão, palácio e depósito das joias da Coroa também funcionou como zoológico?

A resposta correta é perguntar se os animais tinham celas melhores que os presos humanos. A resposta provável é que sim. Continuar lendo “O Zoológico da Masmorra” →

A Guerra das Invenções Idiotas

A Segunda Guerra Mundial foi, entre outras atrocidades, o maior laboratório de gambiarra da História Humana. Sim, ela nos deu o radar, o motor a jato, o míssil balístico e a bomba atômica; mas também nos deu um urso sargento, um submarino afundado por descarga sanitária e uma proposta de incendiar Tóquio com morcegos colados. A humanidade, quando colocada sob pressão extrema, não apenas sobrevive: ela delira com produtividade assustadora. O que se segue é um catálogo honesto desse delírio. Continuar lendo “A Guerra das Invenções Idiotas” →