Ministros que participam da reunião sobre clima da ONU decidiram nesta sexta-feira revisar o Protocolo de Kyoto em 2008 e adotaram outras medidas sobre o combate em longo prazo ao aquecimento global, segundo autoridades. O acordo dos 35 países ricos pode ser um passo importante para que países em desenvolvimento, como China e Índia, sejam mobilizados quando o Protocolo de Kyoto expirar, em 2012.
A decisão dos ministros tem boas chances de ser aprovada na manhã de sábado pelos 189 países que participam da reunião em Nairóbi, disse Yvo de Boer, diretor da agência da ONU para mudanças climáticas, à Reuters.
Esses ministros aqui estão representando o maior eleitorado da reunião, então o fato de terem chegado a um acordo me deixa bastante confiante de que poderemos obter um acordo no plenário também – disse De Boer.
Os organizadores também apontaram progressos a respeito da proposta russa para criar um mecanismo que permita a novos países se comprometerem com reduções nas emissões dos gases do efeito estufa, conforme prevê o Protocolo de Kyoto – o que é outra grande questão não resolvida, que poderia prejudicar as negociações.
– Estamos prontos para irmos a plenário com a proposta russa também – disse De Boer.
Mas o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, disse que as negociações climáticas de Nairóbi, voltadas principalmente para a África, tiveram poucos resultados no combate ao aquecimento global.
– Ouvimos muita coisa sobre os interesses nacionais, mas relativamente pouco sobre alteração climática.
Muitos defensores de Kyoto querem uma revisão, em parte para demonstrar que os atuais limites de emissões são inadequados para conter o aquecimento. Esse fator pode servir para pressionar os países em desenvolvimento a aderir.
Mas os países pobres dizem que os ricos precisam continuar sendo mais cobrados depois de 2012. Os EUA, maiores poluidores do mundo, abandonaram o Protocolo de Kyoto em 2001, alegando que os limites prejudicam sua economia e deveriam valer também para o mundo em desenvolvimento.
Numa proposta já aprovada pelo plenário, os países se comprometem a continuar a busca por um tratado que suceda o de
Kyoto, mas o único prazo mencionado é de que não deve haver intervalo entre o atual e o novo tratado.
De Boer rejeitou a conclusão dos ambientalistas de que os 6 mil burocratas reunidos no Quênia conseguiram pouca coisa.
– Acho que a conferência fez um progresso muito significativo para os países em desenvolvimento – disse De Boer, citando incentivos à energia solar e eólica, sob um esquema que pode levar 100 bilhões de dólares aos países pobres até 2012, e a
adoção de princípios para um fundo destinado a combater as alterações climáticas nos países em desenvolvimento.
Atualmente, porém, esse fundo tem apenas 3 milhões de dólares – menos que os 4 milhões gastos na organização da conferência de Nairóbi.
O Protocolo de Kyoto obriga que até 2012 os países ricos emitam 5% menos gases do efeito estufa do que em 1990. Esses países representam 30% das emissões globais e querem um acordo que valha para todos os países.
http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2006/11/17/286709040.asp
