Virose é diagnóstico ‘genérico’, diz cientista

virose.jpgTodo mundo já teve uma “virose”, especialmente na infância e nesta época do ano, quando o ar está mais seco e o tempo mais instável. Mas, o que, exatamente, é isso? Segundo o professor de microbiologia da Universidade de São Paulo Edison Durigon, “virose” é simplesmente o nome que o médico dá quando ele não sabe com certeza o que o paciente tem.

Mas, calma, não se revolte. Isso está longe de ser picaretagem do doutor. O professor Durigon explica. “Existem diversos tipos de vírus respiratórios que causam sintomas muito parecidos: febre, cansaço, falta de apetite, vômitos, coriza e dor no corpo. A maioria deles é como a gripe: não tem o que fazer, só tratar os sintomas. Depois de alguns dias o ciclo da doença se completa e a pessoa melhora”, explica o médico.

Identificar caso a caso exatamente qual vírus é o responsável pelos sintomas do paciente é complicado, exige um exame laboratorial, e, na prática, não vale a pena porque o tratamento será o mesmo qualquer que seja ele. Por isso, o médico simplesmente prescreve medicamentos contra os sintomas e manda o paciente de volta para casa, com o aviso de que se o quadro não melhorar é preciso voltar.

“Na maioria das vezes que um paciente, geralmente uma criança, chega com sintomas como febre, garganta vermelha e dor no corpo, é um vírus. Às vezes, no entanto, é simplesmente uma doença em seus primeiros estágios, que ainda não se definiu”, explica Durigon. “Se na hora de passar pelo médico a garganta está só vermelha, por exemplo, ele diz que é uma virose e manda o paciente para casa. Se for um vírus, basta o remédio contra o sintoma e o quadro vai se resolver sozinho em alguns dias. Mas se depois de um tempo começar a aparecer pus, por exemplo, é uma infecção. O paciente precisa voltar para que o médico prescreva um antibiótico”, diz ele.

A prática não oferece qualquer perigo, porque os vírus mais perigosos têm características específicas e os médicos já tomam ação imediata ao reconhecê-los. É o caso da dengue. Febre alta e repentina, além de manchas vermelhas pelo corpo, são sinais claros da doença e, daí, o tratamento é específico.

Se é tão simples, por que, então os médicos simplesmente não explicam tudo isso em vez de agrupar tudo sob o nome de “virose”? Para acalmar o paciente. “Por mais que você explique tudo isso, se você dizer que não pode definir o que o paciente tem exatamente, ele vai sair do consultório preocupado, com uma pulga atrás da orelha. Desnecessariamente”, explica Durigon. “Além disso, quando você fala virose a pessoa automaticamente fica tranqüila, porque já ficou estabelecido que isso não é um problema muito grave”, diz ele.


Fonte: G1

Um comentário em “Virose é diagnóstico ‘genérico’, diz cientista

  1. ‘Ai, que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infãncia querida, que os tempos não voltam mais’.

    Foi-se o tempo em que o médico era um ‘médico de família’: hoje vamos a um médico e ele fala: ‘é uma virose’. Experimente perguntar a ele: virose causada por qual vírus? Infelizmente muitos vão na base do ‘chutômetro’. Se a saúde fosse levada a sério em nosso país, antes de dar quaisquer diagnósticos sem quaisquer bases científicas/médicas, o médico se debruçaria sobre a questão e estudaria os sintomas do paciente.
    O quadro da saúde é fruto da terceirização do sistema: Se o sistema público de saúde funcionasse, quem pagaria planos privados? E, mesmo nos privados, ainda há o ‘toque de bois’: ‘vamos falar qualquer coisa para podermos atender ao seguinte’.

    Aff….parece que eventual mudança tem de ser iniciada no interior dos indivíduos (conscientização). Do contrário: “ERA UMA VEZ!”

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