Esmalte dos dentes indica que hominídeo antigo tinha dieta variada

Por Ciara Curtin

O hominídeo Paranthropus robustus pode não ter tido uma dieta tão especializada quanto se imaginava. Usando uma nova técnica de laser, antropólogos examinaram os dentes desses hominídeos e descobriram que, na realidade, o primata comia diversos tipos de alimentos.

Entre 2,4 e 1,4 milhão de anos atrás, os P. robustus vagavam pela savana africana. Os pesquisadores suspeitavam que, como tinham grandes molares com esmalte dental espesso e músculos fortes na região maxilar, esses hominídeos comiam alimentos pouco nutritivos e fibrosos, enquanto seus parentes que faziam ferramentas, os Homo habilis e o Homo erectus, se alimentavam de comidas mais macias, como frutas e carne. “Várias características faziam que esses hominídeos se parecerem com máquinas de mastigação”, diz o antropólogo Matt Sponheimer, da Universidade do Colorado em Boulder. “Os dentes humanos, em comparação, são um tanto delicados.” Essa dieta aparentemente rígida foi responsabilizada pela extinção dos P. robustus mais adiante no Pleistoceno à medida em que o clima se tornou mais seco e com estações mais demarcadas.

Usando dentes datados de 1,8 milhão de anos da África do Sul, Sponheimer e seus colegas pesquisaram a dieta do hominídeo em uma escala sazonal. O esmalte do dente, disposto em camadas, não se decompõe rapidamente, explica Sponheimer, e fornece um quadro dinâmico da composição química do hominídeo. As substâncias químicas encontradas em qualquer animal provêem do que ele ingere, como os vegetais. As plantas transformam luz solar em energia usando a fotossíntese, mas elas utilizam com duas formas ligeiramente diferentes desse processo. As duas abordagens acrescentam quantidades diferentes do isótopo de carbono-13 às folhas dos vegetais. Arbustos e árvores têm menos carbono-13 em suas frutas ou folhas que as gramíneas da savana. As substâncias químicas dos alimentos ingeridos pelos P. robustus, incluindo o isótopo, foram incorporadas ao esmalte dos dentes permanentes do homínideo enquanto eram formados.

Sponheimer e seus colegas usaram um laser para remover amostras de cada um dos dentes de quatro P. robustus, deixando apenas pequenas marcas nos espécimes preciosos. Depois, analisaram a proporção de isótopo de carbono nas amostras. Em vez de comer apenas alimentos de consistência dura, os pesquisadores relataram na Science da semana passada, os Paranthropus ingeriam uma série variada de alimentos, talvez gramíneas, tubérculos e mesmo animais – e eles variavam conforme a estação e de hominídeo para hominídeo.

Mas, se os P. robustus tinham uma dieta flexível, a alimentação não foi a razão pela qual eles foram extintos. Sponheimer sugere outras possibilidades: se tinham uma dieta mais variada, podem ter comido os mesmos alimentos que os H. habilis ou os H. erectus. Talvez essa competição direta tenha acabado com eles. Ou talvez os P. robustus tenham vivido em grupos menores mais suscetíveis a predadores. Ou os ancestrais humanos se misturaram a eles e os aniquilaram. “Na realidade, o céu é o limite”, diz Sponheimer. “Mas a resposta simples é nós não sabemos.”

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