A última canção de um império: o Epitáfio de Seikilos

Há uma sala no Museu Nacional da Dinamarca onde a luz entra devagar, como se meros fótons tivessem consciência da importância do local. Caminhando por corredores silenciosos, chega-se perante uma pequena coluna de mármore. Ao redor, o silêncio educado e um pouco solene que só existe em museus e em velórios. Ali é o Departamento de Antiguidades, e a coluna está cercada de outros fragmentos gregos e romanos que também sobreviveram por acaso ou por teimosia. Vasos que perderam a alça. Estátuas que perderam o nariz. Moedas que perderam o brilho mas não o perfil do imperador. É uma sala de sobreviventes, uma espécie de sala de espera na qual cacos do passado aguardam, pacientemente, que alguém pare, incline a cabeça e leia… e escute.

A coluna ali presente canta silenciosamente por meio de letras gregas entalhadas há muito tempo, junto aos símbolos que indicam a melodia. Uma voz que atravessou o tempo que traz a sensação de que a pedra sussurra, baixinho, para quem se debruça sobre o vidro. Aquela coluna é o Epitáfio de Seikilos. Continuar lendo “A última canção de um império: o Epitáfio de Seikilos”

O que Alexandre, o Grande, tinha no prato?

Todo mundo conhece Alexandre, o Grande, o conquistador que não perdeu uma única batalha e expandiu seu império até os confins da Ásia. Mas… você já parou pra pensar no que esse sujeito comia? Qual era o gosto de um banquete real no século IV antes de Cristo? Pode apostar que vai muito além de pão e vinho. Continuar lendo “O que Alexandre, o Grande, tinha no prato?”

Peloponeso: guerras, heroísmo e história

Há muito tempo, em uma terra banhada pelo Sol e cercada por mares cristalinos, a História se descortinou em uma península que se tornaria o berço de lendas e mitos: o Peloponeso. Esta região, rica em história e beleza, foi palco de grandes feitos e aventuras que ecoam através dos séculos. Continuar lendo “Peloponeso: guerras, heroísmo e história”

A filosófica Atenas

Estamos em época de Olimpíadas. Eu deveria postar algo sobre a França, mas é óbvio que falar de olimpíadas nos remete à Grécia. Assim, eu prefiro falar sobre Atenas, mas o que dizer? Nada que já não se tenha dito, ou pode ser pura preguiça, mesmo. Berço da Civilização Ocidental – embora seus princípios teriam sido estranhos aos atenienses dos tempos de Sócrates –, Atenas convive com o velho e o novo, sendo que é do velho que ela tira o grosso do seu dinheiro por conta do turismo.

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Demóstenes: o inimigo do gado de políticos

O mais forte escudo e salvaguarda para todos os homens, especialmente para as massas contra os tiranos, é a desconfiança daqueles que estão no poder. Se você valoriza a liberdade, então guarde essa desconfiança, apegue-se a ela. Cada rei, cada déspota é o inimigo jurado da liberdade.

– Demóstenes, Filípicas 2:24

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Só os antigos atenienses mais ricos pagavam impostos; e eles se gabavam disso!

Por Thomas Martin
Professor de Clássicos, College of the Holy Cross

Na antiga Atenas, apenas as pessoas muito ricas pagavam impostos diretos, e estes iam para financiar as despesas nacionais mais importantes da cidade-estado: a Marinha e as honras dos deuses. Embora hoje possa parecer surpreendente, a maioria desses principais contribuintes não apenas pagou alegremente, mas se gabou de quanto pagou.

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De onde vem as cegonhas que trazem os bebês?

Você conhece a velha história que cegonhas trazem bebês. Mesmo que você tenha crescido e (espero) deixado de acreditar nisso, elas ainda estão presentes em cartoons, desenhos animados, cartões, produtos infantis e ainda povoam o nosso imaginário. Tudo muito bem, tudo legal, mas, cá pra nós, você nunca parou para pensar o que cegonhas tem a ver com bebês, certo? Continuar lendo “De onde vem as cegonhas que trazem os bebês?”