Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa

O calor opressivo estava batendo como um malho numa bigorna na longínqua década de 1930. Para muitos, seria algo para deixar morgando num alpendre com 300 ventiladores, ou trancado em casa com ar-condicionado no talo, mas para uma adolescente era um dia normal. Talvez por ser de origem mexicano-americana, já acostumada com o calor, a adolescente não estava desconfortável com o verão ao visitar parentes num pequeno vilarejo do interior de Chihuahua, naquele tipo de família binacional que atravessa a fronteira com a naturalidade de quem atravessa a rua.

Entediada com a vida rural e proibida pelos pais de se aproximar dos barrancos e minas abandonadas da região, a jovem fez exatamente o que qualquer adolescente proibida faria: fingiu sair para colher cerejas e foi explorar um desfiladeiro que lhe chamara a atenção. E esta decisão iria causar um impacto no que se sabe sobre Ciência, Arqueologia e até mesmo a busca por civilizações extraterrestres, e isso graças a uma cabeça de proporções descomunais. Continuar lendo “Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa” →

Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam

Sabe quando os mais velhos dizem que antigamente tudo era melhor? Eles não estavam errados. Olhe ao redor e preste atenção. Da geladeira ao Sistema Operacional, dos carros até um forno, em que é preciso logins, e senhas, e IA, muita IA, cheio de IA e para que? Para você sentar na frente da TV e colocar um programa preferido, driblando comerciais. Uma pesquisa te dá tudo, menos o que você está pesquisando. Isso tem um nome: Enshitification, o, como eu prefiro traduzir livremente: esmerdalhamento das coisas. Continuar lendo “Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam” →

Artigos da Semana 314

Esta semana acaba  Copa do Mundo e eu estou desesperançado. Não terei mais 3 jogos por dia com seleções buscando a glória máxima. Ah, sim, ainda teve a o Brasil, também. Enfim. Pelo menos, a certeza é que continuamos colocando aqui os melhores artigos de vários assuntos, e eu continuo com a série O Apocalipse Tecnológico Moderno, algo que você não lerá em blogs de tecnologia, já que eles apenas viraram vitrine de empresinha ou press release ou coisas sem sentido.

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Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia

Todo mundo fica de frescura à espera da Rebelião das Máquinas, Apocalipse Robótico ou mesmo o fim dos tempos ao modo Zumbi. Eu não me engano. Nosso fim mesmo será quando os macacos se revoltarem e escravizarem seres humanos. Os planos para dominação mundial começaram bem na Tailândia, um país muito apropriado para o fim de tudo e fodendo todo mundo. No caso, uma centena de macacos resolveu atacar todo mundo e dizer HAIL CAESAR!

Vendo o mundo numa imensa Ação da macacada, esta é  sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia” →

Apertem os cintos, o piloto se jogou

Há certas frases que, ditas no momento errado, deixam de ser conselho e viram sentença. Por exemplo, dizer “Você sabe o que fazer, continue seguindo em frente” é, na maioria das vezes, algo que normalmente um instrutor faz a um aluno nervoso; problema é a minoria das vezes em que isso não soa legal, como falar isso segundos antes de tirar o fone de ouvido, organizar os pertences, destravar o cinto, abrir a porta e pular fora de um avião em movimento.

Não é o tipo de coisa que alguém queira presenciar, pincipalmente sendo o próprio aluno de pilotagem. Continuar lendo “Apertem os cintos, o piloto se jogou” →

Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo

Existe uma maneira extremamente cara de vencer uma corrida tecnológica. Você investe centenas de bilhões de dólares em pesquisa, forma engenheiros durante décadas, constrói fábricas, ergue data centers do tamanho de bairros inteiros e torce para chegar primeiro. E existe outra muito mais barata: convencer quem está na frente a pisar no freio.

A história da tecnologia está repleta desse tipo de disputa, e ela nunca fica restrita a laboratórios e patentes. Sempre que uma inovação ameaça reorganizar mercados inteiros, a batalha se muda para a política, os tribunais, a imprensa, as audiências públicas e, cada vez mais, as redes sociais. Continuar lendo “Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo” →

Artigos da Semana 313

Hoje é dia do jogo do Brasil. Escrevi isso aqui sem saber o resultado, e isso nem tem algo a ver com os textos, que vão desde um imbecil que trabalha como guia e não sabe o caminho até o câncer que se recusa a morrer passando pelo México tendo o seu próprio Batman.

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Batman Mexicano mete moral e prende bandidagem

Havia uma cidade na qual a noite chegava mais cedo do que o de costume, não por causa do inverno nem da latitude, mas porque a luz dos postes parecia ter desistido de brigar contra a escuridão que se instalara nas ruas. O crime crescera devagar, mas sombriamente, como quem se muda de mansinho para não incomodar os vizinhos, até que os moradores aprenderam a andar olhando por cima do ombro e a polícia aprendeu a preencher boletim de ocorrência com a mesma resignação de cobrador de ônibus recebendo a passagem. As autoridades prometiam providências, os jornais prometiam apuração, e o cidadão comum prometia, silenciosamente, parar de acreditar em qualquer uma das duas promessas.

Este lugar era o tipo de lugar onde criminosos acham que podem fazer seus ganhos e nada irá lhes acontecer. Este lugar não é uma Nova Jersey disfarçada de metrópole gótica, e o super-herói que ela produziu não tem mordomo, não tem helicóptero e definitivamente não tem verba de marketing: essa cidade é Lagos de Moreno, no estado mexicano de Jalisco, e o herói que decidiu aparecer, sem convite e sem antecedentes claros, atende, nas redes sociais, pelo nome de… O Batman Mexicano!

ESTA É A SUA SEXTA INSANANANANANANANANANANA! BATMAN! Continuar lendo “Batman Mexicano mete moral e prende bandidagem” →

Vaticano expulsa velharada e não gasta o seu latim

Toda organização que dura dois mil anos acumula parentes incômodos, e a Igreja Católica tem uma lista respeitável deles. Tem o parente que foi embora batendo a porta em 1054 e nunca mais atendeu o telefone, discordando sobre quem mandava mais; tem o parente que abriu uma emissora de rádio própria no século XVI e passou a vida inteira criticando a família original pregando poucas e boas numa porta, que é basicamente a versão medieval de vender assento vip no paraíso; e agora, no ano de 2026, a ICAR ganhou um novo desentendimento de família, só que dessa vez o motivo não é teologia complexa nem doutrina obscura. É apego à língua morta. Continuar lendo “Vaticano expulsa velharada e não gasta o seu latim” →

O câncer fatal que virou um problema de encanamento biológico

Você chega ao hospital com uma dor de cabeça chata, dessas que não passam nem com paracetamol nem com promessas de que amanhã será melhor. Os médicos batem uma tomografia, encontram várias manchas espalhadas pelo seu cérebro e, num tom que tenta ser gentil mas nunca consegue, informam que aquilo tem toda a cara de câncer metastático. O tipo de notícia que reorganiza uma vida inteira em quinze minutos.

Você é medicado com corticoide, melhora rápido, e a equipe médica sai correndo atrás da origem do tumor primário: emarái, colonoscopia, PET scan, a bagaça completa. Daí, descobrem que não existe tumor nenhum. O que parecia o pior cenário possível simplesmente não bate com a realidade, e a equipe se vê obrigada a repensar tudo, porque uma ressonância mais detalhada revela cistos, não tumores, e dentro de alguns desses cistos havia algo com cabeça própria. Literalmente. A notícia boa é que não é câncer. A notícia ruim é que o motivo é ainda mais perturbador, e o paciente carregava vermes alojados no cérebro sabe-se lá quantos anos. Continuar lendo “O câncer fatal que virou um problema de encanamento biológico” →