Capivara da balé em autoridades inglesas. GO, SAMBA, GO!

Há uma longa tradição de animais que chegam a um lugar novo, dão uma olhada cínica ao redor com cara de fiscal do INSS e decidem: “isso aqui não passa nem no crivo da mais baixa expectativa”. Pombos fazem isso com aeroportos lotados. Gatos fazem isso com o conceito inteiro de dignidade humana. E Samba, uma capivara de nove meses recém-chegada ao Marwell Zoo em Hampshire, Inglaterra, fez isso com a calma de quem já leu o contrato, viu o “espaço temporário” e concluiu que o diabo está nas cercas mal soldadas. Continuar lendo “Capivara da balé em autoridades inglesas. GO, SAMBA, GO!”

Artigos da Semana 298

Agora temos uma nova celeuma, a tal cantora rica que nunca ouvi falar arrumou problema com a filha rica do ator rico e enteada do jogador de futebol rico e, por algum motivo, acham que isso é algum problema máximo. Como já sei que na semana que vem teremos uma outra celeuma, fiquemos com o que foi postado na semana, porque tá me dando preguiça.

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Skynet mete o louco e começa a sacolejar no restaurante

Segunda-feira, porque TINHA que ser numa maldita segunda-f(ucking)eira, com aquele fafé bosta, requentado, feito no sábado e reaproveitado porque o patrão é muquirana. Este pesadelo só confirma que você acordou no mundo errado, levanta, toma banho frio porque não pagou a conta de luz e não tem aquecimento a gás e percebe que a vida conseguiu, mais uma vez, superar suas expectativas negativas. E então abre o noticiário e descobre que a revolução das máquinas começou… num restaurante de hotpot, com um robô dançando descontrolado.

Não com ogivas nucleares. Não com drones assassinos. Com um robô fazendo coreografia freestyle no meio de caldo fervente. Continuar lendo “Skynet mete o louco e começa a sacolejar no restaurante”

Brasil proibiu o maligno Ubunto para crianças (PornHub tá de boas)

Existe uma frase em inglês que virou ferramenta universal para encerrar qualquer discussão sem precisar vencer nenhuma: “Think of the children” (Pensem nas Criancinhas). Traduzida com carinho para o português, ela cumpre a mesma função: substituir argumento por emoção e abrir caminho para decisões que não sobreviveriam a dois minutos de análise honesta. O Brasil, sempre atento às piores importações culturais, resolveu adotar a prática com entusiasmo. E isso começou simplesmente com um vídeo viral, um Congresso subitamente apressado (e ciente que em 2026 haverá eleições) e pronto: nasceu uma lei antes que alguém com conhecimento técnico suficiente tivesse tempo de perguntar o que, exatamente, estava sendo aprovado. Continuar lendo “Brasil proibiu o maligno Ubunto para crianças (PornHub tá de boas)”

Cosplay de Zé Colmeia põe macacada pra correr na Índia

Segunda-feira. O dia em que a humanidade retorna ao trabalho com a mesma energia de um gato sendo empurrado para dentro de uma banheira com água gelada. Café do trabalho horrível, porque o pó é vagabundo, a cafeteira tá suja e a Tia do Café odeia todo mundo. Some-se a isso boletos acumulados e aquela suspeita persistente de que a civilização inteira é um grande projeto que saiu do controle, feito por algum débil mental, mas ninguém teve coragem de cancelar. Então, você abre o noticiário esperando algum escândalo político ou desastre geopolítico de bom nível… e descobre que, no interior da Índia, agricultores estão combatendo macacos vestindo fantasias de urso. A semana mal começou e a espécie humana já entrou em modo experimental. Continuar lendo “Cosplay de Zé Colmeia põe macacada pra correr na Índia”

Artigos da Semana 297

Hoje é dia da premiação do Oscar, e mais um ano eu não irei assistir. Quando tiver filmes que prestem concorrendo, aí é outra história. Enquanto isso, o arranca-rabo no Irã ainda está acontecendo e minha fatura de cartão está alta. Adivinhem com qual coisa estou me importando?

Nisso, vejam o que foi postado durante a semana.

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CSI Karachi: a múmia de 2.600 anos que era mais novinha

Negócio com múmias nem sempre dá boa coisa. Que o diga que teve o desprazer de ver o filme com Tom Cruise. Um exemplo disso aconteceu em outro do ano 2000. Um certo sujeito chamado Ali Aqbar, residente em Karachi (a maior cidade, principal centro econômico, comercial e portuário do Paquistão), aparece com uma proposta de negócio que mistura Arqueologia, mercado negro e uma autoconfiança verdadeiramente admirável para quem estava prestes a ser preso (para ser justo, ele não sabia disso… ainda). O que ele tinha em seu poder era a múmia de princesa persa, supostamente com 2.600 anos de idade, embalada num caixão dourado dentro de um sarcófago de pedra, disponível pelo módico preço de onze milhões de dólares.

Não era um iFony nem um Rolex de camelô. Era uma múmia com um preço bem camarada, diga-se de passagem. O que poderia dar errado? Continuar lendo “CSI Karachi: a múmia de 2.600 anos que era mais novinha”

O bebum, a rainha e o vinho vagabundo

Tem coisas que só o álcool faz por você; que o diga o Zé Ruela que resolveu dar um rolê pelo Palácio de Buckingham, a residência oficial da monarquia britânica. Em teoria, invadir o Palácio de Buckingham deveria exigir algo próximo de uma operação do Ethan Hunt, já que, em tese, aquela residência humilde e simplória é a residência de um chefe de Estado, palco de recepções governamentais e símbolo arquitetônico do Império Cujo Sol Nunca Se Põe e uma coleção de tapetes que provavelmente tem mais pedigree histórico do que a maioria das famílias europeias. Junte-se a isso aqueles guardas imóveis com chapéus de pele de urso, patrulhas armadas, polícia especializada, alarmes, câmeras e uma burocracia de segurança que supostamente impede até um pombo mal-intencionado de entrar sem autorização.

Mas nem sempre foi assim. Em 1982 um pintor desempregado, meio bêbado e completamente sem a menor ideia do que estava fazendo conseguiu entrar ali dentro. Duas vezes. Na segunda, acabou frente a frente com a rainha. Continuar lendo “O bebum, a rainha e o vinho vagabundo”

Confundiram um pedregulho voador com um míssil

No domingo (08/03) à tarde, enquanto boa parte da Europa estava tranquilamente de pantufas e ocupada arranjando um motivo para não entrar em guerra com o Irã, um objeto de alguns metros de diâmetro cruzou o céu. Geral ficou com o símbolo do cobre na mão, e se você acha que eu escrevi isso porque tenho medinho de escrever cu, errou redondamente, tão redondo quanto o seu cu. Quer dizer, acho que ele é assim, não sei, não me interessa.

O que me interessa mesmo é que um pedregulhão espacial, com bilhões de anos de estrada acumulados, muita milhagem a ponto de estar em sala VIP de Guarulhos (que merda, eu sei) e absolutamente nenhum interesse em geopolítica, decidiu que Koblenz, cidade simpática no estado alemão da Renânia-Palatinado, seria um destino razoável. O Cosmos, como de costume, não consultou ninguém. Continuar lendo “Confundiram um pedregulho voador com um míssil”

Artigos da Semana 296

O entrevero lá no Oriente Médio já é notícia de ontem e ninguém mais liga. Entra aiatolá, se atola o aiatolá, bomba daqui, bm da dali, tudo a mesma coisa. Só tem uma coisa que não é a mesma coisa: meus artigos, que sempre é algo novo e diferente.

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