Determinando a idade dos fósseis

Por Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências

Uma das questões recorrentes durante palestras e também na correspondência com os leitores desta coluna é sobre como os pesquisadores são capazes de determinar a idade de um fóssil. Como alguns podem imaginar, a datação de um fóssil não é uma questão trivial e está ligada à complexidade do registro paleontológico – desde a formação do fóssil até o que ocorre com a camada sedimentar onde este se preservou. Até que os princípios gerais não são tão complicados, mas a aplicação destes na prática…

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Imunidade herdada da mãe

Em mulheres grávidas, um grande número de células da mãe entra no corpo do feto e o sistema imunológico em desenvolvimento aprende a tolerar tais células, em vez de atacá-los da mesma forma como reagirá contra substâncias estranhas no futuro.

Ao entrar em contato com as células da mãe, o feto dá início à produção de células imunes especiais, que suprimirão a resposta contra a mãe. A descoberta é de um estudo feito por cientistas dos Estados Unidos e da Suécia, destaque de capa da edição de 5 de dezembro da revista Science. Continuar lendo “Imunidade herdada da mãe”

Panderichthys e a origem dos dedos

Panderichthys é largamente reconhecido como a forma transicional da evolução dos tetrápodes (sabe como é, né… aqueles fósseis transicionais que os criaBURRIcionistas alegam que não existe). Um belo espécime lindamente preservada para horror de toscos que ainda têm a esperança que o mundo apareceu do nada foi encontrado em 2005.

O Panderichthys é (ou melhor, era) um bichinho muito interessante. Ele é mais parecido com um peixe do que com uma salamandra e para um criaBURRIcionista, é apenas um peixe, como uma sardinha em lata ou o imenso peixão que engoliu Jonas (ou era uma baleia? Não, não, era um monstro marinho! Não era… ah, esquece!), no entanto suas barbatanas eram ósseas. Continuar lendo “Panderichthys e a origem dos dedos”

Cientistas testemunham a neurogênese

Pela primeira vez, pesquisadores encontraram uma forma de visualizar células-tronco em cérebros de animais vivos, incluindo os seres humanos. A descoberta, que permitirá aos cientistas acompanharem o processo da neurogênese – formação de novos neurônios – é anunciada meses após a confirmação de que essas células são geradas tanto em cérebros adultos quanto em cérebros em desenvolvimento.

“Eu estava procurando um método que permitisse o estudo dessas células ao longo da vida”, afirma Mirjana Maletic-Savatic, professora-assistente de neurologia da Stony Brook University, em Nova York, e especialista em problemas neurológicos, como a paralisia cerebral a que bebês prematuros e de baixo peso estão sujeitos. Segundo a cientista, essa nova técnica permite acompanhar esses pacientes de risco por meio de um monitoramento do comportamento e da quantidade das chamadas células progenitoras em seus cérebros. Continuar lendo “Cientistas testemunham a neurogênese”

Moscas fêmeas escolhem vários parceiros para evitar gene ruim

Evitar um gene maléfico à descendência é a razão pela qual as moscas fêmeas preferem ter vários parceiros em vez de um só, e se você pensou que era por causa delas serem vagabundas desclassificadas, errou feio! A conclusão é de um estudo realizado por uma equipe internacional de cientistas, publicado pela revista “Science”.

A poliandria, a prática feminina de se ligar a vários machos, é muito comum no reino animal, mas os motivos desta conduta são ainda uma incógnita, principalmente porque, em algumas espécies, o custo pode ser muito alto – nas fêmeas da mosca-das-frutas Drosophila melanogaster, por exemplo, causa a morte. No gênero humano, não. Desse modo, vai ter muita mulher com explicações biológicas “satisfatórias” por estarem pulando a cerca. Vamos ver quantas mulheres virão aqui me xingar…

Descoberto ancestrais das tartarugas

Foram encontrados no sudoeste da China fósseis da tartaruga mais antiga de que se tem notícia, com 220 milhões de anos. O esqueleto achado na província de Guiyang chama a atenção por não possuir o resistente casco que protege e envolve quase todo o corpo das tartarugas modernas. Os paleontólogos que analisaram o fóssil acreditam que ele esclarecerá muitas dúvidas sobre a evolução dos quelônios e sobre o surgimento de seu casco.

Apesar de não ter o casco, a tartaruga do Triássico superior chinês já apresentava a proteção ventral, conhecida como plastrão – um escudo ósseo exclusivo das tartarugas – completamente formado. Por isso, a espécie foi denominada Odontochelys semistestacea – literalmente, “tartaruga dentada com meia carapaça”. O quelônio foi descrito na Nature desta semana por cientistas chineses, americanos e canadenses. Continuar lendo “Descoberto ancestrais das tartarugas”

ETs em Ipuaçu: A volta dos que nunca vieram

Este é um artigo em homenagem ao glorioso povo de Ipuaçu e Xanxerê, exceto os analfabetos funcionais que não sabem o significado das palavras Aborígene e Barnabé. Houaiss mandou lembrança, gente.

Eu fiquei tocado com o amor do pessoal lá, povo humilde, trabalhador e que respeita quem pensa diferente. Um povo honesto e bem educado, apesar de terem me xingado de tudo que é jeito, mas tudo bem. Não conheço um só dono de site cético que não tenha sua coleção de xingamentos e ameaças. Deve ser falta de “séquiço” (escrevi como se pronuncia pra ficar mais fácil compreender). Continuar lendo “ETs em Ipuaçu: A volta dos que nunca vieram”

Médicos acreditam ter curado Aids com transplante de medula

Médicos na Alemanha afirmam que um paciente de Aids parece ter sido curado após um transplante de medula óssea de um doador que tinha resistência genética ao HIV. Os pesquisadores de Berlim disseram na quarta-feira (12/10) que o paciente, um homem que sofria de leucemia e Aids, não apresenta nenhum sinal de ambas as doenças desde o transplante, que aconteceu há dois anos.

O resultado pode ser um sinal positivo nas pesquisas de terapia gênica para tratamento de Aids. Um comunicado do hospital Charité, de Berlim, afirma que o homem de 42 anos – um americano que mora na Alemanha, cujo nome não foi identificado – foi infectado pelo HIV há mais de uma década. Continuar lendo “Médicos acreditam ter curado Aids com transplante de medula”

Cientistas revelam origem de polvos de grandes profundidades oceânicas

A origem de muitos dos polvos que existem nas grandes profundidades do oceano se situa em uma espécie que viveu na Antártica há 30 milhões de anos, no domingo (9), disseram cientistas que trabalham no primeiro Censo da Vida Marinha (Census of Marine Life, CoML).

Há menos de dois anos para a finalização do primeiro CoML da história, os cientistas que participam do projeto divulgaram algumas das principais descobertas feitas até o momento. O CoML é um projeto no qual trabalham dois mil cientistas de 82 países de todo o mundo e que, em outubro de 2010, publicará a primeira lista de espécies marinhas conhecidas, tanto das existentes atualmente quanto das já extintas. Continuar lendo “Cientistas revelam origem de polvos de grandes profundidades oceânicas”

Freud não explica (quase) nada

Por Reinaldo José Lopes

É irônico que um especialista em demolir ídolos, um sujeito que esmigalhava idéias pré-concebidas lambendo os beiços, feito gourmet, tenha ele próprio virado um monstro sagrado. Refiro-me, claro, a Sigmund Freud, o pai da psicanálise. O problema com a canonização de Freud é simples. Assim como não dá para negar a importância do psiquiatra vienense na história das idéias do Ocidente (e, por favor, leia “história” como se a palavra estivesse escrita com neon e letras garrafais), também é inegável que o grosso do que ele propunha como explicação da mente humana é… bem, porcaria. Pronto, falei.

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