A improbabilidade de Deus

Por Richard Dawkins

Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolás oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus. Continuar lendo “A improbabilidade de Deus”

Açúcares

Branco e doce; por vezes escuro. Não se sabe direito como nossa dieta seria sem eles: os açúcares. Presentes não só em nosso café da manhã, mas em todo o nosso metabolismo, os açúcares são de extrema importância para que nosso organismo funcione de maneira adequada. Mas, o que foi que quis dizer com açúcares? Não existe um só tipo de açúcar (aquele que se compra em supermercado e que há uma grande campanha contra ele na TV)? A resposta é não. Afinal o que é o açúcar (ou açúcares, que confusão!) e por que ele(s) é (são) tão importante(s)? Por que há verdadeiros combatentes dispostos a lutar contra ele? Continuar lendo “Açúcares”

A Incrível Engenharia Hebraica

Nossos amigos hebreus nunca foram bons de matemática, como observado pelas diversas histórias e disparates cronológicos (aos quais nos aprofundaremos em artigo específico). Mas, a melhor delas com certeza remete à construção de um templo. Não um templo qualquer, mas um templo construído sob as ordens do grande e sábio Rei Salomão. Sim, aquele mesmo que era expert em resolver brigas de lavadeiras, ameaçando cortar bebês ao meio. Muito sábio da parte dele (eu só queria saber se as duas topassem a divisão, mas isso é outra história). Continuar lendo “A Incrível Engenharia Hebraica”

Propriedades Coligativas

É comum vermos colocarem sal para ajudar a derreter neve (e impedir que se forme novamente) em estradas, a fim de que se evitem acidentes. Colocando um punhado de açúcar em água fervendo, ela pára de ferver e precisa ser mais aquecida para que volte à fervura. Por que isso acontece? O que faz com que tais fenômenos ocorram? Resposta: Tudo se deve às propriedades coligativas. Mas, de princípio, convém definir o que são elas, certo? Read more »

O final dos tempos

impacto.jpgImagine um dia calmo de domingo. Crianças brincam inocentemente no parque. Os pais conversam e comentam fatos do dia-a-dia. Tudo normal na superfície do nosso lindo planeta azul.

Todos felizes, ignoram o perigo que viaja no espaço e se aproxima da Terra com velocidade astronômica. Continuar lendo “O final dos tempos”

O senso comum e a ciência

Por Rubem Alves
Extraído de Filosofia da Ciência

O que é que as pessoas comuns pensam quando as palavras ciência ou cientista são mencionadas? Faça você mesmo um exercício. Feche os olhos e veja que imagens vêm à sua mente.

As imagens mais comuns são as seguintes:

  • O gênio louco, que inventa coisas fantásticas;
  • O tipo excêntrico, ex-cêntrico, fora do centro, manso, distraído;
  • O indivíduo que pensa o tempo todo sobre fórmulas incompreensíveis ao comum dos mortais;
  • Alguém que fala com autoridade, que sabe sobre que está falando, a quem os outros devem ouvir e … obedecer. Continuar lendo “O senso comum e a ciência”

A origem dos idiomas

Os 3 mil idiomas falados hoje no mundo podem ter a mesma origem. Na busca dessa lingua-mãe, os pesquisadores descobrem semelhanças incríveis que talvez não sejam coincidências.

Recolhido a seus aposentos numa certa noite do final do século VII a.C., Psamético, um dos últimos faraós do Egito, que reinou de 664 a 610 a.C., refletia sobre as línguas que os homens falavam. Sua riqueza e diversidade, as semelhanças e as diferenças entre as palavras, as pronúncias, as inflexões de voz, tudo o fascinava – principalmente a idéia de que essa multiplicidade tinha uma origem comum, uma língua mãe falada por toda a humanidade num tempo muito remoto, como afirmavam as lendas da época. Continuar lendo “A origem dos idiomas”

Sobre os Calendários

calendario.jpgTodos os calendários se baseiam nos movimentos aparentes dos dois astros mais brilhantes da abóbada celeste, na perspectiva de quem se encontra na Terra – o Sol e a Lua – para determinar as unidades de tempo: dia, mês e ano.

O dia, cuja noção nasceu do contraste entre a luz solar e a escuridão da noite, é o elemento mais antigo e fundamental do calendário. A observação da periodicidade das fases lunares gerou a idéia de mês. E a repetição alternada das estações, que variavam de duas a seis, de acordo com os climas, deu origem ao conceito de ano, estabelecido em função das necessidades da agricultura. Continuar lendo “Sobre os Calendários”

Nem só Jesus Cristo tinha poder

Apolônio de Tiana

Por Widson Porto Reis

Ele nasceu do útero de uma virgem e seu nascimento foi anunciado por um anjo. Reuniu ao seu redor um grupo de leais seguidores a quem transmitiu uma avançada mensagem de igualdade e fraternidade. Foi um agitador das massas e suas palavras tanto desagradaram aos romanos que acabaram por matá-lo. Em vida fazia inúmeros milagres: curava inválidos, anulava pragas, expulsava o demônio das pessoas e certa vez até ressucitou uma menina. Mas o maior dos seus feitos foi sua própria ressurreição, é claro. Uma vez completada sua missão, tomou seu lugar ao lado do Pai, do Espírito Santo e de sua própria mãe, também alçada aos céus, deixando aos seus seguidores em terra a dura tarefa de explicar como tinha tanta gente no céu se Deus era para ser único.

Ah sim, esqueci de dizer que não estou falando de Jesus Cristo. Estou falando de Apolônio de Tiana.

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Porque a homeopatia funciona

homeopatia.jpgPor Renato Sabbatini

De vez em quando a imprensa é invadida por algumas polêmicas que extravasam o domínio contido e sizudo das academias e associações científicas médicas. Uma delas é a real eficácia dos medicamentos homeopáticos, e se a medicina convencional deveria respeitar a homeopatia como uma ciência de verdade, ou desprezá-la como um dentre os inúmeros ramos fraudulentos da chamada “medicina alternativa”.

Conheço muita gente que jura que a homeopatia realmente funciona. São milhares e milhares de casos de pessoas, cujas afecções e moléstias, intratáveis pela medicina alopática convencional, aparentemente responderam ao tratamento homeopático. A ciência existe há mais de 200 anos, tendo sido fundada no final do século 18 pelo médico Samuel Hahnemann. No Brasil, a Associação Homeopática Médica Brasileira e a Associação Paulista de Homeopatia são oficialmente reconhecidas pela Associação Médica Brasileira e pela Associação Paulista de Medicina, as quais incorporaram oficialmente a homeopatia como especialidade médica, ao par de todas as outras. Existem cursos de especialização, de residência médica e até de pós-graduação em homeopatia, assim como revistas cientificas em muitos idiomas.

Portanto, trata-se aqui de um movimento sólido e seguido por muita gente. Aliás, é cada vez maior o número de médicos que, desencantados com a agressividade da medicina alopática, estão praticando homeopatia. A pergunta que muitos desses profissionais e seus pacientes se fazem é: mas a homeopatia realmente funciona ?

Afinal, não era para funcionar. A homeopatia se baseia em princípios totalmente anticientíficos e inexplicados de ação medicamentosa, que colocam a lógica de pés para o ar. Os princípios ativos da homeopatia, geralmente derivados de plantas e animais, são diluídos muitas vezes (a chamada “dinamização”). Não é comum certos medicamentos homeopáticos serem diluídos 30 vezes, ou seja, coloca-se uma gota do medicamento ativo num recipiente com uma solução de água e álcool, agita-se sistematicamente um certo número de vezes, depois toma-se uma gota dessa solução, coloca-se em outro recipiente com solvente, agita-se novamente, etc. Pode-se provar cientificamente que uma diluição de 30 vezes praticamente não tem mais nenhuma molécula do componente ativo em solução ! E existem dinamizações de até 200 vezes ! Então como que é possível existir algum efeito ?

Os homeopatas sabem disso, evidentemente, mas procuram dar “explicações” bizarras e não comprovadas sobre o suposto efeito terapêutico, como a retenção de uma “memória energética” da molécula pela água.

As explicações são provavelmente muito mais simples. Existem diversos motivos porque a homeopatia funciona. Entre elas:

  1. Muitas doenças se resolvem sozinhas, sem medicamento algum, o que dá a impressão que o medicamento funcionou
  2. Muitas doenças são cíclicas, e usar o medicamento no pico da gravidade dá a impressão de melhora, quando ela afinal regride
  3. Muitíssimos sintomas e doenças são psicossomáticas, causadas por alterações emocionais. Se a pessoa se convence que o medicamento vai funcionar, ocorre uma melhora;
  4. O médico adota outras medidas terapêuticas, como mandar o paciente fazer regime e exercício, e depois acha que foi a homeopatia que fez emagrecer;
  5. Distorção da realidade: pequenos efeitos aleatórios e temporários são julgados como sendo “curas”, pelo excesso de expectativa. A posterior recidiva da doença é atribuída a outras causas, não à falta de eficácia da homeopatia;
  6. Casos individuais de cura são interpretados como comprovação de um efeito para toda a população.

Mas o efeito mais provável da homeopatia (e até de muitas terapias alopáticas) é o chamado placebo. Este é o nome que a medicina dá a um medicamento comprovadamente ineficaz ou neutro (uma pilula de lactose, por exemplo), e que se prescreve ao paciente, dizendo ser um medicamento ativo. Todo placebo sempre obtém algum efeito terapêutico. Por exemplo, Vasomax, um novo medicamento contra a impotência lançado com muito alarde nos EUA, causou ereção em 41 % dos pacientes que o tomaram. Bom ? Pois bem, o placebo causou ereção em 35 % dos pacientes… Bastou o sujeito acreditar que funciona. Aliás, o efeito-placebo parece ser a base de quase todos afrodisíacos existentes.

Se a população está gastando centenas de milhões de reais em pílulas de açucar e vidrinhos de água quase pura para tratar males reais, isso é um problema muito sério de saúde e de economia pública. A homeopatia precisa apresentar publicamente os estudos científicos que supostamente servem de base para sua “ciência”.