Cliente exageradamente fofinho faz funerária pegar fogo

Existe uma espécie de contrato tácito entre vivos e mortos. Nós organizamos o velório, escolhemos a música constrangedora que alguém da família insistiu em colocar e garantimos que a despedida ocorra dentro dos padrões mínimos de civilização. Em troca, espera-se que o falecido colabore ficando quieto, manejável e, sobretudo, dimensionalmente compatível com o equipamento.

Não é pedir muito. É literalmente o último favor. Continuar lendo “Cliente exageradamente fofinho faz funerária pegar fogo”

O homem que virou o Deus dos Aspiradores

Em 2003, Scott McNealy, então CEO da Sun Microsystems, disse uma frase que o mundo da tecnologia fingiu não ter ouvido: “Você não tem privacidade. Supere isso.” À época, algumas pessoas riram nervosamente, como quem ouve uma piada de mau gosto num jantar de família. Hoje, vinte e dois anos depois, um homem chamado Sammy Azdoufal se sentou no sofá com a intenção de conectar seu aspirador robô a um controle de PlayStation 5, e acidentalmente se tornou o senhor absoluto de quase sete mil lares espalhados por vinte e quatro países. McNealy não estava sendo cínico. Estava sendo profético! Continuar lendo “O homem que virou o Deus dos Aspiradores”

As dez vezes que o mundo quase acabou

Existe uma pergunta que nenhum livro de história costuma fazer com a seriedade que merece: quantas vezes a civilização humana sobreviveu não por competência, estratégia ou sabedoria diplomática, mas por pura e simples sorte? A resposta, se você tiver estômago, é: pelo menos dez vezes documentadas, só na segunda metade do século XX. Provavelmente mais, porque boa parte dos arquivos ainda está registrada como “SECRETO” e somente pros olhos de alguém bem importante. O que se sabe já é suficiente para tirar o sono de qualquer pessoa com menos de três drinques no corpo.

Bombas nucleares caindo sobre o território americano. Submarinos prontos para lançar torpedos atômicos porque a água estava quente demais. Exércitos soviéticos em alerta máximo porque a OTAN decidiu fazer um joguinho de guerra realista demais. Um bando de cisnes voando sobre a Turquia. Um urso, sem filiação política conhecida, quase iniciando a Terceira Guerra Mundial. Continuar lendo “As dez vezes que o mundo quase acabou”

Artigos da Semana 294

Acabou-se o carnaval PLUFT! Não se tem muito o que fazer sobre isso, além de reclamar de outra coisa: do calor infernal que tá, enquanto eu fiquei sem luz váris horas sem poder ligar um ar-condicionado ou ventilador. Me senti coo os químicos sumérios que inventaram o asfalto. Sim, eu contei esta e outras histórias durante a semana.

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O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)

Então você, meu amigo, minha amiga, bate as botas no Egito romano, e seus parentes te enfaixam em linho com esmero, colocam uma máscara dourada no seu rosto para garantir que você consiga ver e falar no além, e te enterram com toda a pompa possível.

Agora imagine que, 2000 anos depois, alguém saqueia sua tumba, vende pedaços de você para antiquários ou mesmo para virar aditivo e tônico (sim, teve isso) e o que sobra da sua máscara funerária vai parar espalhado entre o deserto egípcio e um museu em Copenhague. Isso não é roteiro de filme de terror, mas a biografia arqueológica de uma quantidade assustadora de artefatos que habitam coleções ao redor do mundo sem que ninguém saiba de onde vieram. A boa notícia é que a ciência encontrou uma forma de reconectar esses fragmentos às suas histórias. Continuar lendo “O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)”

Multidão de imbecis assassinam mulher por acharam que ela era uma bruxa

Carnaval é notícia de ontem e já tivemos que voltar ao trabalho, e aos chefes maníacos e à insânia dos colegas e às loucuras do mundo. PAUSA! Respira fundo. Conta até dez. Tenta o método da meditação, do chá de camomila, do aplicativo de mindfulness que você baixou e nunca abriu. Não vai adiantar. Porque a humanidade, com aquela generosidade que só ela tem, acabou de entregar mais um episódio da série favorita de todo mundo: Sou um imbecil e farei de tudo para provar isso!

Estamos em 2026, ano em que a Inteligência Artificial escreve romances, robôs operam pacientes e bilionários brigam por quem chega primeiro em Marte. E em Jharkhand, estado no leste da Índia, um grupo de idiotas se reuniu numa noite de fevereiro, pegou querosene, foi até a casa de Jyoti Sinku, 32 anos, com o filho de dois meses no colo, e ateou fogo em tudo. Motivo: acharam que ela era uma bruxa.

Fazendo mandinga na Quaresma, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Multidão de imbecis assassinam mulher por acharam que ela era uma bruxa”

Químicos sumérios já faziam o melhor que químicos fazem: inventaram o futuro

Uma das maiores inovações tecnológicas trazidas pela indústria do petróleo foi o asfalto. O asfalto é tão onipresente que virou sinônimo de modernidade urbana, de progresso industrial, de engenharia do século XX. Algo bem recente na História da Civilização, certo? Bem, não é bem assim. Os sumérios da Mesopotâmia já dominavam a lógica por trás dele há mais de quatro mil anos. Sem laboratório moderno, sem espectrômetro e, presumivelmente, sem nenhum PowerPoint de apresentação para a diretoria. Só observação, repetição e um conhecimento acumulado que atravessou gerações de artesãos em algum canto quente e úmido do que hoje é o sul do Iraque.

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Vai, confia na tecnologia durante o percurso, vai

Eu adoro a Amazon e o Mercado Livre (Fuck You, Correios!). Um dos motivos é terem entregadores que… bem, que entregam a sua mercadoria. O problema é que ninguém mjais sabe dirigir. Já pode ver o Uber: o miserável fica rodando pela cidade mas se não tiver o GPS, ele não sabe por onde vai, como chega e sequer onde é. Daí pessoal desenvolve uma fé cega, quase religiosa, pelo GPS. Uma confiança que ultrapassa laços familiares, opiniões de especialistas e, aparentemente, o instinto básico de não dirigir para dentro de um estuário com maré subindo.

Sim, o idiota não viu a porra de UM ESTUÁRIO! Continuar lendo “Vai, confia na tecnologia durante o percurso, vai”

O homem que acreditava ser o rei da França

Era uma vez um homem que acordou numa bela manhã de setembro de 1354, como sempre acordara nos seus 38 anos de vida: um próspero comerciante de Siena, ocupado com os negócios de sempre, preocupado com lucros, prejuízos e as pequenas intrigas da tosca República de Toscana. O mundo dá voltas mas de vez em quando ele capota, e quando a noite caiu sobre aquele mesmo dia, ele já se acreditava o legítimo rei da França. Não houve febre, não houve delírio, não houve nenhum cogumelo mágico medieval que justificasse a transformação. Houve apenas uma convocação, uma conversa e uma revelação tão absurda que parecia ter saído diretamente de uma novela.

Esta é uma SEXTA INSANA MEDIEVAL! Continuar lendo “O homem que acreditava ser o rei da França”

Os túneis secretos de Vênus

Existe um prazer perverso em descobrir que você estava errado sobre algo durante décadas. É como encontrar dinheiro no bolso de uma calça velha, só que em vez de dinheiro são dados de radar coletados há mais de 30 anos. E é exatamente isso que aconteceu com Vênus, nosso vizinho infernal que insiste em nos surpreender mesmo depois de tanto tempo sendo ignorado como um caso perdido de planeta geologicamente morto.

Um grupo de cientistas italianos da Universidade de Trento acaba de anunciar que identificou o que aparenta ser apenas o segundo tubo de lava já relatado em Vênus, uma estrutura subterrânea gigantesca esculpida por atividade vulcânica que pode se estender por dezenas de quilômetros sob a superfície do planeta. Continuar lendo “Os túneis secretos de Vênus”