O Navio de Teseu das abelhas

Biólogos são criaturas fascinantes. Eles passam mais de um século tentando responder uma pergunta que parece simples: onde termina um organismo e começa uma sociedade? Parece até algo que aquela inutilidade chamada Filosofia diria, mas biólogos realmente levam a sério e a pergunta é direta e precisa, não alguma bobagem metafísica. Em 1910, William Morton Wheeler olhou para um formigueiro e viu operárias e rainha funcionando como tecidos diferentes de um mesmo corpo. A ideia de “superorganismo” pegou. A colmeia, nessa leitura, deixa de ser um grupo de insetos e vira um único bicho com milhares de células aladas e o sistema reprodutivo entregue a uma única fêmea.

Pois bem: se a colmeia é um organismo, ela tem ciclo de vida, nasce, cresce, se reproduz e morre, certo? Errado, ou pelo menos esse “certo” nunca foi consenso. Uma revisão científica recém-publicada resolve atacar a questão de frente e propõe que boa parte da literatura sobre abelhas melíferas trocou pais por filhos e passou décadas medindo o ciclo de vida de uma entidade que, em essência, estava de cabeça para baixo. Continuar lendo “O Navio de Teseu das abelhas” →

Quando um exército de robozinhos capitaneados por um programador humilhou big techs

Houve um tempo, não muito distante, em que você entrava numa loja, escolhia um produto, pagava e, pasme, a coisa era sua! Comprava um disco e ouvia até a humanidade desenvolver orelhas de reposição. Com os programas era parecido: pagava, instalava e usava aquela versão enquanto o computador aguentasse. Isso sempre foi maravilhoso.

Claro, foi uma corrida para impedir que as pessoas espalhassem seus programas com os amigos, e daí veio a corrida para impedir, craqueadores burlavam a segurança e estava tudo bem, já que a verdade é que Microsoft não estava nem aí se o Zezinho morador de Nova Iguaçu tinha comprado um Uíndous Jack Sparrow. Ela ganha dinheiro com as empresas, mesmo. Continuar lendo “Quando um exército de robozinhos capitaneados por um programador humilhou big techs” →

Artigos da Semana 327

A semana começou louca, evoluiu para a insânia, tornou-se estupendamente idiota e foi corada com uma excelente divulgação científica. De tédio vocês não morrem aqui, se é que ainda tem gente lendo para se divertir. Bem, vamos ao que foi postado durante a semana.

Continuar lendo “Artigos da Semana 327” →

Vereador abriu os trabalhos na Casa Demoníaca invocando Nosso Senhor Satã

Existem dois tipos de pessoas que acordam numa quarta-feira de outubro: as que tomam café, vão pro ponto de ônibus, sobem no busão e seguem a vida, para depois chegarem em casa e se meterem em rede social. Tem os que leem Ceticismo.net e descobrem que uma câmara municipal de uma cidadeca no interior dos EUA resolveu começar o expediente pedindo a bênção do capeta. Eu, que já tomei café demais e fé de menos, não só estou no segundo grupo como ainda fui eu quem redigiu esta bagaça de artigo.

(e eu nem sei por quê. SOCORRO!!!) Continuar lendo “Vereador abriu os trabalhos na Casa Demoníaca invocando Nosso Senhor Satã” →

A pestilenta peste que a OMS diz estar tudo ok

Imagine começar a semana com aquele mal-estar que tem cara de gripe, desses que a gente trata com chá, paracetamol e fé. Agora imagine que o seu trabalho fica num instituto da Sibéria onde se estudam e vigiam algumas das bactérias mais letais que a humanidade já conheceu. Dois dias depois, o chá virou hospital, e o hospital virou quarentena. É mais ou menos assim que começa a história de uma moça de 28 anos cuja morte, nesta semana, fez a palavra “peste” voltar ao noticiário sem nenhum constrangimento medieval, e nos obriga a perguntar se aprendemos alguma coisa nos últimos seis anos ou se apenas aprendemos a fazer pão em casa. Continuar lendo “A pestilenta peste que a OMS diz estar tudo ok” →

Passei a dar razão aos amishes

Amishes são o grupo de pessoas que abominam tecnologias mais modernas que um arado, uma charrete e um serrote. Ok, eu devo admitir que estou sendo generalista e simplista. A real é que a relação deles com a tecnologia (e uma serra elétrica é uma peça tecnológica, não a sua Nvidia com a qual você faz modelos desnudas via IA) é um pouco mais complexa que isso. A forma como eles rechaçam tema ver com o impacto que ela pode ter na unidade familiar, na comunidade e em sua relação com Deus. Sua lógica principal é: se a tecnologia afasta as pessoas de Deus ou da comunidade, ela deve ser evitada.

Eu me senti justamente assim ontem ao instalar uma TV e colocá-la para funcionar. Continuar lendo “Passei a dar razão aos amishes” →

Artigos da Semana 326

Hoje foi dia de eleição, a festa da democracia, ou outro epíteto brega e idiota na qual você elege um monte de parasitas desclassificados, achando que o outro parasita desclassificado é mais desclassificado do que o vagabundo que você escolheu. Já acabou a votação, logo, você não tem desculpas para ler o que foi postado durante a semana.

Continuar lendo “Artigos da Semana 326” →

Florida Man contrata bruxa e ela se mostra excelente no que faz… mais do que ele gostaria

Há dias em que a gente só queria passar pela Internet sem descobrir uma nova maneira de perder a fé na espécie. Você abre o celular, dá uma olhada nas notícias, respira fundo e pensa que talvez hoje a humanidade tenha decidido se comportar como gente adulta. É um erro recorrente. Porque, quando você menos espera, surge alguém que conseguiu transformar um problema banal da vida moderna em uma ocorrência paranormal, e lá vamos nós, mais uma vez, investigar até onde a civilização está disposta a cavar antes de encontrar o fundo. Desta vez, aparentemente, o fundo fica no Etsy.

Daí o que se faz? Apela-se pro Sobrenatural de Almeida e se contrata uma bruxa pela Grande Rede de Computadores. Parece que deu tão certo que o distinto teve que apelar na base do “Chegaaaaa!!!”. Ao que parece, ele recebeu mais ofertas do que queria (provavelmente, uma).

Fazendo mandiga unga-bunga, arriando despacho e enfeitiçando geral, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Florida Man contrata bruxa e ela se mostra excelente no que faz… mais do que ele gostaria” →

OpenAI chamou o contato, o contato veio com mastro, corda e ordem de restrição

Imagine uma churrascaria que coloca na porta uma placa: “Atenção: carne vermelha faz mal, tem cheiro esquisito e pode provocar a extinção da espécie humana. Provem nosso rodízio!” Agora imagine que, diante do espanto dos clientes, o dono acrescente: “Mas o governo devia fechar a churrascaria da esquina”. É mais ou menos o estado da arte do debate sobre segurança da Inteligência Artificial em fins de setembro de 2026.

O problema dos desejos é que eles podem acontecer. Pena que a OpenAI não se tocara disso; deveriam ter consultado o ChatGPT. Continuar lendo “OpenAI chamou o contato, o contato veio com mastro, corda e ordem de restrição” →

Governo canadense dá tubo de papel para presidiário cheirar pó de forma saudável e em segurança

Todo mundo já passou pela humilhação de tomar um suco com canudo de papel, que mal dura o tempo que você mistura o suco com o gelo no seu copo para ele ficar completamente gelado. O mundo inteiro reclamou, mas quem se importa? O Canadá, sempre politicamente correto e preocupado com o que realmente interessa, como pagar indenização a terroristas, está preocupado com seus presos que estão metendo o focinho no pó que passarinho não cheira. Pois bem, os cannucks se esforçaram na missão redentora dessa prática: serão distribuídos em prisões federais canudos de papel para que os detentos possam dar suas cafungadas com segurança.

Sim, com segurança e provavelmente um pedido de desculpas por não ter fornecido antes. Continuar lendo “Governo canadense dá tubo de papel para presidiário cheirar pó de forma saudável e em segurança” →