Pesquisa mostra que Ômega-3 é muito bom pro cérebro, mas não é essa Coca-Cola toda que vendem

Sabe as pessoas que dizem que envelhecer é ótimo e que a vida começa aos 40? Pois, é: elas mentem. É legal envelhecer quando se é rico e a vida começa aos 40 para quem acabou de receber herança. Se você tem que levantar cedíssimo para ir trabalhar, Guess what, não vai ver nada de maneiro. Some-se a isso o que vendem de lindo, maravilhoso, incrível e cheiroso: aqueles produtos mágicos que prometem zilhões de coisas, prosperando no cruzamento entre o medo de envelhecer e a fé na embalagem: os suplementos para o cérebro.

O rei dessa corte é o óleo de peixe, aquela cápsula translúcida que mora no armário de milhões de pessoas com a promessa tácita de manter a memória onde a deixamos. Só nos Estados Unidos, o gasto com suplementos de ômega-3 passa de US$ 1 bilhão por ano. Promessa de rótulo e evidência clínica, porém, são primas distantes, e de vez em quando alguém tem a má educação de convidar as duas para o mesmo experimento. Continuar lendo “Pesquisa mostra que Ômega-3 é muito bom pro cérebro, mas não é essa Coca-Cola toda que vendem” →

O seu cérebro tem duas certidões de nascimento

Você aprendeu na escola que a célula é a menor unidade estrutural e funcional dos seres vivos. Aprendeu também que células especializadas se reúnem em tecidos e que tecidos diferentes se combinam para formar órgãos. Coração, fígado, pâncreas, cérebro: cada um sendo uma peça só, singular, simples, sem complicação (salvo quando bate um câncer ou alguma outra doença que estraga tudo). Com o avanço dos estudos, você descobriu que o cérebro tem dois hemisférios que trabalham em parceria, conectados pelo corpo caloso, e que, em boa parte, o direito comanda o lado esquerdo do corpo e o esquerdo comanda o direito. Simples, não? Só que a Ciência avança e adora complicar as coisas!

Um grupo de especialistas em desenvolvimento embrionário resolveu mexer na certidão de nascimento do órgão mais badalado do corpo, aquele que escreve poemas, resolve equações e ainda esquece onde deixou a chave do carro. E a divisão que eles encontraram não tem nada a ver com direita ou esquerda (não estou falando de política, seus retardados que chegaram aqui pelo Google). Continuar lendo “O seu cérebro tem duas certidões de nascimento” →

Sonhar não é aleatório, é editorial

Desde que a humanidade descobriu que dormir vem acompanhado de um cinema particular e gratuito, ninguém resistiu à tentação de dar sentido àquilo. Os egípcios liam sonhos como mensagens dos deuses, os gregos consultavam oráculos para decifrá-los, Artemidoro de Daldis escreveu um manual inteiro de interpretação onírica no século II, e Freud, quase dois mil anos depois, decidiu que tudo aquilo era, no fundo, libido reprimida disfarçada de trem entrando em túnel. Nenhum deles, no entanto, tinha acesso a processamento de linguagem natural, e é aí que a história fica interessante. Continuar lendo “Sonhar não é aleatório, é editorial” →

O câncer fatal que virou um problema de encanamento biológico

Você chega ao hospital com uma dor de cabeça chata, dessas que não passam nem com paracetamol nem com promessas de que amanhã será melhor. Os médicos batem uma tomografia, encontram várias manchas espalhadas pelo seu cérebro e, num tom que tenta ser gentil mas nunca consegue, informam que aquilo tem toda a cara de câncer metastático. O tipo de notícia que reorganiza uma vida inteira em quinze minutos.

Você é medicado com corticoide, melhora rápido, e a equipe médica sai correndo atrás da origem do tumor primário: emarái, colonoscopia, PET scan, a bagaça completa. Daí, descobrem que não existe tumor nenhum. O que parecia o pior cenário possível simplesmente não bate com a realidade, e a equipe se vê obrigada a repensar tudo, porque uma ressonância mais detalhada revela cistos, não tumores, e dentro de alguns desses cistos havia algo com cabeça própria. Literalmente. A notícia boa é que não é câncer. A notícia ruim é que o motivo é ainda mais perturbador, e o paciente carregava vermes alojados no cérebro sabe-se lá quantos anos. Continuar lendo “O câncer fatal que virou um problema de encanamento biológico” →

Suplementos podem mais ferrar o seu cérebro do que ajudar

Se você for numa farmácia, vai dar de cara com várias prateleiras com produtos mágicos com a promessa de turbinar o cérebro. Foco, atenção, clareza mental, desempenho cognitivo sob estresse: o marketing é sofisticado, a embalagem é minimalista e o preço costuma ser o inverso de tudo isso. Entre os ingredientes favoritos dessa indústria está a tirosina, um aminoácido que o organismo usa para fabricar neurotransmissores como dopamina, norepinefrina e epinefrina, as mesmas substâncias que entram em cena quando você precisa dar uma palestra, atravessar uma prova ou fingir que está bem numa reunião de segunda-feira.

O problema é que uma pesquisa recente veio jogar um balde de água fria nessa narrativa bem-organizada. Continuar lendo “Suplementos podem mais ferrar o seu cérebro do que ajudar” →

Quando o cérebro usa o fracasso como combustível

Existe uma razão pela qual aquela dieta que você “começou na segunda-feira” já foi abandonada pela quarta. E uma razão pela qual você ainda digita a senha do ex no celular sem perceber. O cérebro humano, esse órgão presunçoso que se gaba de ter mandado foguetes à Lua e inventado o sorvete de pistache, tem um vício embaraçoso: ele adora repetir o que já funcionou antes, mesmo quando o mundo ao redor mudou completamente. É o que os neurocientistas chamam de “rigidez comportamental”, os filósofos chamam de teimosia e o que sua mãe chama simplesmente de “você sendo você”.

A boa notícia é que o cérebro tem um mecanismo de resgate embutido. A má notícia é que esse mecanismo só é acionado quando você leva um fora. Continuar lendo “Quando o cérebro usa o fracasso como combustível” →

Pequenos paulistas mostram os segredos das decisões inconscientes

Você já parou para pensar naquele momento exato em que decide se aproximar de alguém numa festa? Aquela fração de segundo em que o cérebro aparentemente sopra “vai lá!” e as pernas obedecem? Pois bem: uma nova pesquisa revela que esse momento de decisão é, na prática, uma mentira bem contada. O cérebro não espera sua permissão, ele começa a preparar o terreno vários segundos antes de você sequer ter a impressão de ter pensado em qualquer coisa. O livre-arbítrio social, ao que tudo indica, tem um departamento de planejamento que trabalha nas suas costas. Continuar lendo “Pequenos paulistas mostram os segredos das decisões inconscientes” →

Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)

A Ciência tem uma vocação irritante para revelar que aquilo que fazemos de forma preguiçosa e automática é, na verdade, um mecanismo fisiológico de alta sofisticação. Respirar, dormir, caminhar até a geladeira às duas da manhã: tudo, aparentemente, é mais complexo e mais milagroso do que a mediocridade cotidiana faria supor. O mais recente capítulo dessa série constrangedora vem de pesquisadores da Penn State, os quais descobriram que o simples ato de contrair os músculos abdominais provoca um suave balanço do cérebro dentro do crânio, e que esse balançar minúsculo ajuda a limpar o órgão de resíduos metabólicos. Sim: seu cérebro é uma esponja suja, e o movimento é a torneira. A metáfora não é minha; é dos próprios cientistas. Aplausos pela honestidade. Continuar lendo “Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)” →

19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas” →

Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio

A ressonância magnética do cérebro é uma experiência peculiar. Você se deita numa máquina claustrofóbica que parece ter sido projetada por alguém que perdeu uma aposta, passa meia hora ouvindo barulhos que variam entre britadeira industrial e show de música experimental finlandesa, e então sai de lá para esperar. E esperar. E esperar um pouco mais. Dias, às vezes semanas, até que algum radiologista sobrecarregado consiga sentar-se, analisar suas imagens, fazer muxoxo ao descobrir o que você tem na cabeça e emitir um laudo.

Todo mundo (vai, confessa que você também faz isso!) atualmente tá mandando pro ChatGPT analisar, e segundo minhas experiências, tem acertado muito bem… ou, se errou, o médico também errou, porque um confirma o que o outro diz. Continuar lendo “Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio” →